Corrida das IAs pode criar uma crise do lixo eletrônico

Estudo revela que a corrida por chips de IA e data centers pode resultar em um aumento alarmante de resíduos
Leandro Costa Criscuolo
Leandro Costa Criscuolo, editado por Bruno Capozzi 30/10/2024 06:54, atualizada em 30/10/2024 21:13

A corrida por inteligência artificial no Vale do Silício pode resultar em um aumento alarmante de lixo eletrônico, segundo um estudo divulgado na última segunda-feira (28) e divulgado pelo Washington Post.

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As grandes empresas de tecnologia estão investindo pesadamente na construção e atualização de data centers e na aquisição de chips avançados para suportar projetos de IA generativa. Se essa tendência continuar, estima-se que os equipamentos obsoletos gerem um montante de lixo equivalente a descartar 13 bilhões de iPhones anualmente até 2030.

A pesquisa da Academia Chinesa de Ciências e da Universidade Reichman, em Israel, prevê que o crescimento da IA poderá aumentar globalmente a geração de lixo eletrônico entre 3% e 12%, resultando em até 2,5 milhões de toneladas adicionais por ano.

Os cálculos consideraram a vida útil de servidores baseados em chips Nvidia H100, projetando uma substituição a cada três anos.

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Custos ambientais da inteligência artificial estão em pauta – Imagem: DAMRONG RATTANAPONG/Shutterstock

Lixo pode expor saúde de trabalhadores

  • O estudo destaca a necessidade de reconhecer os custos ambientais do hardware de IA, além do consumo de energia.
  • A quantidade de lixo eletrônico já é um problema crescente, com a maioria não sendo reciclada e, muitas vezes, enviada para países em desenvolvimento, onde o descarte inadequado expõe trabalhadores a substâncias tóxicas.
  • O aumento na demanda por data centers tem pressionado as redes elétricas dos EUA, levando a um aumento das emissões de carbono por empresas como Google e Microsoft.

As críticas à crescente pegada ambiental da tecnologia são frequentes, mas até agora, poucos estudos abordaram o problema do lixo eletrônico gerado pela explosão da IA.

Sasha Luccioni, uma pesquisadora de IA, enfatiza a necessidade de considerar o ciclo completo de impacto ambiental, observando que a mentalidade de “maior é melhor” impulsiona a substituição de equipamentos ainda funcionais.

Enquanto investidores questionam a rentabilidade da IA, as grandes empresas de tecnologia continuam a investir fortemente na expansão de suas infraestruturas.

Lixo eletrônico tende a aumentar enquanto a tecnologia de IA avança – Imagem: gabriel12 – Shutterstock
Leandro Costa Criscuolo
Leandro Costa Criscuolo

Leandro Criscuolo é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Já atuou como copywriter, analista de marketing digital e gestor de redes sociais. Atualmente, escreve para o Olhar Digital.

Bruno Capozzi
Bruno Capozzi

Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.

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