Mas o estrago ainda é grande! Não, esse texto não vai afirmar que fake news não existem. Elas existem e são extremamente prejudiciais à democracia. Tanto que os governos e a Justiça seguem trabalhando, no mundo todo, em encontrar maneiras de diminuir a proliferação das notícias falsas – não só na política, mas em outras áreas também.

Agora, essas fake news na política especificamente são mais raras do que imaginávamos. É isso que aponta um estudo feito pela Quaest – Pesquisa e Consultoria.

Mas por que ouvimos falar tanto nelas, então? – você pode se perguntar aí do outro lado.

Porque, mesmo em pequena quantidade, elas possuem um enorme potencial destrutivo. Além disso, por serem mais atrativas, bombásticas, as fake news são muito mais espalhadas do que as informações verdadeiras.

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O diretor da Quaest e professor da Universidade Federal de Minas Gerais, Felipe Nunes, divulgou detalhes desse estudo nas redes sociais.

Os números dessa pesquisa

  • Os pesquisadores analisaram mais de 4 milhões de postagens feitas por políticos brasileiros, entre janeiro de 2018 e dezembro de 2020.
  • Os dados mostram que eles são muito ativos nas redes, publicando, em média, 6 vezes por dia.
  • No entanto, apenas 0,01 em cada 100 postagens contêm informações falsas (0,01%).
  • O problema é que, mesmo sendo raras, postagens contendo desinformação atraem quase 6 vezes mais engajamento de usuários que postagens sem desinformação.
  • Outro dado: as fake news são 7 vezes mais vistas que postagens contendo informação verdadeira.
  • O estudo também revelou que políticos extremistas são mais propensos a compartilhar desinformação.
  • Os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro lideram nesse quesito: pertencer à coalizão dele entre 2018 e 2020 aumentava em 21% as chances de se encontrar desinformação em uma postagem.
  • Você pode conferir o estudo na íntegra aqui.

TSE contra as fake news

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, se tornou um dos principais nomes no combate às fakes.

Fez isso nas eleições presidenciais de 2022 e agora voltou à carga em 2024.

O magistrado usou a primeira sessão do ano, no dia primeiro de fevereiro, para anunciar a criação de um grupo de trabalho para analisar medidas de combate à desinformação.

O anúncio foi feito ao lado do novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. A ideia, é contar com o apoio da Polícia Federal.

Em seu discurso, Moraes lembrou que neste ano o país terá eleições municipais e voltou a defender uma regulamentação das redes sociais.

O ministro fez ainda uma cobrança direta ao Congresso, mas afirmou que, independentemente dos parlamentares, o TSE vai adotar medidas nesse sentido, como fez no pleito de 2022, por meio de resoluções que devem ser editadas pela Corte.

Lembrando que, em janeiro, a ministra Cármen Lúcia, que vai comandar o TSE nas eleições deste ano, realizou uma série de audiências para discutir o tema.

À época, o tribunal propôs até regras para o uso da Inteligência Artificial nas propagandas eleitorais.