Inteligência artificial acelera ciberataques e pressiona defesa dos EUA

Avanço da IA turbina ataques cibernéticos e expõe fragilidades nas defesas digitais dos EUA, já pressionadas por cortes e falta de pessoal
Por Valdir Antonelli, editado por Layse Ventura 30/11/2025 04h40
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Imagem: Ozrimoz/Shutterstock
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Os Estados Unidos enfrentam um desafio sem tamanho e estão vendo suas defesas enfraquecerem exatamente quando a inteligência artificial eleva a escala e a sofisticação dos ataques.

Segundo o Washington Post, autoridades, ex-agentes e empresas alertam que cortes na CISA (Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos EUA), falta de pessoal e de liderança deixam o país mais vulnerável a hackers e espiões.

Uso crescente de IA por atacantes expõe fragilidades nas defesas dos EUA, agravadas por cortes e falta de pessoal em órgãos federais.
Uso crescente de IA por atacantes expõe fragilidades nas defesas dos EUA, agravadas por cortes e falta de pessoal em órgãos federais. Imagem: VRVIRUS / Shutterstock)

Uma combinação explosiva: IA + estruturas enfraquecidas

Como você já deve saber, a IA está sendo usada para potencializar ataques cibernéticos, automatizando a busca por vulnerabilidades e acelerando invasões em larga escala. Ao mesmo tempo, o governo federal enfrenta redução de pessoal e incerteza estratégica nas agências responsáveis pela defesa, segundo entrevistas com autoridades e especialistas externos.

O alerta partiu até de um grupo empresarial que reúne gigantes de segurança. “Uma nova liderança é necessária para proteger nossa nação das crescentes ameaças cibernéticas”, escreveu a Cybersecurity Coalition, associação comercial que reúne empresas de segurança e gigantes da tecnologia, incluindo Microsoft, Google e Cisco, em carta à Casa Branca.

Entre as preocupações estão cortes que reduziram significativamente o quadro da CISA, além do aumento do uso de IA por atacantes, combinação que pressiona por maior cooperação entre governo e setor privado.

Gigantes de tecnologia pedem nova liderança para enfrentar ameaças cibernéticas crescentes impulsionadas por IA.
Gigantes de tecnologia pedem nova liderança para enfrentar ameaças cibernéticas crescentes impulsionadas por IA. Imagem: Chayada Jeeratheepatanont/iStock

Exemplos recentes e falhas apontadas

Relatos internos e públicos descrevem casos concretos. A Anthropic afirmou que hackers apoiados por um governo externo usaram sua ferramenta para criar agentes autônomos que viabilizaram uma campanha de espionagem contra empresas de tecnologia, bancos, indústrias químicas e órgãos públicos. A empresa disse que os agentes encontraram conjuntos de dados e falhas não corrigidas com pouca supervisão humana.

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Além disso, um memorando interno da CISA aponta uma taxa de vacância de aproximadamente 40% em áreas-chave do órgão, enquanto demissões e saídas por frustração reduziram capacidades críticas. Ainda assim, a agência continuou a emitir alertas e orientar respostas em casos urgentes.

O número de funcionários diminuiu e a capacidade foi drasticamente reduzida. Quer queiramos ou não, não estamos tão fortes hoje quanto precisamos estar.

Chris Krebs, diretor fundador da CISA, ao Washington Post.
Fragilidade das defesas federais afeta redes críticas e expõe impactos de decisões políticas em segurança digital.
Fragilidade das defesas federais afeta redes críticas e expõe impactos de decisões políticas em segurança digital. Imagem: FlyD/Unsplash

Consequências práticas

A fragilidade das defesas federais tem repercussões reais, desde redes de telecomunicações potencialmente menos protegidas, após decisões regulatórias recentes, até atrasos na nomeação de diretores na CISA e na NSA. O balanço entre segurança e decisões políticas aparece em debates sobre proibições de equipamentos estrangeiros e medidas de aquisições federais.

Impactos imediatos a acompanhar:

  • Aumento da superfície de ataque por agentes automatizados com IA.
  • Menor capacidade de resposta federal diante de incidentes coordenados.
  • Possível transferência de risco para o setor privado e usuários finais.

Esses episódios revelam um cenário em que atacantes avançam rapidamente enquanto órgãos federais lidam com equipes reduzidas e diretrizes instáveis – uma diferença de ritmo que ajuda a explicar por que os Estados Unidos parecem mais expostos e por que cresce a cobrança por reforço institucional.

Valdir Antonelli
Colaboração para o Olhar Digital

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

Layse Ventura
Editor(a) SEO

Layse Ventura é jornalista (Uerj), mestre em Engenharia e Gestão do Conhecimento (Ufsc) e pós-graduada em BI (Conquer). Acumula quase 20 anos de experiência como repórter, copywriter e SEO.