Você provavelmente já viu este tema no noticiário, ou até mesmo acompanhou sobre aqui no Olhar Digital, mas afinal, o que é exatamente é a guerra dos chips que está acontecendo entre os EUA e a China? Entenda de uma vez!

Este conflito nada mais é que outra ramificação da guerra comercial entre estas duas nações, potências em diversos aspectos, não só econômicos, mas esta poderia ser considerada por muitos a mais decisiva de todas, isto se dá porque os chips, ou semicondutores, são uma tecnologia extremamente importante para o desenvolvimento das mais variadas tecnologias. E é isso que vamos contar por aqui.

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Eles estão em todos os lugares, ou pelo menos, no interior dos dispositivos eletrônicos digitais, desde drones, até computadores, mas aos poucos, podemos dizer que estarão em 100% dos eletrônicos no geral.

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E por esta razão, quem dominar o mercado de semicondutores terá, basicamente, a economia global em suas mãos, e é por isso que as duas maiores nações estão lutando, neste momento, para subjugar a outra e dominar este mercado. Então, podemos dizer sem medo que é uma guerra, a guerra dos chips!

EUA e China são adversários históricos, e não só na economia, mas em diversas áreas (Imagem: Pixabay)

Quando tudo começou?

Esta imensa guerra comercial se intensificou quando, em 2017, o presidente norte-americano Donald Trump aprovou uma tarifa para produtos chineses, com objetivo de aumentar a compra de produtos nacionais e aumentar vagas de emprego.

Desde o início de 2018, a China e os EUA acirraram a luta, que, na verdade, já existia, para desenvolver e produzir mais tecnologias que o outro.

No início de 2023, uma proposta do governo americano foi apresentada em março de 2023 de US$ 52,7 bilhões, cerca de R$ 260 bilhões, para a produção, pesquisa e desenvolvimento da força de trabalho de semicondutores nos EUA.

O regulamento, seria como “grades de proteção” ao limitar os destinatários do financiamento.

Nele estão proibidos de receber os recursos países considerados como ameaça aos EUA, caso de China e Rússia, por exemplo.

Brasil

Neste período, também, os EUA sinalizaram estarem interessados em investir na cadeia de semicondutores do Brasil, os valores sairiam desse pacote de US$ 52,7 bilhões.

Quais empresas fazem parte deste conflito?

Atualmente muitas empresas de peso fazem parte desta guerra, mas as principais são a Nvidia, ASML, e a
Huawei.

Fachada da empresa Nvidia
Gigante americana tem vendas à China restringida pelo governo

Nvidia

A Nvidia, por exemplo, é uma empresa norte-americana e precisou suspender a venda de alguns produtos para a China, agora ela é acompanhada de perto pelo governo, para que possa desenvolver novos chips semicondutores para o país asiático, a Casa Branca acompanha para que estes novos produtos não violem as regras.

Todas recebendo restrições do que e para onde fazem importações de seus respectivos governos, o que contribui e muito para que elas sejam usadas nesta guerra. Isso também é uma oportunidade para empresas como a Naura e a AMEC, que estão ganhando cada vez mais espaço na indústria de chips à medida que os fabricantes correm para substituir equipamentos fabricados no exterior por alternativas domésticas.

Mas, segundo reportagem do próprio Olhar Digital, organismos chineses têm conseguido burlar as restrições, até mesmo organismos militares chineses, institutos de investigação do governo chinês, que usam IA e até universidades adquiriram chips da Nvidia em 2023.

ASML

A holding ASML é uma multinacional holandesa, fornecedora de sistemas de litografia para a indústria de semicondutores. Ela fabrica máquinas para a produção de circuitos integrados, como memórias RAM.

Na Holanda, a empresa passou por restrições parecidas, também por pressão americana. As autoridades revogaram parcialmente uma licença de exportação dos sistemas de litografia para a China.

A chamada fotolitografia é um processo que usa a luz para imprimir em superfícies fotossensíveis, o que é fundamental na fabricação de chips.

No primeiro semestre do ano de 2023, metade das licitações de ferramentas usadas para fabricar chips semicondutores na China, forma vencidas por empresas chinesas. Essa foi a reação de Pequim à restrição aplicada anteriormente pelos EUA. A meta dos chineses é serem autossuficientes na produção de chips.

O que contribuiu para esse endurecimento da China foi a restrição do uso dos chips chineses nos produtos americanos, além da medida americana que impediu Pequim de importar insumos que seriam usados no desenvolvimento de semicondutores e supercomputadores avançados. Isso também se aplicou na tecnologia, componentes e softwares americanos que poderiam ajudar os chineses nessa fabricação.

Imagem: Fonti.pl/Shutterstock

Huawei

As sanções americanas contra a China prejudicaram comercialmente a Nvidia e acabaram atrapalhando a Huawei, porque a gigante asiática havia acelerado o investimento na linha de chips com IA. Com as sanções, a empresa chinesa, que apesar de ter evoluído com softwares próprios, ainda tem limitações em termos de modelos de IA, ao menos para concorrer no mesmo nível do ocidente. Porém, como ela tende a se fortalecer no mercado interno chinês, continuará com mercado garantido e os planos para continuar desenvolvendo chips de IA.

Para apimentar ainda mais esse disputa, o Japão acompanhou os Estados Unidos e também restringiu exportações de insumos e peças para a fabricação de chips na China. A informação foi confirmada pelo ministro da economia japonês Yasutoshi Nishimura.

A guerra de chips se assemelha a uma guerra convencional, pois a cada mudança de estratégia quem estava perdendo pode encontrar uma brecha, um mercado novo, ou formas de fomentar os seus próprios meios de continuar desenvolvendo e comercializando seus produtos. Em resumo, ainda veremos muitas quedas de braço em um mercado emergente como o dos chips de IA que estão em alta. E você confere tudo aqui no Olhar Digital.