Por que os asiáticos têm olhos mais alongados? A ciência explica

Contudo, é errado pensar que os olhos dos orientais são menores: o que muda é apenas o formato por conta da pálpebra mais saliente
Camila Oliveira
Camila Oliveira, editado por Layse Ventura 18/03/2025 00:05, atualizada em 04/08/2025 12:20
close no olho de uma mulher asiatica
Por que asiáticos tem o olho puxado? (Imagem: Freepik)

Algumas populações de regiões específicas pelo mundo apresentam características físicas específicas e marcantes, que são capazes de fazer com o indivíduo seja reconhecido como parte daquele povo. É o caso, por exemplo, dos nascidos ou descendentes de alguns países da Ásia, como os chineses, coreanos, japoneses, mongóis, entre outros.

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Apesar de terem diversas características diferentes entre si, eles têm um ponto em comum: os olhos alongados, chamados pela ciência de dobra epicântica (ou apenas epicanto).

Essa característica é uma adaptação evolutiva, para proteger essas populações da luz do sol em regiões frias, assim como alguns povos possuem nariz mais estreito (por conta do clima frio e seco) ou mais largos (em climas quentes e úmidos).

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Confira na matéria abaixo mais informações sobre como e porque essa adaptação acontece, e quais são as pessoas que a possuem.

close nos rosto de uma mulher asiática
A dobra epicântica acontece quando uma parte da pele que vai do nariz até o começo da sobrancelha encobre o canto interior do olho. (Imagem: Freepik)

Por que os asiáticos têm olhos mais alongados?

De forma simples, a dobra epicântica acontece quando uma parte da pele que vai do nariz até o começo da sobrancelha encobre o canto interior do olho. A dobrinha nos olhos é muito comum em pessoas naturais da Ásia oriental, como os mongóis, chineses, coreanos e japoneses, além dos países do sudoeste asiático, como vietnamitas, tailandeses, filipinos, indonésios, malaios e polinésios.

Fora do continente asiático, essa característica pode ser encontrada nos nativos inuítes do Canadá e alguns povos indígenas da América do Sul.

Além disso, a dobra epicântica também pode ser vista em pessoas com Síndrome de Down. Observa-se também que algumas crianças, independentemente da etnia, nascem com os olhos mais alongados, mas perdem essa característica com o passar do tempo, conforme o nariz cresce.

Com isso, podemos perceber que esse traço é herdado geneticamente. Porém, por que é tão mais comum nos povos asiáticos?

mulher asiatica posa com um tecido rendado
Estudos indicam que esse formato de olho bloqueia a entrada de muita luz, protegendo a pessoa contra a cegueira da neve. (Imagem: Freepik)

O que levou essas populações a terem essa característica tão forte?

Estudos indicam que esse formato de olho bloqueia a entrada de muita luz, protegendo a pessoa contra a cegueira da neve – um desgaste da córnea causado pela penetração de radiação ultravioleta. Isso porque, nas partes da Ásia que foram mencionadas, o inverno é bastante rigoroso, e a neve pode refletir até 80% dos raios UV, aumentando o risco de exposição aos olhos.

Isso causa uma queimadura solar nos olhos, chamada cientificamente de fotoceratite. É por isso também que alguns povos indígenas nativos do Ártico teriam criado óculos de Sol com pequenas aberturas horizontais, simulando o estilo do olho mais fechado.

Fora isso, o epicanto é um pedaço de gordura que recobre o canto do olho, ajudando a manter a temperatura corporal do indivíduo, uma vez que essa substância é um bom material insulante e permite que menos calor escape durante os dias de extremo frio. Além de proteger do frio, esse traço também protege os olhos dos ventos intensos.

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Aqueles que vivem em regiões próximas dos polos recebem um percentual maior de luz do Sol diretamente nos olhos, onde há mais gelo, e as camadas de solo gelado possuem mais capacidade de refletir a luz solar. Sendo assim, é provável que as populações indígenas que ocuparam as Américas tenham herdado essa característica, uma vez que elas chegaram dessas regiões mais frias.

close de perto em um olho puxado
É errado pensar que os olhos dos orientais são menores: o que muda é apenas o formato por conta da pálpebra mais saliente. (Imagem: Freepik)

De acordo com o professor de psicologia evolutiva Robin Dunbar, da Universidade Oxford, esses povos da Ásia também são descendentes daqueles que viveram na Sibéria, uma região bastante conhecida pelo seu frio extremo, e depois migraram para o sul. Contudo, é errado pensar que os olhos dos orientais são menores: o que muda é apenas o formato por conta da pálpebra mais saliente.

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Segundo um estudo publicado por Dunbar em 2011, após a análise do crânio de 55 esqueletos que viveram no século XIX, as alterações quanto ao tamanho dos olhos não são divididos entre Ocidente e Oriente, mas entre os trópicos e as zonas polares. “Como a quantidade de luz é menor, a retina precisa ser maior para captar mais luz”, diz ele.

Suas conclusões dizem que os povos africanos, indígenas americanos e grupos que moram perto da Linha do Equador têm olhos menores, enquanto os asiáticos e europeus, que vivem mais perto dos polos, têm olhos maiores. Os olhos deles chegam a ser 20% maiores do que os dos que vivem nas áreas com mais calor e luminosidade.

Em 2015, foi publicado um artigo científico contando mais detalhes sobre como esse processo evolutivo aconteceu. De acordo com o texto: “Fatores climáticos como a forte luz ultravioleta, o frio siberiano e a poeira amarela do nordeste da Ásia podem ser causas potenciais de franzimento excessivo, e o franzimento excessivo repetido pode induzir a hipertrofia do músculo orbicular. Antropólogos já presumiram que esses fatores são causas do epicanto. (…) A contração muscular excessiva seria uma ação inevitável para a proteção dos olhos contra a severidade ambiental. Assim, a adaptação ao ambiente seria uma causa básica para a formação do epicanto”.

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mulher asiatica com roupa branca no sol de olhos fechados
O epicanto é um pedaço de gordura que recobre o canto do olho, ajudando a manter a temperatura corporal do indivíduo. (Imagem: Freepik)
Camila Oliveira
Camila Oliveira

Camila Oliveira é jornalista desde 2012. Curiosa e inquieta, já passou por diversas editorias e também trabalhou em outras áreas. Hoje é colaboradora do Olhar Digital e escreve sobre o que mais gosta.

Layse Ventura
Layse Ventura

Layse Ventura é editora de SEO no Olhar Digital e mestre pela UFSC.

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