Como é feito o controle de qualidade dos combustíveis no Brasil?

Descubra como a ANP fiscaliza a qualidade de combustíveis, como gasolina e etanol, e saiba evitar fraudes na hora de abastecer
Por Bruno Ignacio de Lima, editado por Layse Ventura 30/11/2025 04h20
Gasolina
Profissional analisando a qualidade da gasolina - Imagem: FOTOGRIN/Shutterstock
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Todo motorista brasileiro já passou por aquele frio na barriga ao abastecer em um posto desconhecido: “Será que essa gasolina é boa ou vai deixar meu carro engasgando?”. A preocupação é legítima, afinal, combustível adulterado é um problema e pode causar prejuízos enormes ao motor e ao bolso.

Mas, você sabia que existe um caminho rigoroso que o combustível percorre antes de chegar ao tanque do seu carro? O Brasil possui um sistema estruturado de fiscalização e testes técnicos para garantir que o que sai da bomba seja exatamente o que você pagou. Vamos entender como esse processo funciona.

O que é o controle de qualidade dos combustíveis?

Bombas de abastecimento em posto de gasolina
Bombas de abastecimento em posto de gasolina (Imagem: PlaNet Fox/Pixabay)

O controle de qualidade não é apenas uma “blitz” ocasional, é um processo contínuo de monitoramento das características químicas e físicas dos produtos que movem nossa frota de veículos (gasolina, etanol e diesel). Esse monitoramento serve para assegurar que os combustíveis atendam às especificações técnicas definidas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

O objetivo principal é triplo: proteger o motor do veículo contra desgastes prematuros, garantir o desempenho prometido e minimizar a emissão de poluentes na atmosfera.

Esse controle acontece em várias etapas da cadeia. Ele começa nas refinarias e usinas, passa pelas bases de distribuição e termina nos postos revendedores. A análise laboratorial avalia itens como pureza, densidade e cor, garantindo que não haja solventes proibidos ou excesso de água na mistura. Para entender melhor a logística e como as distribuidoras atuam para manter o padrão, vale conferir como funciona o controle de qualidade de combustíveis desde a origem.

Gasolina, álcool e mais: como é feito o controle de qualidade dos combustíveis no Brasil?

A mágica (ou melhor, a química) do controle de qualidade acontece tanto nos laboratórios de ponta quanto na pista do posto, bem na sua frente.

Quem faz e onde é feito? A responsabilidade é compartilhada. As distribuidoras testam o produto antes de enviá-lo aos caminhões-tanque. Já a ANP realiza o PMQC (Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis), coletando amostras aleatórias em todo o país para análises complexas. Porém, a linha de defesa mais imediata é o próprio consumidor e o posto revendedor.

Bombas antifraude serão aliadas no combate a golpes em postos de combustível (Imagem: Olhar Digital)
Bombas antifraude serão aliadas no combate a golpes em postos de combustível (Imagem: Olhar Digital)

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Dispositivos e o “Teste da Proveta”: Para a gasolina, o teste mais famoso e eficaz contra fraudes de volume é o da proveta. Ele serve para verificar se a quantidade de etanol misturado à gasolina está dentro do limite legal. Vale lembrar que, com a Lei do Combustível do Futuro, a mistura obrigatória subiu: atualmente, a gasolina comum deve conter 30% de etanol (podendo chegar a 35% em casos específicos), e não mais os antigos 27%.

O processo funciona assim:

  1. Coleta: O frentista pega uma amostra do combustível da bomba.
  2. Mistura: Em uma proveta de 100 ml, coloca-se 50 ml de gasolina e 50 ml de uma solução de água com sal.
  3. Resultado: Como o álcool migra para a água, eles se separam da gasolina pura. Pela marcação na régua da proveta, verifica-se se a separação obedece à proporção de 30%.

Além da proveta, utiliza-se o densímetro (para checar a massa específica do etanol e da gasolina) e o termômetro, pois a temperatura altera o volume do líquido.

Você não precisa esperar uma fiscalização oficial. Se desconfiar do rendimento do seu carro, você tem o direito de exigir o teste. O resultado desses testes de pista (aspecto, cor e densidade) sai em poucos minutos, ali mesmo. Já análises de adulterações mais sofisticadas (como uso de metanol) exigem coleta de amostra para laboratório. Para saber mais sobre seus direitos e detalhes técnicos, consulte as informações oficiais sobre a qualidade dos produtos na página da ANP.

Bruno Ignacio de Lima
Colaboração para o Olhar Digital

Bruno Ignacio é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Com 10 anos de experiência, é especialista na cobertura de tecnologia e conteúdo perene. Atualmente, é colaborador no Olhar Digital.

Layse Ventura
Editor(a) SEO

Layse Ventura é jornalista (Uerj), mestre em Engenharia e Gestão do Conhecimento (Ufsc) e pós-graduada em BI (Conquer). Acumula quase 20 anos de experiência como repórter, copywriter e SEO.