Mistério: esqueleto de cão e adaga de 5 mil anos são encontrados juntos

Descoberta arqueológica durante obras de ferrovia sugere ritual cerimonial na Idade da Pedra, com sepultamento do animal
Matheus Chaves
Matheus Chaves, editado por Lucas Soares 20/12/2025 06:50, atualizada em 05/01/2026 15:01
Esqueleto cão
A adaga de osso presente no centro inferior da imagem em relação ao esqueleto do cão que está exatamente no centro (Imagem: Arkeologerna, SHM)

Durante escavações para a construção de uma linha ferroviária de alta velocidade perto de Gerstaberg, na região sul da Suécia, arqueólogos encontraram um conjunto excepcional de restos antigos. A equipe do grupo sueco Arkeologerna localizou o esqueleto de um cão datado de aproximadamente 5 mil anos. 

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O mais impressionante, contudo, não foi apenas a preservação óssea, mas o fato de o animal ter sido enterrado com um objeto incomum: uma adaga feita de osso de cervídeo, possivelmente usada como item simbólico ou cerimonial.

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Enterro deliberado em ambiente aquático

Os estudos indicam que o local, hoje uma turfa, era originalmente um lago claro frequentado por comunidades pré-históricas para pesca há milênios. A ossada do cão foi localizada a cerca de 1,5 metro de profundidade, aproximadamente 30 a 40 metros da borda original do lago, o que levou os pesquisadores a concluir que o sepultamento foi intencional e realizado sob a água. A hipótese é que o corpo tenha sido colocado dentro de um recipiente de couro ou pele, carregado com pedras para afundar deliberadamente o animal no leito do lago.

O macho, de grande porte e estimado entre 3 e 6 anos de idade, media cerca de 52 centímetros de altura nos ombros e mostrava sinais de uma vida ativa, o que reforça a ideia de que não se tratou de um achado aleatório, mas de uma prática proposital.

Adaga de osso: símbolo e significado

Ao lado do cão, os arqueólogos encontraram uma adaga de aproximadamente 25 centímetros de comprimento, trabalhada com acabamento fino a partir do osso de alce ou veado vermelho. Objetos semelhantes — especialmente lâminas de osso de animais — já foram documentados em outros sítios escavados na Suécia e tendem a aparecer em ambientes úmidos ou alagados, o que aponta para um forte componente simbólico ou ritualístico associado a esses artefatos.

Especialistas consideram que essa combinação entre sepultamento animal e presença de um objeto rituais não se limita a um ato funerário simples, mas possivelmente indica uma prática cerimonial complexa realizada pelos habitantes pré-históricos daquela região.

Laboratório e novas análises

O próximo passo dos pesquisadores inclui datação por radiocarbono, análises isotópicas e sequência de DNA dos restos do cão. Esses exames deverão confirmar a idade exata dos achados e fornecer informações detalhadas sobre a dieta do animal, sua origem e o estilo de vida das comunidades humanas contemporâneas que o sepultaram. 

Fontes: Arkeologerna, Cision e LiveScience

Matheus Chaves
Matheus Chaves

Matheus Chaves é redator(a) no Olhar Digital

Lucas Soares
Lucas Soares

Lucas Soares é editor de Ciência e Espaço no Olhar Digital e formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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