A forma como lidamos com dinheiro mudou definitivamente, e o futuro aponta para um sistema cada vez mais instantâneo e digital. Tecnologias como o Pix, que já se tornou parte integrante da vida de qualquer brasileiro, estão na vanguarda dessa transformação. Outras inovações, como o Drex e o Super App, prometem ganhar espaço e revolucionar ainda mais o cenário financeiro.

Esse trio de inovações é um dos principais temas do Febraban Tech, o maior evento de tecnologia do setor financeiro, que começou nesta terça-feira (25) e segue até a quinta-feira (27), no Transamerica Expo Center, em São Paulo. Quais inovações eles trarão? Qual a previsão de implementação? São seguros? Para responder a essas e outras perguntas, o Olhar Digital conversou com especialistas presentes no evento.

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Pix: mais prático e seguro

O Pix está passando por diversas mudanças e agregando funcionalidades. As novidades visam trazer mais facilidade para os usuários e garantir maior segurança nas transações. Entre as muitas inovações, estão os pagamentos por aproximação e o novo sistema de reembolso.

A primeira foi anunciada recentemente pelo Banco Central do Brasil, que viabilizará a funcionalidade com o Google Pay e Apple Pay. Murilo Rabusky, diretor de Negócios da Lina Open X, explica que a tecnologia é semelhante à do cartão de crédito. Ou seja, será possível adicionar a chave Pix em aplicativos de pagamento e fazer as transações apenas aproximando o celular. “A expectativa é que essa experiência, que já é muito fácil e valiosa para os usuários, traga ainda mais usabilidade para o Pix”, afirmou Rabusky.

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PIX
O Pix receberá novas funcionalidades nos próximos anos – Imagem: Marciobnws/Shutterstock

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A outra mudança visa evitar que vítimas de golpes sejam lesadas. No novo mecanismo de reembolso do Pix, o usuário pode alertar a instituição financeira sobre uma possível fraude. Em 30 minutos, os recursos da conta são bloqueados e a solicitação entra em análise. Dentro do prazo de sete dias, se comprovada que a operação é fraudulenta, o valor é devolvido para a conta original.

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O mecanismo está em processo de construção e pode passar por mudanças, mas não deve demorar muito para ser lançado. Até 2025, a funcionalidade será liberada para os usuários. “Toda facilidade que vem para o mercado traz a necessidade de mais segurança. É algo que vai ter que ser construído agregando o que já existe. Evolução antifraude, ferramentas de constatação e reembolso são necessárias”, explica Marcelo Schucman, fundador da Swap.

Drex: o que mudará no dia a dia?

O Drex, nova moeda digital brasileira desenvolvida pelo Banco Central do Brasil, nada mais é que uma representação do dinheiro físico. Segundo Luiz Lopes, Gerente de Produtos Digitais na TecBan, ela traz mais segurança e transparência para o sistema financeiro.

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Existe o que chamamos de risco de contraparte. Por exemplo, na compra e venda de um veículo, onde se tem a questão da falta de confiança. O que eu faço primeiro? Efetuo o pagamento ou transfiro a propriedade do ativo [carro]. Essa tecnologia resolve o problema.

Luiz Lopes, Gerente de Produtos Digitais na TecBan
Drex
Drex facilitará a compra e venda de veículos – (Imagem: Sidney de Almeida/Shutterstock)

A digitalização da moeda permitirá que a transação entre troca de contrato e pagamento ocorra de forma simultânea, minimizando o risco de problemas em um dos lados.

Apesar dos últimos atrasos envolvendo a entrega do Drex, a previsão é que a moeda esteja disponível até o final de 2026. Inclusive, ela já está sendo testada em ambientes simulados.

Super App vai substituir os aplicativos de bancos?

O Super App é um projeto do Banco Central do Brasil que visa reunir todas as informações financeiras dos usuários em um só aplicativo. Mas será que isso significa que os aplicativos dos outros bancos deixarão de ser necessários? Murilo Rabusky esclarece essa questão.

Não é necessariamente um aplicativo do Banco Central que vai substituir os aplicativos dos bancos que utilizamos. Essa não é a intenção. Quando se fala em Super App, é a possibilidade de, com o Open Finance, onde as integrações de diferentes bancos são facilitadas por um ecossistema, possibilitar automaticamente a criação de novos aplicativos integrados.

Murilo Rabusky, Diretor de Negócios da Lina Open X

Murilo ressalta que os Super Apps trarão novas fintechs e aplicativos que atenderão melhor às necessidades dos usuários, sem substituir os aplicativos bancários existentes. A previsão é que comecem a surgir no próximo ano, aproveitando a infraestrutura já estabelecida pelo Open Finance.

O Brasil tem se destacado no mercado financeiro e já é reconhecido como referência. Essas tecnologias certamente trarão benefícios no futuro, desde que o país continue nesse caminho.