A aquisição da Activision Blizzard pela Microsoft parece ter mudado o rumo da gigante da tecnologia no terreno dos games.

Se a aposta da empresa era antes no campo dos consoles, hoje, a companhia não vê mais a Sony e a Nintendo como tão rivais assim.

Pelo menos é isso que dá para entender ouvindo o CEO da Microsoft, Satya Nadella. Em entrevista à Bloomberg, ele foi indagado sobre novos mercados, principalmente após a aquisição da desenvolvedora, que custou US$ 69 bilhões – além de uma longa batalha judicial de dois anos.

A resposta dele foi esta aqui:

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“Nós amamos jogos, na verdade o Microsoft Flight Simulator foi criado antes mesmo do Windows, mas estávamos em terceiro, em quarto. E agora com a Activision, acredito que temos a oportunidade de, muito francamente, ser uma boa ‘publisher’ na Sony, na Nintendo, no PC e na Xbox. Então, sim, estamos empolgados com essa aquisição, e estou feliz por termos conseguido aprová-la.”

E os exclusivos?

  • Apesar dessa declaração forte do chefão da Microsoft, ainda não dá para saber se ele estava falando apenas de situações isoladas com a Activision Blizzard ou do Xbox como um todo.
  • O site gringo The Verge, no entanto, diz acreditar que ele estava falando, sim, do contexto maior.
  • Ou seja, no lançamento dos exclusivos Xbox nas outras plataformas.
  • O The Verge listou uma série de indícios de como esse movimento já teria começado.
  • Citou, por exemplo, que o youtuber Nate the Hate se referiu a Hi-Fi Rush, um exclusivo Xbox, chegando ao Switch em um podcast no início deste mês.
  • Dias depois, Jeff Grubb revelou no Giant Bomb que ouviu dizer que a Microsoft estava pensando em trazer Sea of ​​​​Thieves para o Nintendo Switch e o PlayStation.
  • Stephen Totilo, do boletim informativo Game File, entrou na conversa horas depois para confirmar que tinha ouvido falar a mesma coisa.
  • Segundo o The Verge, onde há fumaça, há fogo.

O que explicaria essa mudança?

Dinheiro, meus caros. É quase sempre sobre dinheiro.

Especialistas no mercado de games explicam que as grandes empresas do setor não ganham muita grana com a venda direta dos consoles. Sim, existe lucro, mas ele é muito menor em relação às gerações anteriores.

Os novos hardwares são verdadeiras máquinas, com processadores caros e acabam custando relativamente barato pro consumidor final (pelo menos nos EUA). Um PlayStation 5, por exemplo, sai a US$ 399.

Já os jogos, ah, os jogos são mais lucrativos – assim como os serviços de assinatura.

Rumores apontam, por exemplo, que o tão esperado GTA 6, só ele, só o jogo, vai custar US$ 150 no lançamento. Isso sem contar a versão Deluxe, que é sempre mais cara.

Ou seja, ele pode custar quase metade do preço do console. E a tendência é que os jogos considerados AAA sejam vendidos cada vez por um preço mais salgado.

E ainda falando no GTA, imagine que você pode vender para consoles da Sony, da Microsoft e da Nintendo, além do PC – ou seja, multiplica esse lucro por 4.

Deu para entender o contexto? Continua seguindo o fio. Durante o processo de aquisição da Activision Blizzard, a Microsoft firmou alguns acordos. Um dos principais é manter Call of Duty nos consoles PlayStation por um período de 10 anos.

Por quê? Porque a Sony não quer perder um campeão de vendas. Ao mesmo tempo, é bom para a Microsoft, que vai ganhar rios de dinheiro vendendo um jogo pro Play.

E quando falamos em Activision Blizzard, estamos falando em franquias excelentes, como OverWatch, Diablo e World of Warcraft. Vai muito além do CoD. Os exclusivos Xbox seguem a mesma lógica: devem vender bem.

E, sim, é sobre dinheiro.

Ponto para a maior empresa do mundo.