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A Microsoft anunciou nesta quarta-feira (14) uma operação jurídica e técnica para desmantelar o RedVDS, que oferecia “serviço de cibercrime” e movimentava milhões de dólares em fraudes. A ação, realizada em conjunto com autoridades dos EUA, Reino Unido e Alemanha, resultou na apreensão de infraestrutura e na derrubada do marketplace no qual criminosos compravam acesso a computadores virtuais para aplicar golpes em larga escala.
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A ofensiva marca a 35ª ação civil da Unidade de Crimes Digitais da companhia e revela um cenário alarmante: desde março de 2025, o RedVDS gerou perdas de US$ 40 milhões (cerca de R$ 215 milhões) apenas nos Estados Unidos. O serviço permitia que golpistas utilizassem inteligência artificial (IA) generativa e ferramentas de clonagem de voz para tornar e-mails de phishing e fraudes imobiliárias mais convincentes e difíceis de rastrear.
RedVDS automatizava golpes e causava prejuízos milionários a empresas
O RedVDS funcionava como um modelo de assinatura acessível, cobrando apenas US$ 24 (R$ 129) por mês para oferecer máquinas virtuais descartáveis que disparavam milhões de mensagens maliciosas. Esse baixo custo operacional permitiu que criminosos aumentassem a escala de ataques do tipo BEC (comprometimento de e-mail empresarial), monitorando conversas legítimas para desviar pagamentos no momento exato das transações. Entre as vítimas diretas que se uniram à Microsoft no processo está uma farmacêutica do Alabama, que perdeu US$ 7,3 milhões (R$ 39 milhões) destinados a tratamentos de saúde.

A escala da operação impressiona pela eficiência técnica, com mais de 191 mil contas de e-mail da Microsoft comprometidas em 130 mil organizações ao redor do globo. Os criminosos focavam especialmente no setor imobiliário, no qual interceptavam instruções de pagamento de compradores de imóveis. Assim, drenavam economias de uma vida inteira em segundos. Países como Canadá, Reino Unido e Índia figuram entre os mais impactados pela rede, que agora teve seus domínios principais e servidores centrais confiscados pela polícia alemã e pela Europol.
A Microsoft destaca que o uso de IA para troca de rostos e manipulação de vídeo elevou o nível de perigo. Isso porque permitiu que golpistas se passassem por executivos ou parceiros comerciais de confiança. Esse tipo de tecnologia facilita a criação de mensagens multimídia realistas, o que aumenta a taxa de sucesso dos ataques mesmo contra sistemas de segurança robustos. A interrupção do serviço não apenas freia o prejuízo financeiro imediato, mas também fornece dados cruciais para identificar os operadores por trás da plataforma.
Para se proteger, a orientação é que usuários e empresas adotem o hábito de confirmar solicitações de pagamento por telefone e habilitem a autenticação multifator em todas as contas. A empresa reforça que ser vítima desses grupos profissionais não deve trazer estigma porque as táticas de engenharia social são altamente sofisticadas e desenhadas para explorar o timing das comunicações. Denunciar atividades suspeitas às autoridades é fundamental, pois cada relato ajuda a mapear e desmantelar redes de infraestrutura compartilhada como a RedVDS.
A estratégia da gigante de Redmond vai além das remoções individuais ao focar no desmantelamento dos serviços de suporte que alimentam o ecossistema do crime online. Ao atacar a base técnica que torna o crime barato e expansível, a companhia tenta elevar o custo operacional para os golpistas e proteger a integridade de seus serviços, como o Windows e o Outlook. Essa colaboração entre o setor privado e agências internacionais de aplicação da lei é vista como o único caminho viável para combater a industrialização do cibercrime.
Microsoft propõe tarifas mais altas para expandir IA sem que isso pese no bolso de cidadãos americanos
Em outra frente de responsabilidade corporativa, a Microsoft apresentou o plano “Community-First AI Infrastructure” para evitar que a expansão de seus data centers encareça a conta de luz da população (a princípio, dos EUA). Sob pressão política e social, a empresa propôs às concessionárias dos EUA a criação de tarifas mais altas para si mesma. O objetivo é garantir que os custos de novas subestações e linhas de transmissão necessárias para a IA não sejam repassados para as faturas residenciais.

A demanda energética dos data centers americanos pode triplicar até 2035, com expectativa de atingir 640 terawatts-hora por ano, o que gera o temor de inflação nos serviços básicos. Para mitigar esse impacto, a Microsoft já testa modelos de tarifação diferenciada em estados como Wyoming e Wisconsin, voltados para “clientes muito grandes”. O presidente dos EUA, Donald Trump, utilizou as redes sociais para apoiar a iniciativa e dizer que as big techs devem “pagar a própria conta” de energia.
Além do compromisso financeiro, a estratégia inclui o uso da própria IA para otimizar o resfriamento de servidores e o apoio ao desenvolvimento de energia nuclear para manter o fornecimento constante. A empresa também se comprometeu a não solicitar isenções de impostos sobre a propriedade, o que deve garantinr que a arrecadação local continue a financiar escolas e hospitais. Essa postura de “boa vizinhança” visa destravar projetos que enfrentavam resistência comunitária e ambiental em diversas regiões.
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O plano estende-se ao uso de recursos hídricos, com a meta de melhorar a eficiência hídrica em 40% até 2030 e devolver para as bacias locais mais água do que consome. Em áreas áridas como o Arizona, a companhia já investe no reparo de vazamentos em sistemas municipais para proteger o abastecimento público. A ideia é transformar o data center de uma construção isolada a um motor de inovação e emprego para os moradores do entorno por meio de programas de capacitação.
Brad Smith, presidente da Microsoft, compara essa expansão da infraestrutura digital às grandes ferrovias do passado, sendo essencial para a liderança tecnológica dos EUA. A empresa planeja exportar esse modelo de atuação para suas operações em outros países, adaptando o protocolo de transparência e sustentabilidade às legislações de cada lugar.