Como hackers enriqueceram um dos países mais isolados do mundo

Cibercriminosos patrocinados pelo governo conseguiram roubar e acumular bilhões de dólares em criptomoedas nos últimos anos
Pessoa encapuzada na frente de bandeira da Coreia do Norte feita de códigos estilo Matrix
Hackers inseriram uma dependência contaminada em atualizações legítimas da biblioteca de software Axios - Imagem: trambler58/Shutterstock

A Coreia do Norte é um dos países mais fechados do mundo. Por conta disso, tornou-se também um dos mais pobres. No entanto, a ação de hackers patrocinados pelo governo de Kim Jong-un tem sido vital para manter o regime de pé.

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Estes cibercriminosos conseguiram roubar e acumular bilhões de dólares em criptomoedas nos últimos anos.

Estes ataques foram tão bem sucedidos que colocaram a Coreia do Norte no ranking de nações com as maiores reservas de tokens digitais do mundo.

Complexo esquema criminoso foi criado

Segundo a plataforma de criptomoedas Arkham Intelligence, a Coreia do Norte conta hoje com a terceira maior reserva de ativos digitais do planeta. O país só fica atrás dos Estados Unidos e do Reino Unido no quesito. Agências globais de segurança, como o FBI, já alertaram publicamente que hackers patrocinados pelo regime norte-coreano estão por trás de vários ataques a plataformas de criptomoedas. Apesar dos avisos, as empresas seguem vulneráveis.

Regime norte-coreano patrocina ação dos hackers (Imagem: Stephen A. Rohan/Shutterstock) – Imagem: Stephen A. Rohan/Shutterstock

Ao mesmo tempo, as ações dos hackers estão cada vez mais sofisticadas. A Coreia do Norte emprega uma ampla gama de técnicas de ataque cibernético, mas se tornou especialmente conhecida por sua habilidade em engenharia social. Esta técnica de manipulação é usada para obter informações privadas por meio da exploração de erros humanos. Muitas das operações envolvem a infiltração em dispositivos de funcionários e, em seguida, o uso desse acesso para violar sistemas internos das empresas.

Os hackers norte-coreanos se passam por investidores de risco, recrutadores ou trabalhadores remotos de TI para criar confiança e violar as defesas das companhias. Os principais alvos são startups de criptografia, bolsas de valores e plataformas de finanças descentralizadas, devido a seus protocolos de segurança que são frequentemente menos desenvolvidos.

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Criptomoedas
Coreia do Norte tem a terceira maior reserva de criptomoedas do mundo (Imagem: Wit Olszewski/Shutterstock)

Criptomoedas salvaram o regime

  • A escolha pelo roubo de criptomoedas foi uma forma do regime da Coreia do Norte depender menos de transações arriscadas, como o contrabando de narcóticos e produtos falsificados ou o fornecimento de instrutores militares para nações africanas.
  • Estas ações geravam recursos financeiros importantes para o país, mas nada comparado ao atual esquema.
  • Para Park Jungwon, professor de direito da Universidade de Dankook, na Coreia do Sul, as criptomoedas salvaram o regime norte-coreano.
  • Ele afirma que “sem elas, eles teriam ficado completamente sem fundos”.
  • Ainda destaca que o país investiu de forma pesada no treinamento dos melhores hackers.
  • Todo o dinheiro roubado nas operações vai direto para o governo e acredita-se que esteja sendo gasto em armas e maior tecnologia militar.
  • As informações são da DW.
Alessandro Di Lorenzo
Alessandro Di Lorenzo

Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Bruno Capozzi
Bruno Capozzi

Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.

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