O Conselho de Supervisão da Meta foi acionado para analisar um vídeo publicado no Facebook e que sugere que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, é um pedófilo. A conclusão foi que a postagem não viola as regras atuais da empresa. No entanto, a entidade considerou a política “incoerente” e com foco muito restrito em conteúdo gerado por inteligência artificial.

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Política de “mídia manipulada” da Meta

  • O conselho, que é financiado pela Meta, mas administrado de forma independente, assumiu o caso em outubro do ano passado após denúncia de um usuário sobre um vídeo alterado de sete segundos do presidente publicado no Facebook.
  • A decisão foi proferida nesta segunda-feira (5) e é a primeira a criticar a política de “mídia manipulada” da Meta, que proíbe certos tipos de vídeos editados de forma enganosa.
  • A discussão aumenta os debates sobre o uso potencial da IA para influenciar as eleições presidenciais deste ano nos EUA.
  • As informações são da CNN.
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(Imagem: rafapress/Shutterstock)

Conselho pede mudanças nas regras

Segundo o Conselho de Supervisão da Meta, a política da empresa “carece de justificativa persuasiva, é incoerente e confusa para os usuários, e não especifica claramente os danos que pretende evitar”. O órgão sugeriu que a Meta atualize a regra para abranger conteúdo de áudio e vídeo, independentemente do uso de IA, e aplique rótulos identificando-o como manipulado.

A decisão não chegou a pedir que a política se aplique a fotografias, alertando que isso pode tornar a política muito difícil de ser executada.

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A Meta, que também é proprietária do Instagram e do WhatsApp, informou ao conselho, durante a revisão, que estava planejando atualizar a política “para responder à evolução de uma IA nova e cada vez mais realista”, de acordo com a decisão.

O vídeo no Facebook manipula imagens reais de Biden trocando adesivos escritos “Eu votei” com sua neta durante as eleições de meio de mandato de 2022 nos EUA e beijando-a na bochecha. Versões do mesmo vídeo alterado começaram a se tornar virais em janeiro de 2023, disse o conselho.

Em sua decisão, o Conselho de Supervisão disse que a Meta estava certa em deixar o vídeo no ar de acordo com sua política atual, que proíbe vídeos alterados de forma enganosa somente se forem produzidos por IA ou se fizerem com que as pessoas pareçam dizer palavras que nunca disseram de fato.

O conselho disse que o conteúdo não alterado por IA “é predominante e não necessariamente menos enganoso” do que o conteúdo gerado por ferramentas de inteligência artificial.