Apple enfrenta críticas na Europa por práticas de cobrança na App Store

Coalizão pede que a Europa aplique o DMA contra taxas da Apple. Desenvolvedores dizem que políticas da Apple prejudicam empresas europeias.
Desenvolvedores pressionam Europa por ação contra taxas da Apple
AltStore PAL já pode ser instalada no Brasil no iPhone com iOS 26.5 ou superior e traz nova loja alternativa ao sistema da Apple. Imagem: Tada Images / Shutterstock

Uma coalizão formada por cerca de 20 desenvolvedores de aplicativos e grupos de defesa do consumidor pediu que autoridades da Europa reforcem a aplicação das regras do bloco contra a Apple, alegando que a estrutura de taxas da empresa continua a prejudicar companhias europeias.

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O apelo ocorre após uma decisão judicial nos Estados Unidos que limitou a capacidade da Apple de cobrar comissões sobre transações feitas fora de seu ecossistema, criando, segundo os desenvolvedores, um desequilíbrio entre os mercados europeu e americano. As informações são da Reuters.

O pedido foi direcionado à Comissão Europeia e se baseia nas exigências do Digital Markets Act (DMA), legislação implementada em 2023 com o objetivo de regular grandes plataformas digitais classificadas como “gatekeepers”. Entre outros pontos, o DMA determina que essas empresas permitam transações dentro dos aplicativos fora de seus próprios sistemas, sem cobrança de taxas.

Regras do DMA e o embate com a Apple

No início deste ano, a Comissão Europeia multou a Apple em 500 milhões de euros por violar o DMA ao impedir que desenvolvedores direcionassem usuários a métodos alternativos de pagamento. Em resposta, a empresa revisou suas políticas na App Store na Europa, passando a aplicar taxas que variam de 13% para pequenos negócios a até 20% sobre compras feitas na loja de aplicativos. Além disso, estabeleceu penalidades adicionais, entre 5% e 15%, para transações realizadas fora de seu sistema.

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No início deste ano, a Comissão Europeia multou a Apple em 500 milhões de euros por violar o DMA (Imagem: 360b/Shutterstock)

Para a Coalition for Apps Fairness (CAF), entidade que representa empresas como Deezer e Proton, essas mudanças não cumprem o espírito nem a letra do DMA. A organização argumenta que, mesmo após a revisão, a Apple continua cobrando valores que configurariam uma violação da exigência de permitir transações externas “gratuitamente”.

O debate ganhou força após uma decisão judicial nos Estados Unidos restringir a capacidade da Apple de impor taxas sobre pagamentos externos naquele país. Segundo a CAF, essa situação acabou criando um cenário em que desenvolvedores americanos se beneficiam de condições mais favoráveis do que seus equivalentes europeus, apesar de a legislação da Europa ser, em tese, mais rigorosa.

Impacto para desenvolvedores e consumidores europeus

Em comunicado, a CAF classificou o cenário como “insustentável e prejudicial para a economia de aplicativos”, acusando a Apple de minar a transparência e sufocar a inovação. Para a entidade, os desenvolvedores europeus são forçados a escolher entre absorver os custos adicionais impostos pela empresa ou repassá-los aos consumidores finais.

Fachada de loja da Apple
Coalizão acusa a Apple de minar a transparência e sufocar a inovação (Imagem: Tada Images/Shutterstock)

Gene Burrus, conselheiro global de políticas públicas da CAF, afirmou que o problema afeta diretamente empresas e usuários na Europa. Segundo ele, seis meses após a Comissão Europeia declarar ilegais as práticas da Apple sob o DMA, os desenvolvedores continuam em desvantagem competitiva.

Embora a Apple tenha anunciado que novas mudanças em suas políticas entrarão em vigor a partir de janeiro, a empresa ainda não detalhou quais serão essas revisões. A falta de clareza tem alimentado a insatisfação do setor, que cobra uma posição mais firme das autoridades europeias.

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Entre as principais reivindicações da coalizão estão:

  • aplicação integral do Digital Markets Act, sem exceções;
  • garantia de que transações externas sejam realmente livres de cobrança;
  • igualdade de condições entre desenvolvedores europeus e americanos;
  • maior transparência nas regras e taxas da App Store.
app store
Coalizão quer maior transparência nas regras e taxas da App Store (Imagem: PixieMe/Shutterstock)

Para Burrus, a Comissão Europeia deve deixar claro que “a lei é a lei” e que o conceito de gratuidade previsto no DMA não pode ser reinterpretado. Ele também sugeriu que, se necessário, o caso seja encaminhado ao Tribunal de Justiça da União Europeia.

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O embate reforça a tensão contínua entre grandes empresas de tecnologia e reguladores da Europa, que buscam limitar o poder de mercado das chamadas big techs. No centro da discussão está o papel da Apple como operadora de um ecossistema fechado e altamente lucrativo, e a capacidade do DMA de garantir concorrência justa e proteção aos consumidores no mercado digital europeu.

Maurício Thomaz
Maurício Thomaz

Jornalista com mais de 13 anos de experiência, tenho faro pela audiência e verdadeira paixão em buscar alternativas mais assertivas para a entrega do conteúdo ao usuário.

Bruno Capozzi
Bruno Capozzi

Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.

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