Um grupo de astrônomos, analisando dois catálogos de estrelas massivas da Via Láctea, percebeu que algumas delas se movem de maneira diferente da galáxia. A descoberta indica que elas estão em fuga, ejetadas para o espaço intergaláctico, para longe da força gravitacional da nossa galáxia.

Para descobrir se uma estrela está sendo ejetada da galáxia, os pesquisadores medem a distribuição de velocidades, que reflete a rotação da galáxia. Quando uma estrela não está em harmonia com a rotação, acaba chamando a atenção dos astrônomos.

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Os pesquisadores não sabem ao certo quantas estrelas estão fugindo da Via Láctea, mas a todo momento mais delas estão sendo encontradas. Estima-se que existam cerca de 10 milhões delas na nossa galáxia, mas esse número não é certo porque não entendemos bem o que faz elas fugirem.

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Agora no novo estudo, publicado na revista Astronomy and Astrophysics e liderado por Mar Carretero Castrillo, ao utilizar os catálogos Galactic O-Star Catalog (GOSC) e o Be Star Spectra (BeSS) combinados com dados recolhidos pelo telescópio Gaia da ESA, os pesquisadores encontraram dezenas dessas estrelas fugitivas.

Os dois catálogos registram diferentes tipos de estrelas, mas ambas são massivas, jovens e quentes. 

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  • Ao cruzar os dados deles com o do telescópio, os pesquisadores encontraram 417 estrelas do tipo O e 1335 estrelas do tipo B presentes em Gaia e no GOSC e BeSS, respectivamente;
  • Das estrelas presentes, 106 estrelas do tipo O (25,4% do catálogo GOSC) e 69 do tipo B (5,2% do BeSS) estão em fuga da Via Láctea;
  • Dessas, 42 estrelas do tipo O e 47 do tipo B foram identificadas com estrelas em fuga apenas recentemente.

Por que estrelas estão fugindo da galáxia? 

Existem duas teorias que tentam explicar porque essas estrelas estão em fuga, uma é o cenário binário de supernova (BSS) e outra envolve ejeção dinâmica (DES). No primeiro, é considerado um par binário, onde uma das estrelas do sistema explode em uma supernova, liberando energia suficiente não só para desprendê-las gravitacionalmente, como mandá-la para fora da Via Láctea.

Na outra, nenhuma explosão acontece, uma estrela num ambiente compacto e denso começa a fugir da galáxia a partir de interações gravitacionais com outras estrelas. Ao comparar as estrelas em fuga do estudo, com as duas teorias, os pesquisadores perceberam que os dados favorecem uma explicação.

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As porcentagens e velocidades mais elevadas encontradas para os fugitivos do tipo O em comparação com os fugitivos do tipo Be sublinham que o cenário de ejeção dinâmica é mais provável do que o cenário de supernova binária.

Trecho do estudo

Assim, o novo estudo não só identificou novas estrelas em fuga, como lançou luz sobre o porque elas estão fugindo.