Em mercados extremamente competitivos, para que uma empresa se destaque e tenha sucesso, não basta apenas ter um produto inovador. Muitas vezes, é necessário focar em um público específico, em vez de tentar conquistar o mundo todo.
É isso que a Anthropic, com o apoio da Amazon e do Google, está fazendo: concentrando-se no mercado corporativo, em vez de disputar espaço no mercado de massa, dominado pela OpenAI e outras gigantes.
Opção da Anthropic por apostar no mercado corporativo pode ser a chave para o sucesso de sua estratégia de negócios. Imagem: Nichcha/Shutterstock
Opção natural para tornar um negócio de IA sustentável
Talvez você já esteja até cansado de ler sobre a possível bolha da IA. Mas a verdade é que as empresas do setor ainda não conseguiram tornar seus negócios realmente sustentáveis. A OpenAI, por exemplo, teve um prejuízo de cerca de US$ 5 bilhões (R$ 27 bilhões) em 2024 e já gastou, neste ano, US$ 2,5 bilhões (R$ 13,5 bilhões) a mais do que faturou.
A OpenAI foca no público de massa — tanto que o ChatGPT tem atualmente 800 milhões de usuários semanais. De sua receita anual, de US$ 13 bilhões (R$ 79,2 bilhões), apenas 30% vêm de empresas.
Já a Anthropic segue outro caminho: 80% de sua receita é proveniente de clientes corporativos. Embora tenha menor popularidade, a empresa se destaca nesse nicho, alcançando uma receita anual projetada de até US$ 9 bilhões (R$ 48,6 bilhões).
Mesmo com 800 milhões de usuários por semana no ChatGPT, a OpenAI enfrenta dificuldades para monetizar esse público. Imagem: JarTee/Shutterstock
Anthropic apresenta receita por usuário maior que a OpenAI
Segundo levantamento da Menlo Ventures, a Anthropic lidera o mercado de IA corporativa (32% contra 25% da OpenAI) e ferramentas de codificação (42% contra 21%), evidenciando sua força entre empresas e desenvolvedores.
Apesar de ambas contarem com o suporte de gigantes da tecnologia — que garantem infraestrutura de IA e acesso a grandes bases de clientes —, é mais fácil entender o crescimento da Anthropic.
A empresa se beneficia de uma demanda crescente entre clientes corporativos que investem em codificação, jurídico e automação de faturamento. Esse foco tem atraído novos contratos e contribuiu para que a própria Microsoft integrasse o Claude ao Copilot, mesmo mantendo laços com a OpenAI.
Já a OpenAI enfrenta dificuldades para monetizar seu público. Seu modelo de receita depende principalmente de assinaturas, o que é insuficiente para cobrir os altos custos de desenvolvimento. A empresa considera apostar em publicidade como alternativa, mas a integração de anúncios em chats ainda é incerta.
A Anthropic está extremamente focada nesses casos de uso corporativos com agentes e está jogando um jogo muito competitivo com a OpenAI.
Rayan Krishnan, cofundador da Vals AI, plataforma de avaliação de modelos de IA, ao WSJ.
Outro problema enfrentado pela OpenAI é sua imagem mais “liberal”, acentuada depois da divulgação de permitir conversas eróticas no ChatGPT, que pode afastar clientes corporativos. Imagem: Tatiana Diuvbanova / Shutterstock)
Chat erótico e imagem “liberal” também afastam clientes corporativos
Além disso, a OpenAI tem uma imagem mais “liberal”, reforçada pela decisão de permitir conversas eróticas no ChatGPT, o que pode afastar clientes corporativos que preferem soluções mais neutras.
Enquanto isso, a Anthropic consolida sua reputação como fornecedora de IA voltada à eficiência e confiabilidade empresarial.
Entenda a movimentação das empresas no mercado
OpenAI mantém foco no consumidor final, com 800 milhões de usuários semanais.
Receita anual estimada da OpenAI: US$ 13 bilhões (30% de empresas).
Anthropic concentra 80% da receita em clientes corporativos.
Receita anual projetada da Anthropic: US$ 7–9 bilhões.
Participação de mercado em codificação: 42% Anthropic × 21% OpenAI.
Participação em uso corporativo geral: 32% Anthropic × 25% OpenAI.
Anthropic supera a OpenAI em receita por usuário e presença no segmento empresarial, segundo a Vals AI.
Bruno Capozzi é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP, tendo como foco a pesquisa de redes sociais e tecnologia.