Por que gansos são tão agressivos? Descubra a origem desta fúria

Entenda como o instinto de proteção e a defesa de território explicam a agressividade dos gansos e descubra por que eles atacam humanos
Por Bruno Ignacio de Lima, editado por Layse Ventura 30/11/2025 08h20
Um par de gansos do Canadá se aproxima com um deles gritando com o bico bem aberto
Os gansos, mesmo domesticados, continuam territoriais e reagem com grasnados e postura defensiva a aproximações/Shutterstock_Cami Johnson
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Caminhar por um parque em um dia ensolarado parece o cenário ideal para relaxar, até que você ouve um som inconfundível. De repente, uma criatura de pescoço longo e olhar fixo corre em sua direção batendo as asas furiosamente.

Se a internet está cheia de vídeos de pessoas fugindo desesperadas de gansos, a ciência explica que não se trata de maldade: existe uma lógica biológica e evolutiva por trás desse comportamento “briguento” dessas aves.

Esses “cães de guarda” da natureza levam a proteção de seu território muito a sério, e o que interpretamos como raiva é, na verdade, um instinto de sobrevivência extremamente aguçado.

Já foi perseguido por um ganso? Entenda por que eles são tão agressivos

Diferente de muitas aves que fogem ao menor sinal de perigo, o ganso opta pelo confronto. A principal razão para essa postura belicosa é a defesa incondicional da prole e do ninho.

Durante a temporada de nidificação, que geralmente ocorre na primavera, os níveis hormonais dos gansos se alteram, tornando-os hipersensíveis a qualquer intruso. Especialistas em comportamento animal apontam que os gansos são agressivos principalmente para proteger seus ovos e filhotes, vendo humanos (ou qualquer animal maior) não como amigos, mas como predadores em potencial. Eles não atacam por esporte; atacam porque acreditam que sua família está em risco iminente.

ganso branco em foco com a boca aberta como se estivesse gritando
Na convivência humana, os gansos revelam-se guardiões atentos, capazes de substituir cães como sentinelas/Shutterstock_MFrance

Memória de elefante… ou de ganso?

Outro fator fascinante é a capacidade cognitiva dessas aves. Eles são animais de hábitos e possuem uma excelente memória visual. Se você frequenta o mesmo local que eles e, em algum momento, foi identificado como uma ameaça, é provável que eles se lembrem.

A organização The Humane Society destaca que os gansos preferem áreas urbanas com gramados curtos e acesso à água para ter visão clara de predadores. Quando invadimos essa “zona de segurança” criada por eles, o confronto é quase certo. Eles defendem o local onde se sentem seguros para comer e descansar.

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(Imagem: YesPhotographers/Shutterstock)

A linguagem corporal do ataque

Antes de partir para a bicada física, o ganso dá vários avisos que nós, humanos, muitas vezes ignoramos ou achamos engraçados. Segundo o renomado Laboratório de Ornitologia de Cornell, o comportamento de defesa inclui bombear a cabeça, silvar e abrir as asas para parecer maior.

Essa exibição visual serve para evitar a luta física, que custa energia. O ataque direto é o último recurso. Portanto, se um ganso esticar o pescoço e começar a emitir sons agudos em sua direção, ele não está querendo fazer amizade.

O que fazer (e o que não fazer)

Caso se depare com um ganso furioso, a regra de ouro é: não corra. Correr pode ativar o instinto de perseguição do animal. O recomendado é manter contato visual, ficar de frente para a ave e recuar lentamente.

Embora seus “dentes” (serrilhas no bico chamadas de tomia) possam causar beliscões dolorosos, a maior ferida geralmente é no orgulho de quem sai correndo em pânico pelo parque.

Bruno Ignacio de Lima
Colaboração para o Olhar Digital

Bruno Ignacio é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Com 10 anos de experiência, é especialista na cobertura de tecnologia e conteúdo perene. Atualmente, é colaborador no Olhar Digital.

Layse Ventura
Editor(a) SEO

Layse Ventura é jornalista (Uerj), mestre em Engenharia e Gestão do Conhecimento (Ufsc) e pós-graduada em BI (Conquer). Acumula quase 20 anos de experiência como repórter, copywriter e SEO.