Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto Wyss da Universidade de Harvard desenvolveu uma nova abordagem para o tratamento de casos de traumatismo cerebral. Ao equipar células inflamatórias com ‘mochilas’ de micropartículas, reduziram em 56% o tamanho das lesões no cérebro de porcos.

O objetivo é utilizar as células no tratamento de uma condição chamada Traumatismo Cranioencefálico (TCE). Detalhes da pesquisa foram publicados na revista PNAS Nexus.

O que é Traumatismo Cranioencefálico (TCE)?

O Traumatismo Cranioencefálico (TCE) ocorre quando uma força externa, como uma queda ou uma agressão violenta, atinge a cabeça, causando disfunções ou lesões internas. Esse trauma é comum em lesões esportivas e pode manifestar diversos sintomas, desde dor de cabeça persistente até amnésia.

A neuroinflamação é uma resposta imediata ao dano cerebral. Apesar de ser importante para a recuperação, se prolongada, pode desencadear novas lesões, agravando o quadro.

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Algumas células imunitárias são responsáveis pelo aumento das lesões, podendo levar a complicações como depressão, déficits sensório-motores e de memória, e demência. Uma delas são os macrófagos, células que podem atuar tanto como pró quanto anti-inflamatórios.

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As mochilas celulares

  • Os pesquisadores viram potencial biológico nos macrófagos e os equiparam com uma ‘mochila’.
  • Na verdade, são micropartículas cheias de moléculas anti-inflamatórias anexadas à superfície das células.
  • Isso permite orientar o comportamento dos macrófagos para poderem reduzir os danos iniciais das lesões com maior efetividade.

Samir Mitragotri, um dos autores correspondentes do estudo, explica ao New Atlas que a tecnologia ajuda a evitar complicações do TCE:

Todos os anos, milhões de pessoas sofrem de TCE, mas atualmente não existe tratamento além do controle dos sintomas. Aplicamos nossa tecnologia de mochila celular para fornecer tratamento anti-inflamatório localizado no cérebro, o que ajuda a mitigar a cascata de inflamação descontrolada.

Samir Mitragotri para o New Atlas
Comparativo antes (esquerda) e depois (direita) de lesão cerebral tratada com macrófagos com mochila – Imagem: Instituto Wyss da Universidade de Harvard

Resultados em porcos

  • Em testes com porcos, aqueles que receberam tratamento com macrófagos com mochila apresentaram redução de 56% no volume total da lesão macroscópica e diminuíram em 47% o volume microscópico.
  • Houve também uma redução significativa na quantidade de hemorragia, passando de 73 mm³ para 21 mm³.
  • Os porcos tratados com macrófagos com mochila apresentaram menos lesões grandes.
  • Sete dias após a lesão, a proteína GFAP, um biomarcador diagnóstico e prognóstico de TCE e neuroinflamação, foi menor nos porcos tratados.

O Diretor Fundador do Instituto Wyss, Donald Ingber, que não esteve envolvido na investigação, afirmou que o estudo é um importante avanço:

Este estudo impressionante descreve uma terapia baseada em macrófagos verdadeiramente nova e potencialmente poderosa para o tratamento da inflamação, que é a causa raiz de tantas doenças humanas, de uma forma eficaz e não invasiva, que funciona com a biologia e não contra ela.

Donald Ingber para o New Atlas