Plástico na praia: cientistas criam satélite para monitorar lixo do Espaço

Tecnologia usa fórmula matemática para identificar detritos plásticos na costa australiana pela primeira vez
Bruna Barone
Bruna Barone, editado por Rodrigo Mozelli 05/11/2024 23:12, atualizada em 04/12/2024 13:52
Areia de uma praia cheia de sujeira
Tecnologia promete revolucionar rastreamento de poluição (Imagem: Divulgação/RMIT)

Cientistas do Royal Melbourne Institute of Technology (RMIT) (Austrália) desenvolveram satélite que pode detectar plástico na costa a mais de 600 quilômetros de altura. A ferramenta usa o reflexo da luz para diferenciar água, areia e lixo.

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O método com satélites já é aplicado para monitorar a Grande Mancha de Lixo do Pacífico, que é três vezes o tamanho da França, mas ainda não tinha sido testado para identificar áreas com descarte irregular em praias.

Projeções indicam que o oceano poderá ter até 60 milhões de toneladas de plástico até 2030. Atualmente, são enviadas dez milhões de toneladas desse tipo de lixo para o mar todos os anos.

Ponto luminoso indica plástico na praia (Imagem: Divulgação/RMIT)

“Praias de ilhas remotas têm algumas das maiores densidades registradas de plásticos no mundo e, também, estamos vendo volumes crescentes de plásticos e equipamentos de pesca abandonados nas costas remotas do norte da Austrália”, disse a principal autora do estudo, Dra. Jenna Guffogg.

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Como funciona o satélite?

A equipe criou o Índice de Resíduos Plásticos Encalhados (BPDI) com base em fórmula matemática que classifica padrões de luz refletida coletados por satélites. O dispositivo foi adaptado para mapear detritos plásticos em ambientes de praia a partir do satélite WorldView-3, que orbita a Terra em linha com o Sol a altitude de 617 km.

Dra. Jenna Guffogg liderou o estudo (Imagem: Divulgação/RMIT)

Um teste foi realizado em uma praia no sul de Gippsland, Vitória (Austrália), onde foram colocados 14 alvos de plástico de cerca de 2 m². Os itens tinham composições diferentes e tamanho menor que o píxel do satélite, de 3 m².

“As imagens de satélite que usam o novo índice foram comparadas com três índices existentes, dois dos quais foram projetados para detectar plásticos em terra e um para detectar plásticos em ambientes aquáticos. O BPDI superou todos os três, com os outros tendo dificuldade para diferenciar píxeis contaminados com plástico na praia ou tendendo a classificar erroneamente sombra e água como plástico”, diz o estudo.

“A detecção é uma etapa fundamental necessária para entender onde os resíduos plásticos estão se acumulando e planejar operações de limpeza, o que está alinhado com vários Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, como a Proteção dos Mares e Oceanos”, afirmou a coautora do estudo, Dra. Mariela Soto-Berelov.

Bruna Barone
Bruna Barone

Bruna Barone é formada em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Atuou como editora, repórter e apresentadora na Rádio BandNews FM por 10 anos. Atualmente, é colaboradora no Olhar Digital.

Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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