Além do nome de um belíssimo filme dirigido por Guillermo del Toro (vale relembrar), o Círculo de Fogo do Pacífico é um lugar real, fascinante e assustador. Trata-se de uma zona de intensa atividade sísmica e vulcânica que circunda o Oceano Pacífico.
Apesar do nome, ele tem forma de ferradura e se estende por 40 mil quilômetros, segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Noaa, na sigla em inglês). Ele vai desde o sul da América do Sul, passa pela costa oeste da América do Norte, cruza o Estreito de Bering e chega ao Japão e à Nova Zelândia.
(Curiosidade: se você considerar os vulcões ativos e inativos localizados na Antártica, dá para literalmente fechar o círculo, conforme apontado pela National Geographic.)
Além de gigantesco, Círculo de Fogo do Pacífico está por trás de quase todos os terremotos
O Círculo de Fogo do Pacífico é formado pelo encontro de várias placas tectônicas. Essas placas estão em constante movimento. E quando colidem, se separam ou deslizam umas sobre as outras, liberam energia. É isso que causa terremotos e erupções vulcânicas, por exemplo.
Se você não considerar vulcões na Antártica, Círculo de Fogo do Pacífico tem formato semelhante ao de ferradura (Imagem: Dino Eri/Wikimedia Commons)
Confira abaixo algumas características importantes do Círculo de Fogo do Pacífico:
Concentra 75% dos vulcões do mundo: Existem cerca de 450 vulcões, entre ativos e adormecidos, ao longo do Círculo de Fogo;
É responsável por 90% dos terremotos do mundo: A maioria dos terremotos mais fortes já registrados ocorreram no Círculo de Fogo;
Abrange quase 30 países em quatro continentes diferentes: América do Sul, América Central, América do Norte, Ásia e Oceania.
Também vale mencionar: o Círculo de Fogo abriga fossas oceânicas profundas, como a Fossa das Marianas; e inclui grandes cadeias montanhosas, como a Cordilheira dos Andes e o Monte Fuji.
Como você já deve imaginar a essa altura, o Círculo de Fogo do Pacífico é uma área de alto risco para desastres naturais, como terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas. Para piorar, a intensa atividade sísmica e vulcânica torna difícil prever quando e onde esses eventos ocorrerão.
O tsunami de 2011 no Japão, que causou o desastre nuclear de Fukushima, e a erupção do Krakatoa em 1883 na Indonésia são exemplos de eventos catastróficos no Círculo de Fogo.
Círculo de Fogo está por trás de quase todos os terremotos ocorridos até hoje – na foto: escombros após terremotos em Antakya, na Turquia, em 2023 (Imagem: baybars can/Shutterstock)
Por isso, é importante estudá-lo a fundo (trocadilho não intencional). A pesquisa sobre o Círculo de Fogo permite mapear zonas de risco, desenvolver sistemas de alerta precoce para tsunamis e terremotos e aprimorar técnicas de construção resistentes a desastres naturais (é o plano para Antakya, por exemplo).
No entanto, seria injusto deixar de mencionar que, apesar dos riscos, a região abriga uma grande diversidade de vida e beleza natural. Ou seja: nem tudo são trevas, destruição e lava no Círculo de Fogo. Há espaço para facetas bonitas (você pode se aprofundar em artigos clicando aqui e aqui).
O futuro do Círculo de Fogo do Pacífico está intimamente ligado ao movimento das placas tectônicas que o formam. E, de acordo com simulações de computador, é possível que o Oceano Pacífico se feche em menos de 300 milhões de anos.
Esse processo levaria à formação de um novo supercontinente, chamado Amasia – “fusão” das Américas com a Ásia. A Austrália também participaria desse evento, colidindo primeiro com a Ásia e depois se conectando à América.
Talvez o formato do Círculo de Fogo do Pacífico mude ao longo dos próximos milhões de anos, mas atividade geológica – e vulcânica – deve continuar (Imagem: Xander de Ruiter/Shutterstock)
Embora o Círculo de Fogo provavelmente não exista mais como um “círculo”, a intensa atividade geológica da região deve continuar. Isso porque a colisão das placas tectônicas continuará gerando terremotos, erupções vulcânicas e a formação de novas montanhas.
Para melhor ou pior, o Círculo de Fogo deve continuar firme e forte. Já para o Homo sapiens, o horizonte das próximas centenas de milhões de anos é mais sombrio.
Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Já escreveu para sites, revistas e até um jornal. No Olhar Digital, escreve sobre (quase) tudo.