O local onde você mora pode aumentar as chances de Alzheimer, diz estudo

De acordo com pesquisadores, o acesso desigual à educação, emprego, renda e moradia aumenta o risco do desenvolvimento de doenças cognitivas
alzheimer
Imagem: Roman Bodnarchuk/Shuttersotck

Você já ouviu falar de determinismo geográfico? Está é uma teoria que defende que o ambiente físico determina o desenvolvimento humano. Muito famosa no séculos XIX e no início do século XX, ela acabou perdendo muito espaço por ser considerada simplista demais.

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Mas agora, um novo estudo mostra que talvez ela não seja tão equivocada assim (pelo menos quando o assunto é saúde). Pesquisadores afirmaram que morar em um bairro de baixa renda pode afetar o desempenho cognitivo, aumentando as chances de desenvolver Alzheimer.

Moradias têm relação com doenças cognitivas

  • No trabalho, a equipe da Wake Forest University, dos Estados Unidos, defende que o acesso desigual à educação, emprego, renda e moradia aumenta o risco de doença de Alzheimer e outras demências relacionadas.
  • Para avaliar o nível da falta de recursos sociais e econômicos na vizinhança, os pesquisadores usaram um índice que mede a qualidade da moradia, educação e renda.
  • No entanto, os próprios cientistas reconhecem que mais pesquisas são necessárias para entender melhor o impacto destes determinantes sociais para a saúde.
  • As conclusões foram descritas em estudo publicado na revista Alzheimer’s & Dementia: Diagnosis, Assessment & Disease Monitoring.
O bairro onde você mora pode influenciar na saúde do seu cérebro (Imagem: MDV Edwards/Shutterstock)

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Populações de bairros mais pobres apresentam desempenho cognitivo menor

Durante o experimento, a equipe comparou indivíduos diagnosticados com as doenças com pessoas sem estas condições. O objetivo era entender como o estado cognitivo atual de uma pessoa afeta a relação entre seu ambiente e sua saúde. 

No total, 537 pacientes participaram do estudo. Os cientistas encontraram uma relação entre bairros menos favorecidos e pressão arterial e índice cardiometabólico mais altos, bem como pontuações cognitivas mais baixas.

Estudo relacionou falta de acesso à moradia digna com doenças como o Alzheimer (Imagem: Shutterstock/LightField Studios)

Os pesquisadores explicaram que esses bairros estão relacionados a níveis mais altos de hemoglobina A1C, que mede o nível de açúcar no sangue, em pessoas com comprometimento cognitivo leve diagnosticado.

Segundo o estudo, as “descobertas mostram que viver em um bairro de baixa renda tem um impacto maior na saúde cardíaca e na função cerebral em pessoas sem problemas cognitivos preexistentes. A conclusão é acompanhada da sugestão de implementar mudanças estruturais para abordar os determinantes sociais da saúde para mitigar os riscos cardiometabólicos e cognitivos.

Alessandro Di Lorenzo
Alessandro Di Lorenzo

Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Lucas Soares
Lucas Soares

Lucas Soares é editor de Ciência e Espaço no Olhar Digital e formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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