Por que um eclipse lunar podia ser um pesadelo ou uma dádiva para os antigos?

Por Marcelo Zurita, editado por Lucas Soares 08/09/2025 18h33
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No último domingo (7), a Lua desfilou de vermelho (ou quase) pela noite, diante dos nossos olhos. Um espetáculo cósmico tão impressionante quanto previsível. Hoje, sabemos explicar com precisão cada detalhe de um eclipse lunar, mas para nossos antepassados, esses eventos eram cercados de apreensão e mistério. A Lua, de repente, perdendo o brilho e se tornando avermelhada… Seriam os deuses irritados? Ou alguma fera cósmica atacando o astro? Hoje sabemos que não é nada disso, mas você sabe quando foi que esse enigma começou a ser desvendado?

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Os povos antigos tinham suas próprias explicações para o eclipse lunar. Para os chineses, um dragão celestial devorava a Lua durante os eclipses, exigindo tambores e gritos da população para espantar o monstro. Entre os incas, acreditava-se que era um jaguar cósmico atacando o nosso satélite. Já em outras culturas, eram sinais divinos, presságios de guerras, mortes de reis ou grandes catástrofes. O céu, para eles, era um palco de símbolos, e a súbita transformação da Lua cheia em escuridão ou vermelho-escarlate era, no mínimo, aterrorizante.
Mas pouco a pouco, a arte de pensar foi substituindo a superstição. Era preciso coragem para olhar para o céu e se perguntar: “será mesmo que deuses e monstros estão lá em cima… ou será apenas luz e sombra?”.

Antes que qualquer ser humano desvendasse a natureza dos eclipses, por volta do ano 600 a.C., os antigos babilônios identificaram um padrão: eclipses semelhantes se repetiam de forma cíclica a cada 18 anos e 11 dias. Essa percepção nos deu, não apenas a capacidade de prever a ocorrência de eclipses, mas também a chave para sua compreensão. 

Mais tarde, esse conhecimento chegou até o filósofo grego Tales de Mileto e isso lhe permitiu prever a ocorrência do eclipse solar de 585 a.C.. O chamado Eclipse de Tales provavelmente não foi o primeiro a ser previsto, mas nenhum antes dele foi tão amplamente documentado e, por isso, é considerado um marco na história da Ciência. 

Tales não sabia exatamente como eles ocorriam, mas foi um dos primeiros a defender que eclipses eram fenômenos naturais e não divinos. Foi preciso filosofar por mais de 100 anos para que Anaxágoras, no século V a.C., concluísse que os eclipses ocorriam pelo alinhamento entre Sol, Terra e Lua. Nos eclipses solares, a Lua se coloca entre a Terra e o Sol, e nos lunares, a Lua entra na sombra da Terra.

[ Eclipse lunar ocorre quando a Lua entra na sombra da Terra, conforme explicado por Anaxágoras no século V a.C. – Créditos: timanddate.com ]

No século seguinte, quase 2000 anos antes da invenção do telescópio, Aristóteles fez uma observação crucial: a sombra da Terra projetada na Lua, durante um eclipse lunar, era sempre curva. Aquela era a prova fundamental de que a Terra só podia ser esférica. Aristóteles foi o primeiro a usar um eclipse para fazer ciência, revelando um dos grandes segredos da natureza. E, como bônus, acabou se tornando também o precursor do ‘terrabolismo’.

Ok, mas se não era o sangue da Lua atacada por um monstro cósmico, por que ela se tornava avermelhada durante um eclipse lunar? Pois é. Esse mistério levou um pouco mais de tempo para ser desvendado. Mas o próprio Aristóteles já desconfiava que a atmosfera da Terra tivesse um papel nisso: segundo ele, a luz do Sol sofreria um desvio ao atravessar o ar, e chegaria até a Lua levemente alterada. Uma explicação absolutamente correta elaborada 2600 anos atrás, utilizando apenas os instrumentos fornecidos a Aristóteles pela natureza: os olhos e a mente. 

Mais tarde, estudiosos árabes medievais avançaram essa ideia, sugerindo que a dispersão da luz era a responsável pela tonalidade rubra. Mas quem explicou de forma definitiva esse fenômeno foi Lord Rayleigh, somente no século XIX. Os gases da nossa atmosfera dispersam os tons azulados da luz do Sol e deixam passar mais livremente os tons avermelhados. 

E é por isso que nosso céu é azul durante o dia, que o Sol fica alaranjado quando está perto do horizonte, e que uma pequena quantidade de luz avermelhada que atravessa toda nossa atmosfera, pinta a superfície da Lua durante um eclipse lunar. Se pudéssemos contemplá-lo a partir da Lua, viríamos um fino anel avermelhado se formar ao redor da Terra no ápice do fenômeno. Um crepúsculo de 360° que Aristóteles adoraria ter visto, mas foi registrado pela primeira vez este ano, pela sonda canadense Blue Ghost. 

[ Eclipse Lunar Total de 14/03/2025 registrado pela Sonda Blue Ghost – Créditos: Firefly Aerospace ]

Na era moderna, os eclipses deixaram definitivamente o campo do misticismo para se tornarem laboratórios naturais da ciência. Telescópios, câmeras de alta resolução e transmissões ao vivo nos permitem acompanhar cada detalhe. E graças às leis da gravitação universal, desvendadas por Newton, hoje podemos prever a ocorrência de eclipses com precisão impressionante — não apenas o dia e a hora, mas até os locais onde eles poderão ser observados. Sabemos, por exemplo, que o eclipse deste domingo, infelizmente, não será visível do Brasil, mas poderá ser acompanhado por telescópios do outro lado do mundo e, claro, ao vivo aqui no Olhar Digital.

E mesmo sabendo que nenhuma fera cósmica irá devorar a Lua, o fascínio pelos eclipses continua o mesmo. Um eclipse lunar permanece sendo um espetáculo que nos conecta à ciência e nos permite aprender mais sobre o Universo e a nossa própria história.

No próximo domingo, quando estivermos diante de mais um belo eclipse lunar, teremos a certeza que se trata de um fenômeno natural, como defendido por Tales e explicado por Anaxágoras como a passagem da Lua através da sombra da Terra. Veremos a dispersão de Rayleigh pintar o astro de vermelho, exatamente da mesma forma que Aristóteles explicou pela alteração da luz solar ao passar por nossa atmosfera. Vamos ter a chance de contemplar o fenômeno que, por vários milênios, intrigou a humanidade, mas que nos guiou a seguir o fascinante caminho do conhecimento.

Marcelo Zurita
Colunista

Pres. Associação Paraibana de Astronomia; membro da Sociedade Astronômica Brasileira; diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros – e coordenador regional do Asteroid Day Brasil

Lucas Soares
Editor(a)

Lucas Soares é jornalista formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e atualmente é editor de ciência e espaço do Olhar Digital.

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