Startup vai testar chip cerebral integrado com Apple Vision Pro

Cognixion quer avaliar desempenho do hub de biossensores NucleusTM com recursos de acessibilidade disponíveis em produtos da Apple
Bruna Barone
Bruna Barone 02/10/2025 07:03, atualizada em 02/10/2025 21:35

Chips cerebrais são uma grande aposta para mudar a realidade de pessoas com dificuldades de fala e mobilidade. Algumas interfaces podem ser mais invasivas do que outras, pois dependem de cirurgias no crânio, como é o caso da Neuralink. Outras se apoiam em dispositivos eletrônicos baseados em EEG (eletrodos sobre o couro cabeludo), expertise da Cognixion, que acaba de anunciar um novo teste clínico.

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Com sede em Santa Bárbara, Califórnia, a startup vai iniciar um estudo que integra a sua interface cérebro-computador baseada em EEG com o Apple Vision Pro. O projeto é particularmente interessante para pessoas com condições como esclerose lateral amiotrófica (ELA), lesão medular (LM), deficiências de fala relacionadas a AVC (exceto afasia) e traumatismo cranioencefálico (TCE).

O objetivo é testar como o hub de biossensores NucleusTM da Cognixion pode criar novas maneiras de comunicação e interação entre indivíduos, utilizando combinações de sinais cerebrais, olhar ou postura da cabeça, sem a necessidade de cirurgia. O foco é garantir comunicação natural e conversacional entre os participantes e suas famílias, cuidadores e comunidades.

Pessoa usando o Apple Vision Pro
Assim como em todos os produtos Apple, visionOS conta com diversos recursos de acessibilidade (Imagem: Ringo Chiu/Shutterstock) – Imagem: Ringo Chiu/Shutterstock

“Ao explorar como a tecnologia BCI não invasiva da Cognixion e os aplicativos de IA podem funcionar com os recursos de acessibilidade da Apple, esperamos desbloquear novos níveis de independência e conexão para pessoas que vivem com ELA, lesões na medula espinhal, AVC e lesões cerebrais traumáticas”, disse Andreas Forsland, CEO da Cognixion. “Nosso foco é melhorar vidas hoje, sem a necessidade de cirurgia ou sistemas conectados.”

Combinando inovações

Assim como em todos os produtos Apple, o visionOS conta com diversos recursos de acessibilidade, como AssistiveTouch, Controle de Alavancas, Rastreamento Ocular, Controle de Permanência, Fala ao Vivo. Aproveitando essas ferramentas, o estudo visa avaliar novas formas de interação sem as mãos e sem voz para indivíduos com pouco ou nenhum controle motor voluntário.

A Cognixion também validará casos de uso em aplicações de Realidade Assistida, desde o controle de dispositivos de mobilidade até o acesso a entretenimento, educação e trabalho — tudo por meio de uma interface não invasiva, projetada para independência no mundo real.

“Este estudo visa compreender a experiência do paciente — o que acontece quando recursos avançados de acessibilidade se unem a novos métodos de entrada neural”, disse Chris Ullrich, pesquisador principal do ensaio clínico. “Estamos comprometidos em trabalhar em estreita colaboração com cada participante, aprendendo com suas experiências vividas e traduzindo isso em soluções significativas e prazerosas.”

Logo da Apple em fachada de loja na China
Teste vai avaliar recursos como Rastreamento Ocular e Controle de Permanência disponíveis em produtos da Apple (Imagem: ABCDstock/Shutterstock)

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Como participar? 

Pessoas interessadas em participar devem entrar em contato com a Cognixion pelo e-mail [email protected] e incluir “Estudo de computação espacial da Cognixion” no assunto. O estudo está previsto para durar até abril de 2026. Mais detalhes estão disponíveis em ClinicalTrials.gov (palavra-chave: Cognixion). 

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A empresa ressalta que o dispositivo não está disponível para venda e não diagnostica nem trata nenhuma condição médica. Um ensaio clínico complementar após este estudo será feito pela Cognixion com o objetivo de obter a liberação da FDA, nos EUA (órgão semelhante à Anvisa do Brasil).

headset
Startup é desenvolvedora do headset Axon-R, que mede atividade cerebral por meio de estímulos visuais (Imagem: Cognixion/Divulgação)

Por lá, mais de 14 milhões de pessoas vivem com limitações de fala e mobilidade relacionadas a doenças neurológicas, mesmo acordadas e conscientes; a cada ano, quase 1 milhão a mais são diagnosticadas com essas condições. Na avaliação da startup, 750.000 americanos têm acesso limitado a soluções básicas para comunicação oral.

Bruna Barone
Bruna Barone

Bruna Barone é formada em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Atuou como editora, repórter e apresentadora na Rádio BandNews FM por 10 anos. Atualmente, é colaboradora no Olhar Digital.

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