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Pesquisadores chineses anunciaram o desenvolvimento de um sistema capaz de calcular o tempo na Lua e sincronizá-lo com o tempo da Terra, levando em conta os efeitos da relatividade e da dilatação temporal. A ferramenta, chamada de “lunar time ephemeris”, surge em um momento em que o satélite natural passa a ser visto como um destino mais frequente para missões robóticas e, futuramente, tripuladas.
Atualmente, não existe um fuso horário oficial na Lua. Missões não tripuladas costumam usar o horário do país de origem da nave, enquanto os voos do programa Apollo adotavam o chamado Ground Elapsed Time, que conta o tempo a partir do lançamento. Com a perspectiva de mais veículos, robôs e estações operando ao mesmo tempo, a falta de um padrão comum pode se tornar um obstáculo para a coordenação e a segurança das operações.

Por que o tempo passa diferente na Lua
O desafio não se limita a escolher um “horário lunar”. Como explica a teoria da relatividade, o tempo é influenciado pela gravidade e pela velocidade. Em ambientes com menor atração gravitacional, como a Lua, os segundos passam de forma ligeiramente diferente em comparação com a Terra.
Em um memorando de 2024, a assessora científica da Casa Branca, Arati Prabhakar, destacou que, para um observador na Lua, um relógio na Terra aparenta perder cerca de 58,7 microssegundos por dia terrestre, além de variações periódicas. Esse descompasso tem impacto direto em comunicações, navegação e em sistemas autônomos que dependem de sincronização precisa.
Segundo o documento, falhas nesse alinhamento podem gerar erros de posicionamento em atividades sensíveis, como o pouso de espaçonaves ou o acoplamento em órbita lunar, que exigem precisão maior do que os métodos atuais conseguem oferecer.

A proposta dos cientistas chineses
Enquanto os Estados Unidos avançam na ideia de criar um Coordinated Lunar Time (CLT), pesquisadores do Purple Mountain Observatory, em Nanjing, e da University of Science and Technology of China, em Hefei, desenvolveram um software que calcula o tempo lunar e o traduz para o padrão terrestre.
Batizado de LTE440, o sistema considera os efeitos da dilatação temporal provocados não só pela Lua, mas também pela gravidade do Sol, dos planetas, dos asteroides do cinturão principal e dos objetos do cinturão de Kuiper. De acordo com a equipe, a ferramenta atende à maior parte das necessidades atuais das nações que atuam no espaço.

Nível de precisão e acesso público
Os pesquisadores afirmam que o LTE440 alcança precisão melhor que 0,15 nanossegundo antes de 2050. Em comunicado do Purple Mountain Observatory, a estimativa é que, mesmo após mil anos, o erro não ultrapasse 1/20.000.000 de segundo.
O software foi disponibilizado ao público, antecipando-se às próximas missões lunares da NASA e de outros programas espaciais. O estudo que descreve o sistema foi publicado na revista Astronomy & Physics.
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Avanços legais e próximos passos
Nos Estados Unidos, um projeto de lei para estabelecer oficialmente o CLT já passou por comissão na Câmara dos Deputados com aprovação unânime. Se virar lei, a proposta exige que a NASA desenvolva padrões de tempo celeste para dar suporte a futuras operações na Lua e em outros corpos celestes.
A criação de sistemas como o LTE440 indica que a discussão sobre um padrão global de tempo lunar deixa de ser apenas teórica e passa a integrar o planejamento prático de missões e infraestruturas fora da Terra.