Lixo espacial: remover apenas 50 objetos já reduz riscos pela metade

Foguetes que estão em órbita décadas após o fim de suas missões integram lista de objetos cuja remoção reduziria o problema do lixo espacial
Por Alessandro Di Lorenzo, editado por Flavia Correia 13/10/2025 13h00, atualizada em 04/11/2025 05h30
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Representação artística da grande concentração de lixo espacial na órbita da Terra. Crédito: Frame Stock Footage/Shutterstock
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Cientistas alertam que o lixo espacial pode ser o responsável pela próxima emergência ambiental. Atualmente, existem mais de 130 milhões de fragmentos de detritos maiores que um milímetro orbitando a Terra.

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No entanto, talvez não seja necessário buscar uma solução para todos eles. Segundo um estudo liderado por Darren McKnight, doutor em ciências da engenharia aeroespacial pela Universidade do Colorado, nos EUA, o foco deve estar na remoção de 50 equipamentos espaciais mais antigos.

De acordo com o site Ars Technica, a proposta foi apresentada por McKnight na sexta-feira (10) no Congresso Internacional de Astronáutica, em Sydney, Austrália.

Objetos aumentam o risco de colisões espaciais (Imagem: Dotted Yeti/Shutterstock)

Equipamentos concentram o maior risco de colisões

  • Os objetos na lista do estudo são principalmente foguetes à deriva no espaço após o fim de suas missões;
  • Do total, 34 são da Rússia (inclusive do período da União Soviética), 10 da China, três dos Estados Unidos, dois da Europa e um do Japão;
  • Cientistas afirmam que esses equipamentos são mais propensos a impulsionar a criação de lixo espacial na órbita baixa da Terra a partir de colisões com outros fragmentos;
  • Um eventual impacto de qualquer um deles com um objeto de tamanho modesto criaria uma quantidade incontável de detritos, desencadeando uma série de colisões em cascata;
  • A boa notícia é que a remoção de todos esses objetos reduziria os riscos em 50%;
  • Já no caso de apenas os 10 maiores serem retirados do espaço, as chances de colisão cairiam para 30%.

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Equipamentos são mais antigos e estão à deriva no espaço (Imagem: Christoph Burgstedt/Shutterstock)

Possíveis efeitos do acúmulo do lixo espacial

A previsão é que cerca 100 mil espaçonaves possam circundar a Terra até o final desta década. A maioria pertencente à megaconstelação de satélites de internet Starlink, da SpaceX, que estão atualmente planejados ou sendo implantados. Já a quantidade de lixo espacial queimando na atmosfera anualmente deve ultrapassar 3.300 toneladas.

A maioria dos foguetes em uso hoje funciona com combustíveis fósseis e libera fuligem, que absorve calor e pode aumentar as temperaturas nos níveis superiores da atmosfera da Terra. A incineração atmosférica de satélites produz óxidos de alumínio, que também podem alterar o equilíbrio térmico do planeta.

Lixo espacial pode ser o responsável pela próxima emergência ambiental (Imagem: Dotted Yeti/Shutterstock)

Ambos os tipos de emissões também têm o potencial de destruir o ozônio, o gás protetor que impede que a perigosa radiação ultravioleta (UV) atinja a superfície da Terra. E também podem produzir anomalias significativas de temperatura na estratosfera. Outro efeito desse manto de cinzas metálicas que está se formando na estratosfera como resultado das reentradas dos satélites pode ser a interferência no campo magnético do planeta.

Essas poeiras podem enfraquecer o campo magnético, possivelmente permitindo que uma radiação cósmica mais prejudicial atinja a superfície terrestre. Quanto maior a altitude das partículas de poluição do ar, mais tempo elas permanecerão na atmosfera e mais tempo terão para causar estragos. E o tamanho dessas consequências ainda é algo desconhecido.

Alessandro Di Lorenzo é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e atua na área desde 2014. Trabalhou nas redações da BandNews FM em Porto Alegre e em São Paulo.

Flavia Correia
Redator(a)

Jornalista formada pela Unitau (Taubaté-SP), com Especialização em Gramática. Já foi assessora parlamentar, agente de licitações e freelancer da revista Veja e do antigo site OiLondres, na Inglaterra.