Um astrofotógrafo encontrou algo no céu que gerações de astrônomos têm ignorado, uma mancha de oxigênio nomeada de Nebulosa do Ferrão Fantasma. A descoberta faz parte de um projeto conduzido por astrônomos amadores cujo objetivo é observar os cosmos em um comprimento de onda há muito ignorado por observatórios profissionais.

Para quem tem pressa:

  • As observações foram feitas na banda de 495,9-500,7 nanômetros, onde o O+2 possui um brilho característico;
  • A descoberta foi feita por Steev Body, participante do grupo de astrônomos amadores New Horizon;
  • Os astrônomos ainda não sabem se a nebulosa trata-se de um objeto inédito.

As observações foram feitas numa banda de 495,9-500,7 nanômetros, onde o oxigênio duplamente ionizado, ou O III, libera duas linhas espectrais fortes, com um brilho azulado característico.

Com diversos observatórios gigantes e telescópios espaciais, é difícil pensar que algo escaparia da astronomia profissional. No entanto, Steeve Body, mostrou que ainda há algo para explorar, mesmo com instrumentos muito menores e a partir de locais onde o céu é ofuscado pelo brilho de grandes cidades.

publicidade

Convidado pelo estudante de astronomia Tim Schaeffer, Body se juntou ao grupo de astrônomos amadores, New Horizons (NHZ), equipe que está realizando observações a partir de radiotelescópios, em busca de sinais de nebulosas ricas em oxigênio.

Leia mais:

A nebulosa é inédita?

Em resposta ao IFLScience, Body explicou que o objetivo era encontrar um remanescente de supernova recentemente descoberto em Escorpião. Para isso foram feitas observações que duraram entre 15 e 20 horas, e nada foi encontrado. No entanto, foi capturado um brilho azul no canto da imagem, distante demais para ser associado ao remanescente.

Colocando esse brilho no centro, com 20 horas de exposição e com um extenso processamento para revelá-lo, Body descobriu a Nebulosa do Ferrão Fantasma. O nome foi escolhido porque ela está localizada próxima ao ferrão da constelação de Escorpião. Por ser difícil de ver, exceto em um comprimento de onda, ela foi chamada de fantasma.

Até então, nenhum registro de que a nebulosa foi descoberto anteriormente foi encontrado, exceto por uma referência em uma revista chinesa. No entanto, Body e a equipe do NHZ ainda não tiveram acesso ao diário de confirmação, assim, ainda não se sabe se o objeto é ou não inédito.

Se confirmada que a Nebulosa do Ferrão Fantasma é um objeto novo, os pesquisadores ainda não sabem onde catalogá-la, e apontam que talvez seja necessário eles mesmo desenvolverem um novo catálogo.