Inteligência Artificial pode reduzir o cérebro humano

Além da diminuição do cérebro, a interação com a Inteligência Artificial pode impactar a evolução humana de diversas outras formas
mostra que essa tecnologia pode influenciar no tamanho do cérebro humano no futuro.
(Crédito: Flavia Correia via DALL-E/Olhar Digital)

Com o avanço e o refinamento da Inteligência Artificial (IA), amplia-se o debate sobre como essa tecnologia cada vez mais presente no nosso cotidiano pode influenciar a evolução humana. 

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Em um artigo a ser publicado na edição de dezembro do periódico científico The Quarterly Review of Biology, o biólogo evolucionista Rob Brooks, da Universidade de Chicago (EUA), analisa possíveis implicações evolutivas das interações entre humanos e IA.

Biólogo evolucionista dos EUA diz que a IA vai diminuir o cérebro humano com o passar do tempo. Crédito: Adisak Riwkratok – Shutterstock

O que você vai ler aqui:

  • Um novo estudo explora como a interação entre humanos e IA pode impactar a evolução humana;
  • Essas conexões são comparadas a relações vistas na natureza, como predadores e presas ou hospedeiros e parasitas, afetando comportamento e fisiologia;
  • A pesquisa diz que a IA pode acelerar tendências evolutivas, como a redução do tamanho do cérebro e mudanças nos traços de personalidade.

Inteligência Artificial: predador ou parasita do ser humano?

O pesquisador sugere que essas interações podem ser entendidas a partir de relações bióticas observadas na natureza, como as que ocorrem entre predadores e presas ou hospedeiros e parasitas. 

Esse paralelo ajuda a explorar como tecnologias inteligentes podem influenciar padrões comportamentais e fisiológicos das pessoas.

No artigo, Brooks aborda também a forma como a Inteligência Artificial impacta áreas fundamentais da vida humana, como relacionamentos pessoais, amizades virtuais e sistemas de justiça criminal. Ferramentas como aplicativos de namoro, por exemplo, podem alterar as dinâmicas de escolha de parceiros, afetando padrões de comportamento e reprodução.

Uso de aplicativos de namoro, recursos dotados de IA, podem mudar as dinâmicas de escolha de parceiros, impactando comportamentos e padrões de reprodução. Crédito: Tero Vesalainen – Shutterstock

Leia mais:

Cérebro diminui e cresce a dependência tecnológica 

Segundo a pesquisa, a interação humano-IA pode acelerar tendências evolutivas já existentes, como a redução no tamanho do cérebro, mudanças em traços de personalidade e maior propensão a transtornos de humor. Esses efeitos estariam ligados ao aumento da dependência tecnológica e à forma como a atenção e as relações sociais são moldadas por algoritmos.

O estudo também explora a possibilidade de que a IA afete a construção da intimidade e a competição por parceiros, elementos que, historicamente, desempenharam papéis cruciais na evolução do comportamento social humano.

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Embora as mudanças possam parecer sutis, Brooks argumenta que seus efeitos cumulativos podem impactar frequências gênicas e padrões de herança ao longo do tempo.

O autor destaca que os efeitos imediatos dessas interações na vida e no bem-estar são mais evidentes do que suas consequências evolutivas. Ele enfatiza ainda a dificuldade de prever a direção da evolução humana em um mundo em rápida transformação tecnológica.

“A evolução é imprevisível até em condições controladas, muito mais em um cenário moldado pela IA”, conclui Brooks, reforçando a complexidade de antecipar os desdobramentos dessa nova era.

Flavia Correia
Flavia Correia

Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.

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