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Um estudo publicado nesta quinta-feira (03) na revista Geophysical Research Letters descreveu pela primeira vez um fenômeno curioso em Júpiter: um vento solar de 2017 comprimiu a bolha protetora do planeta, aumentando (e muito) a temperatura por lá.
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Além disso, os pesquisadores apontam que esse evento pode atingir Júpiter mais vezes do que o esperado, de duas a três vezes por mês.
O trabalho também ajudou a entender a influência do Sol nas atmosferas dos planetas do nosso sistema solar.

Vento solar comprimiu a bolha protetora de Júpiter
Cientistas da Universidade de Reading descobriram que um evento solar de 2017 atingiu Júpiter e comprimiu sua magnetosfera. Trata-se de uma região comum em planetas magnetizados, que funciona como uma bolha protetora contra a radiação solar e partículas cósmicas.
As observações foram feitas a partir do telescópio terrestre Keck e de dados da nave espacial Juno, da NASA, que permitiram uma modelagem do vento solar. Ele teria ‘esmagado’ a magnetosfera pouco antes do início das observações.
Segundo o Dr. James O’Donoghue, autor principal da pesquisa, a resposta de Júpiter a esse evento nunca havia sido estudada. A análise revelou que o vento solar intensificou o aquecimento auroral nos polos do planeta, fazendo com que a atmosfera se expandisse e derramasse gás quente em direção ao centro. O resultado foi um aumento na temperatura da magnetosfera para mais de 500ºC (normalmente, as camadas atmosféricas mais altas por lá medem cerca de 250ºC).
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Ele explicou o que aconteceu:
O vento solar esmagou o escudo magnético de Júpiter como uma bola de squash gigante. Isso criou uma região superaquecida que abrange metade do planeta. O diâmetro de Júpiter é 11 vezes maior que o da Terra, o que significa que essa região aquecida é enorme.
Dr. James O’Donoghue, autor principal
Ainda, segundo o líder do estudo, essa é a primeira vez que um fenômeno assim é visto em qualquer mundo.

O que isso nos diz sobre Júpiter?
O’Donoghue explicou que Júpiter serve como um laboratório do Sistema Solar. Através dele, é possível estudar e compreender os efeitos do Sol em outros planetas, e entender as consequências das tempestades solares na atmosfera e nas invenções humanas, como redes de energia, comunicações e GPS.
Além disso, os efeitos foram inesperados:
- A equipe pensava que a rápida rotação de Júpiter confinaria o aquecimento auroral às regiões polares. A pesquisa mostrou que não, já que o vento solar causou o aumento da temperatura em outras regiões;
- Isso indica que as atmosferas dos planetas do nosso sistema solar estão mais vulneráveis às influências do Sol do que sabíamos anteriormente;
- O professor Mathew Owens, coautor da pesquisa, explicou que essas descobertas ajudam a entender os sistemas de previsão e podem ajudar a proteger a Terra do clima espacial perigoso.