Você com certeza já se deparou com avisos em embalagens de cigarros que fazem um alerta sobre como o uso do produto pode causar sérios danos para a saúde. Agora, um médico dos EUA, quer que esses mesmos tipos de avisos apareçam ao acessar redes sociais, já que segundo ele, essas plataformas prejudicam a saúde mental.

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O médico é o cirurgião-geral dos EUA, Dr. Vivek Murthy, que pede ao Congresso de seu país para adotar a medida, com avisos alertando regularmente os pais e usuários adolescentes sobre os possíveis danos à saúde mental que o uso contínuo das redes sociais pode causar.

Murthy acredita que os avisos teriam como objetivo aumentar a sensibilização e encorajar os utilizadores das redes sociais a mudarem o seu comportamento.

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“A crise de saúde mental entre os jovens é uma emergência — e as redes sociais emergiram como um contribuidor importante”, disse Murthy em um artigo publicado pelo The New York Times.

O cirurgião-geral citou estudos que revelaram que quase metade dos adolescentes afirma que as redes sociais lhes causam problemas de imagem corporal e que aqueles que passam mais de três horas por dia nelas têm duas vezes mais probabilidade de enfrentar sintomas de ansiedade e depressão.

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Vício nas redes sociais pode ser comparado ao vício em cigarro – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock

Debate sobre saúde mental e redes sociais é acalorado nos EUA

  • Vários estudos e relatórios sugerem a probabilidade de que problemas de saúde mental e uso de redes sociais tem relação — e que empresas como a Meta estão cientes dos perigos relatados há muito tempo.
  • Contudo, também há especialistas (e CEOs de tecnologia) que acreditam que a ligação entre o uso de mídias sociais e sintomas depressivos em adolescentes carece de evidências e “pode ser exagerado.”
  • Para Murthy, a questão não é aberta para debate. Ele emitiu um comunicado em maio de 2023 que, embora reconhecesse que o assunto não era totalmente compreendido, alertava que as redes sociais representam um “profundo risco de danos à saúde mental e ao bem-estar de crianças e adolescentes”.

“Uma das lições mais importantes que aprendi na faculdade de medicina foi que, em caso de emergência, não se pode dar ao luxo de esperar por informações perfeitas”, disse ele no artigo do New York Times. “Você avalia os fatos disponíveis, usa seu bom senso e age rapidamente.”

Junto aos avisos, Murthy deseja a uma legislação que proteja os jovens do assédio, abuso, exploração e exposição online à violência extrema e ao conteúdo sexual nos algoritmos das redes sociais.

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Outras recomendações feitas pelo médico são proibir as plataformas de coletar dados de crianças e restringir recursos como notificações push, reprodução automática e rolagem infinita, que ele diz que “aproveitam o desenvolvimento do cérebro e contribuem para o uso excessivo”.

Proteger saúde mental de crianças e adolescentes seria o foco de medida proposta pelo médico (Foto: Bear Fotos/Shutterstock)