Meta considerou compartilhar dados de usuários com a China, aponta jornal

Segundo denúncia, big tech chegou a desenvolver sistema de censura que permitiria controlar e suprimir opiniões dissidentes
Rodrigo Mozelli09/03/2025 15h44, atualizada em 11/03/2025 19h33
Bandeira da China ao lado do logo da Meta exibido em um smartphone
Empresa de Mark Zuckerberg teria feito de tudo para entrar no país asiático (Imagem: Koshiro K/Shutterstock)
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Uma ex-diretora de políticas globais da Meta revelou ao The Washington Post que a empresa estaria disposta a ir ao extremo para conquistar a aprovação do Partido Comunista Chinês e levar a rede social a milhões de internautas na China. Segundo a denúncia, a big tech chegou a desenvolver um sistema de censura que permitiria controlar e suprimir opiniões dissidentes.

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De acordo com Sarah Wynn-Williams, que atuava na equipe responsável pelas políticas voltadas para a China, a empresa planejava entregar ao governo chinês o controle de todo o conteúdo publicado no país.

A proposta incluía a instalação de um “editor-chefe” encarregado de decidir o que seria removido – com o poder de desativar toda a plataforma em momentos de “agitação social”. Essa informação consta em reclamação de 78 páginas apresentada à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês) em abril de 2024 e obtida exclusivamente por veículos jornalísticos.

Ao fundo, foto desfocada de Mark Zuckerberg; à frente, logo da Meta em um smartphone
Mark Zuckerberg passou a adotar discurso favorável aos EUA após posse de Donald Trump (Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock)

A denúncia também aponta que, pressionada por um alto funcionário chinês, a Meta chegou a acatar a ideia de reprimir a conta de um conhecido dissidente chinês radicado nos Estados Unidos, numa tentativa de facilitar sua entrada no lucrativo mercado da China.

Contudo, quando questionados sobre essas iniciativas, executivos da empresa teriam “empacado” as respostas, fornecendo informações imprecisas ou enganosas a investidores e autoridades reguladoras.

Wynn-Williams, demitida em 2017 e que deve lançar uma autobiografia nesta semana, apresentou à SEC documentos internos da Meta que corroboram seus relatos.

Em um dos memorandos, ela afirma que os líderes da empresa sofreram intensa pressão por parte de autoridades chinesas para que os informações dos usuários fossem armazenados em centros de dados locais, o que facilitaria o acesso do Partido Comunista às informações pessoais dos cidadãos.

Para Katitza Rodriguez, diretora de políticas globais de privacidade na Electronic Frontier Foundation, essa prática “transforma os controles governamentais rigorosos em instrumentos de censura, vigilância e repressão”.

Meta a favor da China?

  • Por anos, a Meta posicionou a China como inimiga da internet livre e aberta;
  • Em 2019, o cofundador e CEO da empresa, Mark Zuckerberg, alertou que o país estava “exportando sua visão da internet para outros países”;
  • No ano seguinte, o então vice-presidente de assuntos globais, Nick Clegg, lamentou que governos estivessem seguindo o exemplo chinês ao isolar suas redes do restante do mundo;
  • Além disso, a empresa financiou organizações, como a American Edge, que promoveram campanhas críticas contra China e TikTok, aplicativo de origem chinesa e de propriedade da ByteDance;
  • O discurso anti-China da empresa se intensificou recentemente, especialmente após a ascensão do assistente de inteligência artificial (IA) DeepSeek, que ganhou destaque nas lojas de aplicativos em janeiro;
  • Em publicação no Threads, o diretor global de assuntos da Meta, Joel Kaplan, afirmou que a empresa colaboraria com o governo dos EUA para manter o país na vanguarda da IA e assegurar que os padrões globais da tecnologia fossem baseados em valores compartilhadose não na visão chinesa;
  • Em janeiro, Zuckerberg chegou a anunciar parceria com o presidente dos EUA, Donald Trump, para “revidar contra governos que vêm atacando empresas estadunidenses e pressionando por mais censura”, ressaltando que “a China já impediu o funcionamento de nossos aplicativos no país”.

