Árvores podem parar a respiração de propósito durante incêndios

A conclusão faz parte de um estudo que analisou a reação de árvores expostas à fumaça de um incêndio florestal nos Estados Unidos
Alessandro Di Lorenzo
Alessandro Di Lorenzo, editado por Bruno Capozzi 06/08/2024 09:33, atualizada em 04/01/2025 16:40

Os incêndios florestais são devastadores para a vegetação, trazendo sérios prejuízos para biodiversidade e até para a saúde humana. Mas as próprias árvores têm um mecanismo para reduzir os danos provocados pelas chamas e pela fumaça. Segundo pesquisadores da Universidade do Estado do Colorado, nos Estados Unidos, elas são capazes de “prender” a respiração.

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Estratégia de defesa das árvores impede que o carbono seja ‘inalado‘

  • Durante estudo, a equipe analisou pinheiros expostos à fumaça em uma floresta de coníferas no Colorado, em 2020.
  • Os cientistas explicam que os gases liberados pelas chamas interagem com os estômatos e as superfícies das folhas, suprimindo a fotossíntese, ou seja, a respiração de uma planta.
  • Segundo eles, quanto maior o incêndio, maiores são os prejuízos, mas mais evidentes são também as reações de defesa das árvores.
  • Durante o incêndio florestal no Colorado, por exemplo, os pesquisadores observaram que o nível de fotossíntese caiu para quase zero e os estômatos das árvores estavam praticamente fechados, como se a planta não respirasse mais.
  • Essa estratégia impedia que o carbono fosse ‘inalado’.
Copas de árvores de floresta vistas de baixo para cima
Árvores têm sistema de proteção contra os incêndios (Imagem: Eling Sasmita/Shutterstock)

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Importância da descoberta

Os pesquisadores não sabem exatamente como as árvores conseguem fechar os estômatos e “parar de respirar” durante incêndios florestais. Uma das hipóteses é que as próprias partículas de fumaça poderiam obstruir a troca de gases.

Outra possibilidade é que a estratégia de defesa seja um sinal físico em resposta à ameaça. Apesar de serem factíveis, maiores estudos ainda são necessários para compreender as consequências das queimadas, incluindo a necessidade de testes com outras espécies de árvores.

Incêndio florestal (Imagem: Christian Roberts-Olsen/Shutterstock)

Os cientistas alertam que as mudanças climáticas estão deixando incêndios florestais de grandes proporções cada vez mais comuns. Por isso, as descobertas são consideradas muito importantes para desenvolver novas estratégias de conservação das florestas mundiais. O estudo foi publicado na revista Geophysical Research Letters.

Alessandro Di Lorenzo
Alessandro Di Lorenzo

Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Bruno Capozzi
Bruno Capozzi

Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.

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