Planetas com atmosferas destruídas por estrelas violentas podem abrigar vida

Estudo diz que planetas ao redor das violentas estrelas anãs M podem conseguir manter uma atmosfera e aumentar as chances de sustentar a vida
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Representação artística de uma estrela destruindo a atmosfera dos planetas ao redor. Crédito: BusinessImage - Shutterstock

Embora sejam mais frias e menores que o Sol, as estrelas anãs M – as mais comuns do Universo – podem ser extremamente violentas, com intensa atividade e forte emissão de radiação ultravioleta. Muitos mundos rochosos orbitam estrelas desse tipo, no entanto, esse comportamento energético gera dúvidas sobre as condições de habitabilidade desses planetas.

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Um estudo publicado na revista Nature Communications propõe que planetas ao redor de anãs M podem manter uma atmosfera, desde que sigam uma evolução específica. A equipe de pesquisadores modelou o desenvolvimento desses mundos, da fase inicial derretida até a formação de uma crosta sólida e de uma atmosfera. 

A capacidade de manter uma atmosfera é considerada crucial para a vida se formar em planetas rochosos. Crédito: ESO/M. Kornmesser

Segundo as simulações, a primeira camada atmosférica provavelmente é destruída pela estrela, mas uma segunda pode se formar e ser estável. “O grande questionamento agora na astronomia de exoplanetas é se planetas rochosos ao redor de anãs M podem manter atmosferas que sustentariam a vida”, explica o professor do Laboratório Planetário Virtual NExSS, da NASA, na Universidade de Washington, Joshua Krissansen-Totton, autor principal do estudo. “Nossos resultados sugerem que alguns desses planetas têm potencial para manter atmosferas, o que eleva a chance de vida nesses sistemas comuns”.

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Água e gases pesados permitiriam a vida nesses planetas

A ideia é que, ao estarem na zona habitável e a uma distância segura da estrela, esses planetas poderiam desenvolver água em suas atmosferas de maneira rápida. No início, o planeta jovem e incandescente seria envolto por hidrogênio, que acabaria dissipado pela radiação estelar; no entanto, em condições moderadas, o hidrogênio se combinaria com oxigênio, formando água.

Essa nova camada atmosférica, formada por água e outros gases pesados, teria estabilidade ao longo do tempo, segundo a pesquisa. Mundos mais frios, onde a chuva se forma mais rapidamente, apresentariam uma atmosfera particularmente estável. O sistema TRAPPIST-1, com sete planetas rochosos em torno de uma anã M, é exemplo dessa dinâmica. 

Conceito artístico do sistema estelar TRAPPIST-1. Crédito: Angel Soler Gollonet – Shutterstock

Observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST) desse sistema indicam que os planetas mais próximos da estrela dificilmente mantêm uma atmosfera. “Para mim, o resultado sugere que os planetas mais afastados, onde há temperaturas mais amenas, têm maior potencial de manter atmosferas e devem ser estudados com atenção, dado seu potencial de habitabilidade”, conclui Krissansen-Totton.

Flavia Correia
Flavia Correia

Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.

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