Marcas d’água não são suficientes contra deepfakes, diz estudo

Pesquisadores criaram uma ferramenta capaz de eliminar com sucesso qualquer tipo de marcador que indique que o conteúdo não é real
Alessandro Di Lorenzo
Alessandro Di Lorenzo, editado por Lucas Soares 25/07/2025 05:30, atualizada em 25/07/2025 21:11

As chamadas deepfakes são vídeos, áudios ou imagens extremamente realistas, mas que, na verdade são falsos. Elas ganharam força a partir dos recentes avanços tecnológicos, trazendo uma série de novos riscos.

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Por conta disso, pesquisadores do mundo todo buscam formas de rotular estes conteúdos, uma tarefa nada fácil. Segundo uma pesquisa do Instituto de Segurança Cibernética e Privacidade da Universidade de Waterloo, no Canadá, o uso de marcas d’água, por exemplo, pode não ser suficiente.

deepfake
Vídeos, áudios e imagens extremamente realistas podem criar graves problemas (Imagem: Wright Studio/Shutterstock)

Ferramenta pode eliminar marcadores

A ideia é usar o marcador para deixar claro que aquele conteúdo foi gerado por inteligência artificial. Empresas como OpenAI, Meta e Google oferecem marcas d’água codificadas e invisíveis como solução para o problema.

Segundo o trabalho, no entanto, elas podem ser removidas sem que o usuário perceba qualquer alteração. Para isso, os pesquisadores criaram a ferramenta UnMarker, capaz de eliminar com sucesso qualquer marcador.

Vários métodos têm sido utilizados para identificar deepfakes (Imagem: Panchenko Vladimir/ Shutterstock)

Esta é a primeira ferramenta prática e universal que pode remover marcas d’água em configurações do mundo real. O diferencial da tecnologia é que ela não requer nenhum conhecimento do algoritmo de marca d’água, nenhum acesso a parâmetros internos e nenhuma interação com o detector.

Se pudermos descobrir isso, os agentes mal-intencionados também poderão. A marca d’água está sendo promovida como essa solução perfeita, mas mostramos que essa tecnologia é quebrável. Deepfakes ainda são uma grande ameaça. Vivemos em uma era em que você não pode mais confiar no que vê.

Andre Kassis, principal autor da pesquisa

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Criminosos já estão fazendo uso da tecnologia (Imagem: Vitoria Gomez/Olhar Digital)

Deepfakes se tornaram um grave problema

  • De acordo com o Entrust Cybersecurity Institute, foi registrado um caso de deepfake a cada cinco minutos em 2024.
  • Já um estudo da Deloitte aponta que as imagens, áudios e vídeos manipulados estão se tornando cada vez mais difíceis de detectar.
  • Esta pesquisa revelou que 59% dos entrevistados têm dificuldade em diferenciar conteúdos criados por humanos daqueles gerados por IA.
  • Neste cenário, cerca de 84% das pessoas familiarizadas com a tecnologia defendem que os conteúdos gerados pela inteligência artificial deveriam ser rotulados.
  • No entanto, um entendimento sobre o assunto ainda parece estar longe e o mau uso da ferramenta pode gerar graves prejuízos.
Alessandro Di Lorenzo
Alessandro Di Lorenzo

Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Lucas Soares
Lucas Soares

Lucas Soares é editor de Ciência e Espaço no Olhar Digital e formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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