Como uma aurora em Urano pode ajudar a compreender fenômenos na Terra

Cientistas dizem que a descoberta pode ajudar a entender alguns fenômenos pouco compreendidos da Terra, como a reversão geomagnética
Alessandro Di Lorenzo
Alessandro Di Lorenzo, editado por Bruno Capozzi 26/10/2023 19:36, atualizada em 07/11/2023 21:15

Pela primeira vez, uma aurora infravermelha foi verificada em Urano. A descoberta foi publicada em um estudo divulgado na revista Nature Astronomy e fornece informações sobre os campos magnéticos em planetas mais distantes no sistema solar.

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Como se formam as auroras

  • Na Terra, as auroras são causadas por ventos solares que se chocam com partículas carregadas na atmosfera.
  • Essa colisão resulta em luz emitida pelas partículas devido à ionização.
  • É assim que se formam, por exemplo, aqueles verdadeiros espetáculo de luzes perto dos polos do nosso planeta.
  • As informações são da IFLScience.
Belíssimo registro de uma aurora formada no céu da Estônia (Imagem: Kairo Kiitsak)

Registro em Urano é inédito

Diferentes formas de auroras também podem ser vistas em outros planetas, especialmente em Júpiter e em suas luas. As auroras ultravioletas foram vistas pela primeira vez em Urano em 1986 pela sonda Voyager 2, mas esta é a primeira vez que a aurora infravermelha é observada.

Em planetas como Urano, a aurora emitirá luz fora do espectro visível em comprimentos de onda de luz, como o infravermelho, porque a atmosfera é predominantemente uma mistura de hidrogênio e hélio (ao contrário da Terra, que é principalmente nitrogênio e oxigênio).

Isso significa que as auroras infravermelhas são invisíveis em Urano para o olho humano. No entanto, os cientistas conseguiram documentá-los graças ao trabalho de um dos maiores telescópios óptico-infravermelhos da Terra, o Keck II, no Havaí.

Os pesquisadores analisaram comprimentos de onda específicos de luz emitida pelo planeta, com foco especial em uma partícula carregada conhecida como H3+, que varia em brilho dependendo da temperatura da partícula e da densidade dessa camada da atmosfera. As descobertas mostraram um aumento de 88% na densidade de H3+, na atmosfera de Urano, com pouca mudança de temperatura.

A maioria dos exoplanetas descobertos até agora se enquadra na categoria sub-Netuno e, portanto, são fisicamente semelhantes a Netuno e Urano em tamanho. Isso também pode significar características magnéticas e atmosféricas semelhantes. Ao analisar a aurora de Urano, que se conecta diretamente ao campo magnético e à atmosfera do planeta, podemos fazer previsões sobre as atmosferas e campos magnéticos desses mundos e, portanto, sua adequação à vida.

Emma Thomas, da Escola de Física e Astronomia da Universidade de Leicester e principal autora do estudo

A descoberta pode ajudar a entender o motivo pelo qual os polos magnéticos de Urano e Netuno não estão alinhados com os eixos de seus giros rotacionais. Como a atividade da aurora está intimamente ligada ao campo magnético de um planeta, os pesquisadores acreditam que esse mistério possa ser desvendado em breve.

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Da mesma forma, os cientistas dizem que os resultados podem ajudar a entender alguns fenômenos pouco compreendidos da Terra, como a reversão geomagnética.

Não temos muitos estudos sobre esse fenômeno e, portanto, não sabemos que efeitos isso terá em sistemas que dependem do campo magnético da Terra, como satélites, comunicações e navegação. No entanto, esse processo ocorre todos os dias em Urano devido ao desalinhamento único dos eixos rotacional e magnético. O estudo contínuo da aurora de Urano fornecerá dados sobre o que podemos esperar quando a Terra exibir uma futura inversão de polo e o que isso significará para seu campo magnético.

Emma Thomas, da Escola de Física e Astronomia da Universidade de Leicester e principal autora do estudo
Alessandro Di Lorenzo
Alessandro Di Lorenzo

Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Bruno Capozzi
Bruno Capozzi

Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.

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