Pesquisadores localizaram 13 ossos pertencentes ao Homo sapiens em uma caverna na Alemanha. A descoberta sugere que eles habitaram a região entre cerca de 44 mil e 47.500 anos atrás, o que significa que estes são os restos mortais mais antigos conhecidos dos humanos modernos na Europa Central.

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Relação com os neandertais

  • A descoberta surpreendeu os pesquisadores porque, segundo eles, o clima na região era bastante inóspito para a vida humana naquela época.
  • Quando o H. sapiens chegou à Europa se deparou com os neandertais, nosso parente extinto mais próximo e que estava bem adaptado ao frio.
  • Essa espécie ocupou a Europa de pelo menos 200 mil anos atrás até serem extintos há cerca de 40 mil anos.
  • Trabalhos anteriores descobriram que o H. sapiens chegou no sudoeste da Europa há 46 mil anos.
  • Mas ainda não se sabe ao certo como foi o contato deles com os neandertais durante esse período, chamado de transição do Paleolítico Médio para o Superior (47.000 a 42.000 anos atrás), e o quanto nossa espécie pode ter acelerado a morte dos neandertais.
  • As informações são da Live Science.
Caverna onde foram encontrados os ossos (Imagem: Marcel Weiss, Licença: CC-BY-ND 4.0.)

Homo sapiens já era capaz de se adaptar ao frio extremo

Para investigar esse misterioso período de transição, os pesquisadores de três novos estudos examinaram artefatos e o clima daquela época. Os arqueólogos já haviam descoberto uma série de diferentes “indústrias”, ou estilos de fabricação de ferramentas de pedra, que datam desse período.

Um desses trabalhos concluiu que a caverna era habitada por pequenos grupos de hominídeos. No entanto, muitos fragmentos de ossos eram muito pequenos para que os pesquisadores os identificassem. Em vez disso, eles analisaram proteínas e DNA para determinar a origem dos ossos. Foi assim que descobriram que eles datam de cerca de 44 mil a 47.500 anos atrás.

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A análise de dentes e ossos de animais da caverna sugeriu que, quando os humanos viviam lá, o clima era muito frio, com paisagens de estepe ou tundra semelhantes às encontradas na Sibéria ou no norte da Escandinávia hoje.

Isso mostra que mesmo esses grupos anteriores de Homo sapiens que se dispersaram pela Eurásia já tinham alguma capacidade de se adaptar a condições climáticas tão severas. Até recentemente, pensava-se que a resiliência às condições de clima frio não aparecia até vários milhares de anos depois, então este é um resultado fascinante e surpreendente. Talvez estepes frias com rebanhos maiores de animais presas fossem ambientes mais atraentes para esses grupos humanos do que se imaginava anteriormente.

Sarah Pederzani, arqueóloga da Universidade de La Laguna, na Espanha, e líder do estudo

As descobertas também revelam que o H. sapiens chegou ao noroeste da Europa vários milhares de anos antes dos neandertais desaparecerem no sudoeste da Europa. Mais uma pista de que os dois grupos podem ter interagido.

Essas descobertas sugerem que, em vez de o H. sapiens substituir os neandertais na Europa em uma rápida onda de leste a oeste, como se pensava anteriormente, vemos que o Homo sapiens colonizou a parte norte da Europa primeiro e viveu lá por vários milênios na periferia do mundo neandertal. Eu diria que o Homo sapiens provavelmente viveu nesses ambientes bastante hostis porque eles tinham capacidade técnica para se adaptar lá. Não vemos uma onda de Homo sapiens se movendo para a Europa e substituindo os neandertais, mas pulsos sucessivos de pequenos grupos se movendo para novos territórios e, depois de vários milênios, finalmente substituindo completamente os neandertais.

Jean-Jacques Hublin, paleoantropólogo do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva e coautor do estudo