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Punctum. Você sabe o que é isso? Bem, ninguém sabe. Nem mesmo os astrônomos que encontraram esse objeto misterioso em uma galáxia próxima.
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Visível apenas em comprimentos de onda de rádio milimétricos, ele foi descrito em um artigo disponível no repositório científico arXiv.org, já aceito para publicação pela revista Astronomy & Astrophysics.
Em resumo:
- Um objeto misterioso foi descoberto em uma galáxia próxima da Via Láctea;
- Batizado de Punctum, ele foi detectado apenas em ondas milimétricas, apresentando brilho e energia excepcionais;
- O objeto desconhecido supera magnetares, microquasares e supernovas em luminosidade nessas frequências;
- Possui forte polarização luminosa, sugerindo campo magnético compacto e estruturado;
- Suspeita-se que seja um magnetar incomum, um remanescente de supernova ou algum fenômeno astrofísico novo;
- Futuras observações do ALMA e JWST poderão esclarecer sua verdadeira natureza.
Palavra latina para “ponto”, Punctum foi o nome escolhido pela equipe liderada por Elena Shablovinskaia, do Instituto de Estudos Astrofísicos da Universidade Diego Portales, no Chile, que descobriu o objeto em observações feitas com o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA).

Galáxia que hospeda objeto misterioso é próxima da Via Láctea
Em entrevista ao site Space.com, Shablovinskaia disse que “fora do reino dos buracos negros supermassivos, Punctum é genuinamente poderoso”. Segundo ela, o objeto é compacto, tem um campo magnético organizado e emite energia de forma intensa.
Em termos de brilho, ele supera magnetares típicos em até 100 mil vezes, é 100 vezes mais luminoso que microquasares e de 10 a 100 vezes mais brilhante que quase todas as supernovas conhecidas – ficando atrás apenas da Nebulosa do Caranguejo, no caso de fontes associadas a estrelas na Via Láctea.

Punctum está na galáxia ativa NGC 4945, localizada a cerca de 11 milhões de anos-luz, o que é relativamente próximo daqui. Apesar dessa distância considerada curta, ele não pode ser visto em luz visível ou raios X, apenas nas ondas milimétricas. Isso torna tudo ainda mais misterioso. Até o momento, o Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, ainda não observou o objeto nos comprimentos de onda do infravermelho.
Como as medições mostram que seu brilho permaneceu estável durante observações em 2023, isso quer dizer que ele não é uma explosão passageira ou evento temporário. Normalmente, ondas milimétricas vêm de objetos frios, como nuvens de gás ou discos de formação planetária. Mas fenômenos extremamente energéticos, como quasares e pulsares, também podem gerar esse tipo de radiação por meio do processo chamado radiação síncrotron.
No caso do Punctum, a forte polarização da luz detectada sugere um campo magnético muito bem estruturado, algo típico de objetos compactos. Isso levou os cientistas a suspeitarem que a emissão seja realmente de radiação síncrotron.

Nada parecido com Punctum foi detectado até agora
Uma hipótese é que ele seja um magnetar, um tipo raro de estrela de nêutrons altamente magnética. No entanto, magnetares conhecidos são muito menos brilhantes nas ondas milimétricas que Punctum.
Outra possibilidade é que se trate de um remanescente de supernova compacto e excepcionalmente energético. A Nebulosa do Caranguejo, por exemplo, é brilhante nessas frequências, mas é muito maior do que o Punctum – e essa diferença complica a comparação.

Shablovinskaia diz que Punctum não se encaixa em nenhuma categoria conhecida. “Nada parecido com isso apareceu em nenhum levantamento milimétrico anterior, principalmente porque, até recentemente, não tínhamos nada tão sensível e de alta resolução quanto o ALMA”, explica a cientista.
Há chance de ser um objeto comum em condições extremas, como um magnetar em ambiente denso, ou mesmo um novo tipo de fenômeno astrofísico.
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O núcleo ativo da galáxia NGC 4945, alimentado por um buraco negro supermassivo, é muito mais brilhante que Punctum, o que poderia ter dificultado sua detecção. Ele só foi notado devido à polarização incomum de sua luz. Observações futuras do ALMA, voltadas especificamente para o objeto em si, podem reduzir o ruído e revelar mais detalhes.
Segundo Shablovinskaia, o JWST também pode ser decisivo. Se encontrar uma contraparte no infravermelho, poderá determinar se a radiação vem apenas do processo síncrotron ou se há contribuição de poeira e outros elementos, ajudando a restringir as hipóteses e possivelmente classificar o objeto.
Por enquanto, Punctum continua sendo um enigma. Um ponto brilhante e compacto perdido no vasto céu, detectado por acaso e agora no centro de uma investigação astronômica.
Para a líder do estudo, ele é a prova de que ainda há muito a ser descoberto no Universo – especialmente no misterioso “céu milimétrico”, onde cada nova observação pode revelar algo jamais visto antes.