Seria o objeto interestelar 3I/ATLAS uma espaçonave alienígena? Cientista iz que encontro com o Sol pode ser revelador. Crédito: Imagem gerada por IA/Gemini
Uma das hipóteses mais curiosas sobre o cometa 3I/ATLAS pode ser esclarecida nos próximos dias: seria esse visitante interestelar uma espaçonave alienígena? De acordo com um polêmico físico da Universidade de Harvard, Avi Loeb, a passagem pelo periélio (ponto mais próximo do Sol) será decisiva para desvendar esse mistério.
Periélio pode esclarecer se cometa 3I/ATLAS é uma espaçonave alienígena;
Descoberto em julho, este é o terceiro objeto detectado vindo de fora do Sistema Solar;
Apresenta composição incomum e anticauda, fenômeno raro, mas existente, em cometas;
Por estar se aproximando do Sol, ele está invisível aos telescópios temporariamente;
Físico polêmico de Harvard sugeriu possibilidade de espaçonave, mas hipótese é improvável;
NASA afirma que o 3I/ATLAS se comporta como cometa interestelar comum.
Animação mostra o cometa 3I/ATLAS em movimento com a junção de imagens obtidas a partir de Farm Tivoli, na Namibia, na noite do eclipse lunar de setembro de 2025. Crédito: Michael Jaeger via Spaceweather.com
Descoberto em 1º de julho pelo Sistema de Alerta de Impacto Terrestre de Asteroides (ATLAS), financiado pela NASA, este é o terceiro objeto confirmado vindo do espaço interestelar, depois do asteroide 1I/‘Oumuamua, em 2017, e do cometa 2I/Borisov, em 2019. Logo ficou claro que se tratava de um cometa, ainda que com algumas peculiaridades que despertaram a atenção dos pesquisadores.
O 3I/ATLAS apresenta uma composição química incomum, além de uma anticauda – um rastro de poeira que aponta na direção oposta ao esperado, fenômeno raro, mas já observado em outros cometas.
Imagem composta do cometa 3I/ATLAS mostrando emissão difusa assimétrica para o noroeste. Abaixo, a mesma imagem contornada, com barra de escala e setas de direção. As setas amarela e verde marcam, respectivamente, o vetor de velocidade heliocêntrica negativa projetada e a direção antissolar projetada. Crédito: David Jewitt et. al.
Mudança de direção do objeto após passar pelo Sol pode ser confirmação
Neste momento, o objeto está se movendo para uma região atrás do Sol, motivo pelo qual está invisível aos telescópios terrestres. Na próxima quarta-feira (29), ele atingirá a distância mínima da nossa estrela.
Os dias em torno do periélio são uma etapa crucial, pois é quando o calor solar faz os cometas liberarem gases e poeira, revelando informações sobre sua estrutura e origem. Antes de desaparecer de vista, o 3I/ATLAS já apresentava atividade a 6,4 unidades astronômicas (UA) do Sol – algo equivalente a 960 milhões de km (mais longe que a órbita de Júpiter).
A ausência de observações diretas tem alimentado especulações mais ousadas. Loeb, conhecido por propor ideias provocativas, sugeriu que o 3I/ATLAS poderia não ser um objeto natural. Segundo ele, se for uma nave alienígena, ele pode tentar realizar uma “manobra de Oberth”, técnica que usa a gravidade de uma estrela para acelerar e mudar de direção, algo impossível para um cometa.
Sequência de imagens do cometa 3I/ATLAS capturadas pelo satélite ExoMars TGO, da ESA, a partir da órbita de Marte. Crédito: ESA/TGO/CaSSIS
NASA descarta hipótese e garante: 3I/ATLAS é um cometa interestelar
A hipótese, no entanto, é considerada altamente improvável pela comunidade científica. O próprio Loeb afirma que sua proposta é, em parte, um exercício de imaginação para incentivar o debate sobre possíveis sinais de tecnologia extraterrestre. Ainda assim, ele chegou a estimar em “30 a 40%” a chance de o objeto não ser natural – previsão que poucos cientistas consideram plausível.
Para a NASA, as evidências disponíveis levam a uma explicação simples: o 3I/ATLAS é um cometa interestelar. E ponto. “Ele parece um cometa, age como um cometa e se comporta como um cometa”, resumiu Tom Statler, cientista-chefe da agência espacial, em uma entrevista recente ao The Guardian. Apesar de pequenas diferenças, o comportamento do objeto é o mesmo de outros corpos congelados vindos de fora do Sistema Solar.
Após o periélio, se o 3I/ATLAS mantiver sua rota natural rumo ao espaço interestelar, a ideia de uma “nave alienígena” cairá por terra. Mas, se algo inesperado acontecer, telescópios e sondas estarão atentos – embora a teoria tenha chances mínimas. Até agora, tudo indica que o misterioso visitante é realmente apenas mais um cometa, e não um mensageiro tecnológico das estrelas.
Jornalista formada pela Unitau (Taubaté-SP), com Especialização em Gramática. Já foi assessora parlamentar, agente de licitações e freelancer da revista Veja e do antigo site OiLondres, na Inglaterra.
Bruno Capozzi é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP, tendo como foco a pesquisa de redes sociais e tecnologia.