Para Wynn-Williams, “uma das maiores prioridades do presidente Trump é que o Ocidente vença essa corrida crítica da IA, mas, por muitos anos, a Meta trabalhou em conluio com o Partido Comunista Chinês, repassando-lhes informações sobre os avanços tecnológicos e mentindo a respeito disso. As pessoas merecem saber a verdade”.

Em resposta, o porta-voz da Meta, Andy Stone, afirmou que “não é segredo” o interesse da empresa em operar na China – algo amplamente divulgado há mais de uma década –, mas que, no final das contas, optaram por não dar continuidade às ideias exploradas, conforme anunciado por Zuckerberg em 2019.

Ao fundo, em um telão e meio desfocado, logo da Meta; à frente, sombras de várias pessoas sentadas em uma mesa
Há dez anos, empresa trabalhou para agradar ao governo chinês e, assim, participar do mercado tech local (Imagem: kovop/Shutterstock)

Projeto Aldrin

Há cerca de dez anos, a Meta enxergava a China como oportunidade inexplorada e extremamente lucrativa, com milhões de usuários de internet disponíveis – número que, segundo alguns, superava o do mercado estadunidense.

Na época, vendedores chineses já compravam anúncios no Facebook, por meio de revendedores, para atingir clientes no exterior.

Em e-mail de 2014, Zuckerberg teria afirmado a executivos, como a COO Sheryl Sandberg e o ex-chefe de comunicação e políticas públicas Elliot Schrage, que expandir a presença do Facebook na China era fundamental para cumprir a missão da empresa de conectar o mundo e que era preciso iniciar esforços intensivos para isso.

O interesse de Zuckerberg pelo país ficou evidente publicamente. Ele chegou a escrever um prefácio para o livro “The Governance of China”, do secretário do Partido Comunista Chinês e atual presidente da China, Xi Jinping, e exibia uma cópia do volume em sua mesa durante uma visita de Lu Wei, então vice-chefe do departamento de propaganda do partido.

Em outra ocasião, o CEO proferiu discurso de 20 minutos em mandarim para estudantes universitários e pediu a Xi que concedesse um nome honorário em chinês para sua filha ainda não nascida, conforme noticiado pelo The New York Times.

Segundo a denúncia, por trás dos bastidores, Zuckerberg reuniu uma equipe dedicada à China em 2014 para desenvolver uma versão dos serviços do Facebook que cumprisse a legislação local – ideia com o codinome “Projeto Aldrin”, em homenagem ao astronauta Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar na Lua.

A empresa demonstrava grande disposição em atender às exigências do Partido Comunista Chinês. Em julho de 2014, funcionários da Meta teriam preparado um rascunho de carta para que Zuckerberg enviasse a Lu Wei, informando que a empresa já havia cooperado com o Consulado Chinês em São Francisco para “retirar sites terroristas potencialmente perigosos para a China” e oferecendo colaboração mais estreita com todas as embaixadas ou consulados chineses ao redor do mundo. Um porta-voz do consulado, entretanto, afirmou não ter conhecimento da situação.

Para reforçar sua posição nas negociações, os líderes da Meta chegaram a considerar flexibilizar suas rígidas regras de privacidade em benefício do governo chinês. Em agosto de 2014, membros da equipe de privacidade discutiram se deveriam confirmar ao comissário de proteção de dados da Irlanda que os usuários de Hong Kong manteriam os mesmos direitos de privacidade dos estadunidenses e europeus.

Poucos dias após um encontro com a equipe de negociação para a China, esses funcionários demonstraram disposição em reduzir os direitos de privacidade dos usuários de Hong Kong, conforme troca de e-mails interna.

