Apps burlam regras para coletar dados no iPhone, diz empresa

Versões para iPhone de aplicativos como X, TikTok e Facebook usam notificações para coletar dados, segundo empresa de aplicativos
Mulher digitando SMS em iPhone
(Imagem: Alyssa Stone/Universidade Northeastern)

Versões para iPhone de aplicativos como Facebook, LinkedIn, TikTok e X (antigo Twitter) têm contornado as regras de privacidade da Apple para coletar dados dos usuários por meio das notificações. É o que apontam pesquisadores da Mysk, empresa voltada ao desenvolvimento de aplicativos. 

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Para quem tem pressa:

  • Pesquisadores da Mysk apontam que versões para iPhone de aplicativos populares (X, TikTok, Facebook) têm coletado dados dos usuários por meio de notificações, contornando as regras de privacidade da Apple;
  • A prática envolve o uso de “fingerprinting”, técnica por meio da qual se identifica usuários com base em detalhes do dispositivo, o que violando as proteções de privacidade da Apple contra rastreamento e anúncios direcionados;
  • As notificações, cujo envio ativam os aplicativos temporariamente, fornecem uma brecha para a coleta de dados, segundo a empresa. Empresas utilizam esses dados para identificar usuários e direcionar anúncios;
  • Uma mudança nas regras do iOS, prevista para 2024, pode exigir que os desenvolvedores expliquem como e por que usam certas APIs, mas não se sabe como a Apple aplicará essas regras.

Essa técnica permite a coleta de dados mesmo quando os aplicativos são fechados. E a informação coletada parece estar relacionada à análise, publicidade e rastreamento de usuários, segundo vídeo postado pela empresa no YouTube.

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Brecha para coleta de dados

código de acesso iphone
(Imagem: DVKi/Shutterstock)

A prática, apontada por Tommy Mysk e Talal Haj Bakry, é generalizada no ecossistema do iPhone e envolve a coleta de informações para “fingerprinting”, técnica que identifica usuários com base em detalhes do dispositivo. Isso viola as proteções de privacidade da Apple, que proíbe empresas de rastrear pessoas e enviar anúncios direcionados.

Funciona assim: interagir com uma notificação do Facebook, por exemplo, resulta na coleta de endereços IP, tempo desde o reinício do telefone, espaço de memória livre e outros detalhes, segundo a Mysk. Esses dados, apesar de não serem tão sensíveis quanto os de localização, são valiosos para publicidade e outros fins.

A empresa aponta que as notificações fornecem uma brecha para a coleta de dados, mesmo quando o aplicativo está fechado. Segundo a Mysk, o iOS, sistema operacional do iPhone, permite que o aplicativo “acorde” temporariamente para enviar notificações – e é nessa janela que ocorre a coleta de dados. 

Dados coletados no iPhone

Pessoa segurando iPhone X
(Imagem: Framesira/Shutterstock)

As empresas buscam identificar usuários para direcionar anúncios e, sem identificação, os dados são menos úteis. O iPhone possui um ID de publicidade específico, mas as configurações como “Pedir ao App Para Não Rastrear” bloqueiam esse ID. E o “fingerprinting” é uma maneira de continuar rastreando.

A Mysk observou que empresas poderiam enviar uma notificação para iniciar um aplicativo em segundo plano e coletar detalhes dos dispositivos dos usuários. Algumas explicações para o problema incluem código antigo nos aplicativos que coleta dados desnecessários. No entanto, os pesquisadores acham isso difícil de acreditar.

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Uma mudança nas regras do sistema operacional do iPhone, prevista para 2024, pode exigir que desenvolvedores expliquem como e por que estão usando certas APIs. Mas não se sabe exatamente como a Apple vai aplicar essas regras.

Apesar das empresas coletarem esses dados, Meta e LinkedIn negam usá-los para publicidade ou análises relacionadas, enquanto a Apple, TikTok e X não comentaram sobre o assunto.

Pedro Spadoni
Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

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