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Cientistas afirmam estar mais próximos de identificar fragmentos do DNA de Leonardo da Vinci, um dos nomes mais emblemáticos do Renascimento europeu. A conclusão vem de um estudo que analisou material genético encontrado em uma obra atribuída ao artista e em documentos ligados a seus parentes, sugerindo uma possível conexão biológica inédita até agora.
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O trabalho foi conduzido por pesquisadores do Leonardo da Vinci DNA Project e apresentado nesta semana em um artigo preliminar publicado no servidor BioRxiv. Embora os autores ressaltem que ainda não é possível confirmar a identidade do DNA com certeza absoluta, os resultados apontam para um avanço relevante na tentativa de reconstruir a história genética do pintor, inventor e cientista italiano.

Amostras genéticas em desenho e cartas familiares de Leonardo da Vinci
Os pesquisadores analisaram amostras coletadas de um desenho em giz vermelho possivelmente atribuído a Leonardo da Vinci, além de cartas escritas por um primo conhecido do artista. A partir desse material, foram identificadas sequências do cromossomo Y humano pertencentes ao mesmo grupo genético, com ancestralidade comum na Toscana, região onde da Vinci nasceu.
Segundo o estudo, essas sequências fazem parte da linhagem E1b1b, transmitida de pai para filho ao longo de gerações. A presença desse mesmo marcador genético tanto no desenho quanto nas cartas sugere que o material biológico pode estar ligado à família de Leonardo da Vinci, o que abre caminho para uma possível identificação direta do DNA do artista.

Limites e potencial da genética aplicada à arte
Os próprios autores destacam que os dados ainda exigem validação adicional. Mesmo assim, o método descrito no artigo demonstra como avanços recentes da genética podem influenciar a forma como obras de arte são estudadas, conservadas e autenticadas. Hoje, esses processos dependem principalmente da análise de traços artísticos e de avaliações históricas.
No artigo, os pesquisadores afirmam que a combinação de metagenômica com análise de marcadores de DNA humano pode se tornar uma base metodológica para estudos futuros em ciência do patrimônio cultural, incluindo investigações sobre procedência, autenticidade e histórico de manuseio de obras.
A busca pelo DNA perdido de Leonardo da Vinci
Apesar de sua fama, o histórico genético de Leonardo da Vinci permanece cercado de incertezas. Historiadores indicam que ele não teve filhos, o que dificulta rastrear descendentes diretos. Além disso, não é possível analisar seus restos mortais, já que a igreja onde foi enterrado entrou em ruínas após a Revolução Francesa, e pesquisadores não têm acesso ao túmulo que lhe é atribuído em Amboise, na França.
Diante dessas limitações, a equipe voltou sua atenção para vestígios biológicos deixados em obras associadas ao artista. O desenho analisado, intitulado “Holy Child”, fazia parte da coleção privada do marchand Fred Kline. Antes de sua morte, Kline autorizou o estudo da obra, que foi submetida a um processo de coleta considerado minimamente invasivo em abril de 2024.

Um mosaico genético de mais de 500 anos
Por ser poroso, o papel pode absorver suor e fragmentos de pele, que carregam DNA. No entanto, isso também significa que ele acumula material genético de várias origens ao longo do tempo. No caso de “Holy Child”, cerca de 99% do DNA recuperado não era humano, vindo de bactérias, fungos e plantas.
Mesmo assim, parte desse material ajudou a contextualizar historicamente a obra. Os pesquisadores encontraram sequências associadas a laranjeiras-doces (Citrus sinensis), cultivadas nos jardins dos Médici na Itália central durante a época de da Vinci. Também foram identificados fragmentos de DNA do parasita Plasmodium, endêmico na região e relacionado a mortes registradas entre membros da família Médici.
Comparação com cartas da família
Para restringir a análise do DNA humano, os cientistas recorreram a cartas que circularam entre descendentes da família da Vinci e que teriam sido lacradas com o polegar. Como o cromossomo Y se mantém praticamente inalterado ao longo das gerações masculinas, ele serve como um marcador confiável de linhagem.
A correspondência entre os segmentos do cromossomo Y encontrados nas cartas e no desenho reforça a hipótese de que ambos pertencem à mesma linha familiar. Ainda assim, o líder do estudo, o microbiologista Norberto Gonzalez-Juarbe, da Universidade de Maryland, enfatiza que os resultados são preliminares e precisam ser confirmados com novas amostragens.
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O que a ciência pode revelar a partir disso
Os autores destacam que esse tipo de análise só se tornou viável graças a técnicas modernas como o sequenciamento genômico shotgun, que permite ler todo o material genético presente em uma amostra de uma só vez. Bancos de dados genéticos amplos também facilitam a comparação e a interpretação dos resultados.
Caso o genoma de Leonardo da Vinci venha a ser sequenciado no futuro, ele poderia fornecer informações sobre características físicas, como cor dos olhos, cabelo e altura. Além disso, poderia ajudar a investigar hipóteses levantadas por historiadores da arte, como a ideia de que o artista teria uma percepção visual acima da média.
Os pesquisadores também apontam que a mesma abordagem poderia ser usada para verificar a autenticidade de outras obras atribuídas a da Vinci ou a diferentes artistas, comparando assinaturas biológicas deixadas nos materiais. Segundo o estudo, esse tipo de ferramenta poderia ter impacto direto no combate a fraudes no mercado de arte.
Para Gonzalez-Juarbe, o próximo passo é obter autorização para analisar mais desenhos e cartas ligados ao artista. O objetivo final, segundo ele, é compreender melhor a história, a linhagem e o legado de uma das figuras mais influentes da história ocidental.