Um dos documentos indicava: “Em troca da permissão para estabelecer operações na China, o Facebook concordará em conceder, ao governo chinês, acesso aos dados dos usuários chineses – incluindo os de Hong Kong.”

Em 2015, as negociações entre a Meta e autoridades chinesas avançaram para a elaboração de um plano mais detalhado de atuação no país.

Em uma das versões do acordo proposto, a Hony Capital, firma chinesa de private equity, seria responsável por avaliar se o conteúdo postado por usuários baseados na China – inclusive estrangeiros em visita – estaria “de acordo com as leis vigentes”, conforme consta em proposta enviada a Lu Wei.

Para dar suporte a essa iniciativa, a Meta desenvolveu sistema de censura especialmente projetado para o mercado chinês, com funcionalidades para detectar, automaticamente, termos restritos e conteúdos populares no Facebook.

Bandeiras de China e Estados Unidos lado a lado
Brigas recentes entre chineses e estadunidenses mudaram perspectiva da Meta com relação à China (Imagem: Dilok Klaisataporn/Shutterstock)

A empresa se comprometeu, inclusive, a contratar, pelo menos, 300 moderadores de conteúdo para operar esse sistema. Após a análise do projeto pela Administração do Ciberespaço da China, autoridades manifestaram preocupação de que o governo dos EUA pudesse acessar os dados de usuários chineses armazenados fora do país.

Em 2015, Lu Wei foi afastado de seu cargo e, posteriormente, condenado a 14 anos de prisão por acusações de suborno. Mesmo após a perda de um dos principais aliados regulatórios na China, a Meta seguiu tentando conquistar o mercado chinês.

Em 2017, a empresa lançou, discretamente, alguns aplicativos sociais sob o nome de uma companhia chinesa criada por um de seus funcionários. Na mesma época, após sugestão de Zhao Zeliang – importante regulador de internet no país –, a Meta restringiu a conta do empresário Guo Wengui, crítico ferrenho do governo, numa tentativa de demonstrar disposição para “atender a interesses mútuos”.

Em reunião interna, executivos constataram que a inação em relação à conta de Guo poderia impactar a cooperação com as autoridades chinesas. Mais tarde naquele ano, a empresa retirou uma página ligada a Guo e restringiu seu acesso, alegando violações das regras de conteúdo.

Em 2019, com a administração Trump intensificando sua batalha comercial contra a China, a Meta desistiu de suas ambições no país. Atualmente, a empresa busca se beneficiar da postura firme de Washington ante Pequim.

Em reunião com funcionários realizada neste ano, Zuckerberg afirmou que seus negócios poderiam ganhar se o TikTok fosse proibido nos Estados Unidos. “Eles são um dos nossos principais concorrentes”, disse o CEO, conforme gravação obtida por jornalistas, ressaltando que essa seria uma “carta” estratégica a seu favor.

O que diz a Meta

O Olhar Digital entrou em contato com a Meta, que respondeu o seguinte:

O livro é uma combinação de alegações desatualizadas e já feitas anteriormente sobre a empresa com acusações falsas sobre nossos executivos. Oito anos atrás, Sarah Wynn-Williams foi demitida por performance fraca e comportamento tóxico, e uma investigação na época determinou que ela fez alegações infundadas e enganosas de assédio. Desde então, ela tem sido paga por ativistas anti-Facebook e isso é simplesmente a continuação desse trabalho. O status de denunciantes protegidos (whistleblower) é para amparar comunicações para o governo, e não para ativistas descontentes tentando vender livros.

Tudo isso está sendo promovido por uma funcionária demitida oito anos atrás por performance fraca, Nós não operamos nossos serviços na China atualmente. Não é segredo que já tivemos interessados em fazer isso como parte do esforço do Facebook para conectar o mundo. Isso foi amplamente divulgado no começo da década passada. Nós optamos por não prosseguir com as ideias que foram exploradas, as quais Mark Zuckerberg anunciou em 2019.

Meta, em nota enviada ao Olhar Digital

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.