Como reportou o Olhar Digital, o asteroide 2024 YR4 pode se chocar contra a Terra em 2032. O objeto tem potencial destrutivo e seria capaz de arrasar cidades inteiras. A NASA estima uma chance de colisão de 3,1%, a maior probabilidade de impacto de uma rocha espacial tão grande na modernidade.
A boa notícia é que, mesmo que a chance de impacto aumente para 100%, temos formas de nos proteger. Saiba quais.
Asteroide 2024 YR4 levanta preocupações – mas há tempo para isso mudar (Crédito: Luca9257 – Shutterstock)
Asteroide 2024 YR4 tem maior probabilidade de impacto da modernidade
A probabilidade de impacto de um asteroide em observação costuma ser alta e diminuir ao longo do tempo. Não foi o que aconteceu com o 2024 YR4: uma estimativa anterior apontava para 1,2% de chance de colisão em 22 de dezembro de 2032, que subiu recentemente para 3,1%. Como lembrou o Science Alert, essa é a maior probabilidade de impacto de uma rocha espacial tão grande na previsão moderna.
Por esse motivo, a NASA está constantemente monitorando o objeto – mas ainda há tempo suficiente para que esse número diminua.
No entanto, mesmo que as chances cheguem a 100%, o chefe do escritório de defesa planetária da Agência Espacial Europeia, Richard Moissl, destacou que não devemos entrar em pânico. À AFP, ele explicou que, mesmo nesse caso, “não estamos indefesos”.
Órbita do asteroide 2024 YR4 (Imagem: Minor Planet Center/Reprodução)
Como podemos nos proteger
Colisão com uma nave espacial
Uma forma de impedir a colisão do 2024 YR4 seria propositalmente colidir uma espaçonave contra ele.
Essa alternativa já foi testada em 2022, com o Teste de Redirecionamento de Asteroide Duplo (DART), da NASA. Na ocasião, o impacto alterou com sucesso a órbita do asteroide Dimorphos, de 160 metros de largura.
Outra opção seria uma espécie de ‘trator gravitacional’. Nesse caso, uma espaçonave voa próxima ao asteroide, mas sem tocá-lo. O que acontece é atração gravitacional que puxa o objeto para fora da trajetória rumo à Terra.
Há outras alternativas que não envolvem contato:
Moissl revelou a possibilidade de uma nave com propulsores exercer um “fluxo constante de íons” para desviar o asteroide do curso original;
Ou ainda, pintar o objeto de branco, para que o aumento na refletividade mude sua trajetória;
Todas essas estratégias têm um porém: elas exigem mais tempo e, portanto, seria necessário colocá-las em prática o quanto antes.
E se dispararmos lasers? (Imagem: Travis Brashears/Wikimedia Commons/CC 4.0)
Podemos explodir o asteroide
Agora uma opção mais radical: seria possível explodir o asteroide usando uma bomba nuclear.
No ano passado, pesquisadores já testaram essa teoria em laboratório: eles usaram uma bola de gude para simular uma rocha espacial e descobriram que os raios X de uma explosão nuclear vaporizariam a superfície. Consequentemente, lançando o objeto em uma direção oposta.
No entanto, essa opção envolve questões éticas, políticas e legais de se enviar armas nucleares ao espaço. Por isso,é considerada um último recurso.
Ainda, há a possibilidade que a explosão envie detritos em direção à Terra.
Uma alternativa mais segura seria disparar raios lasers saindo de uma nave gravitacional em direção ao asteroide.
Experimentos em laboratório sugerem que esse plano funciona e envia o objeto para longe, mas não está no foco das estratégias atuais.
Representação artística do asteroide Bennu em rota de colisão com a Terra (Crédito: Lukasz Pawel Szczepanski – Shutterstock)
E se tudo der errado?
Como falamos, algumas opções de proteção são mais radicais. Outras, são mais sutis, mas exigem tempo.
Moissl lembrou que a solução para impedir o impacto do asteroide (se ele realmente for acontecer) depende das estratégias enquanto planeta. Ou seja, não cabe apenas à NASA ou alguma agência espacial específica, mas sim de uma decisão conjunta tomada por líderes mundiais.
Na pior das hipóteses, se o asteroide realmente colidir com a Terra, pode destruir uma (ou algumas) cidades. Como a colisão pode ser prevista, seria possível, em último caso, evacuar esses locais.