Siga o Olhar Digital no Google Discover
Pesquisadores usando o Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, encontraram gelo de água em torno de uma estrela jovem localizada a cerca de 160 anos-luz da Terra chamada HD 181327. O objeto está cercado por um disco de detritos – uma espécie de anel formado por poeira e pequenos fragmentos espaciais. Os resultados da investigação estão relatados em um artigo publicado este mês na revista Nature.
Ofertas
Por: R$ 4.460,93
Por: R$ 3.099,00
Por: R$ 3.324,00
Por: R$ 799,00
Por: R$ 241,44
Por: R$ 388,78
Por: R$ 2.159,00
Por: R$ 188,99
Por: R$ 45,00
Por: R$ 379,00
Por: R$ 1.239,90
Por: R$ 798,99
Por: R$ 199,00
Por: R$ 476,10
Por: R$ 1.139,05
Por: R$ 949,00
Por: R$ 155,44
Por: R$ 119,90
Por: R$ 398,99
Por: R$ 79,90
Por: R$ 222,11
Discos de detritos são regiões ao redor de estrelas onde há grande concentração de corpos pequenos, como cometas, asteroides e poeira. Eles são semelhantes ao cinturão de Kuiper do Sistema Solar, onde ficam muitos objetos gelados. Estudar esses discos ajuda os cientistas a entenderem como sistemas planetários, como o nosso, se formam e evoluem.
A presença de água nesses locais é de grande interesse, porque ela é essencial para a formação de planetas e para possível surgimento da vida. Embora já se saiba que há gelo de água em cometas e outros corpos do Sistema Solar, nunca havia sido detectado esse tipo de gelo de forma clara em um disco de detritos fora daqui.

Estrela se parece com o Sol na infância
Agora, a equipe liderada por Chen Xie, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, identificou gelo de água no disco ao redor da estrela HD 181327. A detecção foi feita com um instrumento especial do Webb chamado NIRSpec (Espectrógrafo Infravermelho Próximo), que analisa a luz infravermelha para identificar materiais à distância.
O disco está a cerca de 84 unidades astronômicas (UA) da estrela, o que significa mais de duas vezes a distância de Netuno ao Sol. Ele tem uma largura de 25 UA. Por ser uma estrela jovem, com cerca de 18,5 milhões de anos, os cientistas a consideram parecida com o Sol nos primeiros estágios da formação do Sistema Solar.
O gelo foi identificado por meio de um padrão específico no espectro de luz que vem do disco, entre os comprimentos de onda de 2,7 e 3,4 micrômetros. Dentro desse intervalo, um pico em 3,1 micrômetros chamou atenção: trata-se de uma assinatura conhecida como pico de Fresnel, comum em partículas grandes de gelo de água cristalino, como já foi observado nos anéis de Saturno.

Leia mais:
- Galáxia recém-descoberta pelo James Webb é a mais antiga já observada
- China usa maior radiotelescópio do mundo para encontrar gelo na Lua
- James Webb flagra comportamento nunca antes visto em uma estrela
James Webb encontrou minerais presentes no Sistema Solar
Segundo os pesquisadores, esse pico indica a presença de grãos de gelo com mais de 1 milímetro de diâmetro, o que reforça a ideia de que o disco contém uma grande reserva de água congelada. Eles também calcularam que cerca de 13,9% da massa da região externa do disco é composta por gelo de água.
Além do gelo, os astrônomos detectaram outros materiais importantes, como sulfeto de ferro e olivina. Esses minerais já foram encontrados em cometas, asteroides e micrometeoritos do sistema solar, reforçando a semelhança entre esse disco distante e os corpos gelados que orbitam nosso Sol.
Em um comunicado, os autores explicam que a descoberta é importante porque mostra que ingredientes essenciais para a formação de planetas ricos em água podem ser comuns também fora do Sistema Solar – o que abre novas possibilidades para o estudo de planetas com condições parecidas com as da Terra em outras partes do Universo.