Túmulos descobertos no final do ano passado na China podem conter restos mortais de uma elite estrangeira que o governou a região há cerca de 800 anos. No total, foram localizadas três estruturas relativamente bem preservadas e que incluem murais pintados, decorações e inscrições.

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Restos mortais podem ser das elites da dinastia Grande Jin, que governou a região há cerca de 800 anos (Imagem: Instituto Shanxi de Relíquias Culturais e Arqueologia)

Túmulos retratam diferenças culturais da época

Os túmulos foram localizados na cidade de Changzhi, na província de Shanxi, e são da dinastia “Grande Jin”, que governou o norte da China entre 1115 e 1234. Segundo os historiadores, no entanto, os governantes não faziam parte da etnia Han, dominante no território chinês. Na verdade, eles eram um povo seminômade do nordeste da China.

Dois dos túmulos são adornados com arcos, portas, janelas, estatuetas e padrões florais, bem como inscrições com informações detalhadas sobre pessoas, eventos, história e geografia na época em que foram feitos.

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A terceira estrutura, no entanto, é pintada em um estilo muito diferente. Suas paredes imitam estruturas de madeira, mas a flora, a fauna e as cores pintadas são marcadamente diferentes das outras duas, deixando aos arqueólogos espaço para novas interpretações, dizem os pesquisadores responsáveis pela descoberta.

As diferenças nos estilos dos túmulos podem ser um sinal de que diferentes culturas coexistiram durante a dinastia “Grande Jin”. Em função dessas diferenças, eles governaram com dois sistemas administrativos distintos, um para seus súditos chineses e outro para os Jins.

Túmulos incluem murais pintados, decorações e inscrições (Imagem: Instituto Shanxi de Relíquias Culturais e Arqueologia)

Origem da dinastia

  • A dinastia “Grande Jin” subiu ao poder em meio a rebeliões contra a dinastia Liao no século XII.
  • Cerca de 100 anos depois, eles foram derrotados por invasores mongóis. 
  • Os Jins também foram os ancestrais dos manchus, um povo posterior que conquistou a China e a Mongólia no século XVII e governou até o século XIX.
  • Apesar de serem originalmente estrangeiros, o governo da China hoje trata a descoberta como parte do passado chinês da região.
  • Isso fica comprovado em reportagens sobre o achado da mídia chinesa que afirmam que os túmulos refletem a cultura tradicional do país, a ética social, as características arquitetônicas antigas, a arquitetura dos túmulos e os costumes funerários”.
  • Esse ponto de vista ajuda a reforçar a ideia, defendida pelo atual governo, de que a história da China sempre foi “chinesa”, embora alguns descobertas indiquem o contrário.
  • As informações são do Live Science.