Um encontro histórico: como a humanidade conheceu Plutão de perto

A New Horizons passou raspando pela superfície de Plutão, revelando detalhes surpreendentes de um mundo que, até então, era apenas um borrão
Por Marcelo Zurita, editado por Lucas Soares 14/07/2025 22h34
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Ela viajou por quase uma década, a mais de 50 mil quilômetros por hora, só para fazer uma visita de poucas horas a um pequeno mundo gelado nos confins do Sistema Solar. Uma visita breve — mas que expandiu os horizontes da humanidade. No dia 14 de julho de 2015, a sonda New Horizons passou raspando pela superfície de Plutão, revelando detalhes surpreendentes de um mundo que, até então, era apenas um borrão em nossos melhores telescópios. Naquela manhã, pela primeira vez, a humanidade olhava de perto para o astro que durante décadas foi chamado de planeta — e que, mesmo rebaixado, continuava a despertar a nossa imaginação.

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Plutão foi descoberto em 1930 por Clyde Tombaugh, após uma longa busca pelo tal “Planeta X” — um suposto gigante escondido nos confins do Sistema Solar. Mas, em vez de um titã, encontraram um pequeno mundo gelado, com pouco mais de dois mil quilômetros de diâmetro. Ainda assim, por quase 80 anos, ele ocupou com orgulho o título de 9° e mais estranho planeta do Sistema Solar. Pequeno, gelado, com uma órbita inclinada e excêntrica, e uma lua muito grande e próxima, ele acabou se tornando o diferentão da turma. E por causa de uma treta astronômica, ele acabou indo de Vasco em 2006, e foi rebaixado pela União Astronômica Internacional para a categoria de planeta anão. Apesar da revolta da torcida e das campanhas que se seguiram, Plutão nunca mais ganhou de volta o título de planeta, mas seguiu sendo o alvo principal de uma das mais interessantes missões astronômicas deste século: a missão New Horizons, que revelou um mundo muito mais intrigante e fascinante do que poderíamos imaginar. 

[ Clyde Tombaugh e seu telescópio construído por ele – Créditos: Popular Science Monthly ]

Em 1992, a NASA ligou para Clyde Tombaugh pedindo autorização para visitar Plutão. Clyde respondeu que eles seriam bem vindos, mas infelizmente faleceu  4 anos depois, antes de ver a missão que visitaria o planeta que ele havia descoberto se tornar realidade. Foi por outra ironia do destino que no mesmo ano de 2006, nove meses antes do rebaixamento de Plutão, a missão New Horizons foi lançada. Partindo a bordo de um foguete Atlas V, a sonda se tornou o objeto mais rápido já enviado ao espaço até então. Ela passou pela Lua em apenas 9 horas e em Júpiter, ganhou impulso gravitacional para seguir sua solitária viagem de quase 5 bilhões de quilômetros, permanecendo boa parte do caminho em modo de hibernação. Um cochilo interplanetário de quase uma década.

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Em 7 de dezembro de 2014, um despertador soou nos confins do Sistema Solar. Era a sonda New Horizons acordando de um longo período de hibernação. Naquele momento, a 4,8 bilhões de km de casa, os sinais de rádio enviados aqui da Terra demoravam mais de 4 horas para chegar até a sonda. E já em janeiro de 2015, iniciaram-se as primeiras observações de Plutão, mesmo que a distância. Mas que aos poucos, revelavam as intrigantes características daquele distante mundo gelado. 

Antes daquela missão, Plutão era visto apenas como um amontoado de pixels. Até mesmo para o Hubble, nosso melhor telescópio na época, era impossível distinguir qualquer característica da superfície do planeta anão. Mas desde que a New Horizons despertou, passamos a receber imagens cada vez mais detalhadas a cada dia. E uma de suas feições mais marcantes logo ficou evidente: uma planície de gelo em forma de coração. O coração gelado de Plutão conquistou a todos neste planeta a quase 5 bilhões de quilômetros de distância. 

[ À esquerda, Plutão, Caronte, Nix e Hydra. À direita, imagem processada de Plutão registrada pelo Hubble – Créditos: NASA / HST ]

E 10 anos atrás, na madrugada de 14 de julho de 2015, o silêncio tomou conta da sala de controle da missão. A sonda interrompeu a comunicação com a Terra para voltar todos os seus instrumentos para Plutão. Naquele momento, a New Horizons estava no auge de sua missão: um sobrevoo a quase 50 mil quilômetros por hora, passando a apenas 12.500 quilômetros da superfície do planeta anão. Somente depois dessa aproximação, da frenética coleta de imagens e dados, a espaçonave se voltaria para a Terra para dar notícias e transmitir tudo que havia coletado, em uma incrível velocidade de 2 kilobits por segundo. Mais lento que a internet discada da sua avó em dia de chuva. 

Mas depois de horas de tensão e expectativa, finalmente, os dados começaram a chegar. A New Horizons revelou um mundo geologicamente espetacular. Montanhas geladas com até 3 mil metros de altura, vales profundos, calotas polares e uma atmosfera azulada, repleta de camadas de neblina. Plutão não era uma bola de gelo estática, mas um mundo dinâmico, com indícios de atividade geológica recente — algo que ninguém esperava encontrar a tão grande distância do Sol. 

[ Montanhas e planícies de nitrogênio congelado em Plutão – Créditos: NASA / New Horizons ]

A missão revelou ainda uma atmosfera rica em nitrogêniopossíveis oceanos subterrâneos, e uma interação fascinante com Caronte, sua maior lua. Juntos, Plutão e Caronte formam um sistema binário — giram em torno de um ponto comum fora de Plutão, e como dois dançarinos cósmicos, fitam-se mutuamente, abraçados pelas forças de maré. E não para por aí: as outras luas — Nix, Hydra, Kerberos e Styx — compõem um balé orbital caótico, mas cativante, em pleno Cinturão de Kuiper.

E foi justamente isso que a missão New Horizons nos ofereceu: uma janela para o Cinturão de Kuiper, a região do Sistema Solar além da órbita de Netuno, repleta de objetos gelados e intrigantes. Mostrou que Plutão é apenas o primeiro de uma série de mundos complexos e ainda inexplorados. A missão continua até hoje, agora estudando outros objetos distantes, como o curioso Arrokoth, visitado em 2019. Cada novo dado enviado é um lembrete de que ainda há muito a descobrir — mesmo nas bordas gélidas do nosso quintal cósmico.

[ À esquerda, Plutão e seu “coração gelado”. À direita, atmosfera azulada de Plutão – Créditos: NASA/New Horizons ]

New Horizons carrega consigo, para os confins do Sistema Solar, a fascinação e a avidez humana pelo conhecimento. Além disso, levou também as cinzas de Clyde Tombaugh, o descobridor de Plutão. Ele, que não pode acompanhar em vida esse episódio tão glorioso da exploração espacial, esteve, de alguma forma, presente naquele momento histórico. Quando jovem, Clyde desvendava o Cosmos através das lentes de seu telescópio, e agora, descansa entre as estrelas junto da espaçonave que, assim como ele, expandiu os horizontes da humanidade.

Marcelo Zurita
Colunista

Pres. Associação Paraibana de Astronomia; membro da Sociedade Astronômica Brasileira; diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros – e coordenador regional do Asteroid Day Brasil

Lucas Soares
Editor(a)

Lucas Soares é jornalista formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e atualmente é editor de ciência e espaço do Olhar Digital.

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