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Uma equipe internacional de pesquisadores anunciou a descoberta do fóssil mais completo já identificado de Homo habilis, uma das espécies ancestrais do gênero dos humanos. Ele é, possivelmente, o exemplar mais antigo dessa espécie.
O achado tem cerca de 2 milhões de anos e funciona como uma peça chave para entender a evolução humana, chegando até o Homo sapiens.

Fóssil é o mais completo e mais antigo da espécie
Os fósseis foram encontrados ao longo da última década no norte do Quênia, espalhados por camadas geológicas datadas entre 2,02 e 2,06 milhões de anos. Cada fragmento foi analisado e remontado com cuidado pela equipe.
O material inclui uma dentição quase completa e fragmentos de diferentes partes do esqueleto, como omoplatas, braços, costelas, pélvis, fêmures e crânio. O esqueleto remontado é o mais completo de um Homo habilis até agora.
Segundo os pesquisadores, existem pouquíssimos registros comparáveis. Até hoje, apenas três esqueletos parciais da espécie eram conhecidos pela ciência – todos eles extremamente fragmentados.

Fóssil dá dicas sobre a evolução humana
O Homo habilis é amplamente reconhecido como um dos primeiros hominídeos a fabricar ferramentas de pedra. Ele surgiu após espécies do gênero Australopithecus (como a Lucy) e é frequentemente descrito como uma transição crucial entre os hominídeos que se locomoviam em árvores e o gênero Homo, nossos ancestrais bípedes.
Em comparação com a Lucy, que viveu mais de um milhão de anos antes, o Homo habilis apresentava uma caixa craniana maior, mas dentes e rosto menores. Os ossos dos dedos indicam o desenvolvimento da chamada preensão de precisão, habilidade essencial para o uso de ferramentas e o manuseio de alimentos.
O fóssil, batizado de KNM-ER 64061, sugere um indivíduo relativamente baixo e leve, com cerca de 1,60 metro de altura e peso estimado entre 30,7 e 32,7 quilos. Os ossos dos braços são mais longos e robustos do que os observados em fósseis de Homo erectus, espécie que coexistiu com o H. habilis por centenas de milhares de anos.
Essas características levantam a hipótese de que o Homo habilis ainda passava parte significativa do tempo em árvores. No entanto, os pesquisadores são cautelosos com essa afirmação. A ausência de fósseis inferiores bem preservados dificulta qualquer conclusão definitiva.

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Um passo a mais na reconstrução da nossa história
A pesquisa, publicada recentemente no periódico The Anatomical Record, traz mais detalhes sobre a evolução humana:
- Evidências indicam que Homo habilis e Homo erectus coexistiram no leste da África entre 2,2 e 1,8 milhões de anos atrás;
- Esse cenário reforça a ideia de que a evolução humana não seguiu uma linha simples e contínua, mas sim uma trajetória ramificada, com múltiplas espécies compartilhando o mesmo espaço e período.
- A boa preservação do crânio torna o achado ainda mais relevante, já que registros cranianos associados a dentes são extremamente raros para espécies humanas tão antigas. A análise indica que o indivíduo era provavelmente um adulto jovem.