WhatsApp: Justiça de SP derruba liminar e mensageiro pode voltar a compartilhar dados

Liminar tinha sido concedida após ação do MPF e pedia criação de recurso para que as pessoas decidissem se iam ou não compartilhar dados
Martelo de juiz apoiado com logo do WhatsApp no fundo
Mensageiro foi processado pelo MPF em julho (Imagem: Sergei Elagin/Shutterstock)

Nesta segunda-feira (2), o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) de São Paulo suspendeu liminar que proibia o WhatsApp de compartilhar os dados de seus mais de 150 milhões de usuários brasileiros com as demais empresas da Meta para publicidade.

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A liminar tinha sido concedida após ação do Ministério Público Federal (MPF) e pedia a criação de recurso, no mensageiro, para que as pessoas decidissem se iam ou não compartilhar seus dados.

A alegação do MPF era de que a política de privacidade do WhatsApp, implantada em 2021, violava os direitos dos usuários e outras normas de proteção de dados, indicando que a política do mensageiro não avisava e nem dava direito aos usuários de impedir o compartilhamento de seus dados.

página do whatsapp na play store
Mensageiro pode voltar a compartilhar dados de usuários com outras empresas Meta (Imagem: Hendra Susanto0311/Shutterstock)

Argumentos do TRF-3 para liberar o compartilhamento de dados do WhatsApp

  • O TRF-3 indicou que trata-se de questão complexa, não devendo ser decidida antecipadamente antes de análise técnica e debates aprofundados;
  • Ainda, salientou que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) não se manifestou a respeito;
  • Por fim, disse que a decisão inicial poderia provocar danos irreparáveis à Meta e ao WhatsApp.

Leia trecho da decisão a seguir:

“A matéria em exame é densa e de alta complexidade, sem ter havido inclusive a manifestação da ANPD, agência reguladora, sobre a matéria objeto desta ação, havendo esta notícia nos autos de que, em época oportuna, já há mais de 3 (três) anos, diversos Órgãos Reguladores debateram e orientaram quanto ao Termo de Privacidade do compartilhamento de dados.

Nada nos autos justifica, pois, que a questão, complexa como é por sua natureza, seja decidida em sede de tutela antecipatória, sem estudos técnicos e debates amplos sobre os diversos aspectos que possam envolver a solução da controvérsia, o que deve ser reservado para a sentença definitiva, após a devida instrução processual e, até mesmo, tentativa de solução consensual entre as partes.“

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Ícone do WhatsApp em smartphone
WhatsApp celebrou decisão da Justiça de SP (Imagem: Primakov/Shutterstock)

O que diz o WhatsApp

Um porta-voz do WhatsApp enviou nota ao Olhar Digital celebrando a decisão do Tribunal, alegando que a decisão anterior se baseou em “alegações errôneas e infundadas” e que “estamos ansiosos para continuar apoiando pessoas e empresas em todo o Brasil que optam por enviar mensagens no WhatsApp diariamente”. A seguir, leia a nota completa:

“Recebemos com satisfação a decisão do tribunal de suspender esta liminar, que foi baseada em alegações errôneas e infundadas sobre a atualização da nossa política de privacidade em 2021. A atualização foi cuidadosamente avaliada e considerada lícita pelas autoridades brasileiras competentes em maio de 2022, e continuaremos a fornecer mais informações no processo judicial. Estamos ansiosos para continuar apoiando pessoas e empresas em todo o Brasil que optam por enviar mensagens no WhatsApp diariamente.“

Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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