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Enquanto uma intensa tempestade geomagnética de categoria G4 chamava atenção com auroras brilhantes ao redor do mundo nesta segunda-feira (19), conforme noticiado pelo Olhar Digital, outro fenômeno menos visual, porém historicamente relevante, também estava acontecendo.
Na ocasião, a Terra foi atingida pela tempestade de radiação solar mais forte em mais de 20 anos. Segundo o Centro de Previsão do Clima Espacial da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), o episódio superou a intensidade das famosas tempestades solares do “Halloween”, de outubro de 2003.

O que são tempestades de radiação solar
Tempestades de radiação solar ocorrem quando uma forte explosão magnética no Sol acelera partículas carregadas, principalmente prótons, a velocidades extremamente altas. Esse processo geralmente envolve uma ejeção de massa coronal (CME), em que grandes quantidades de plasma são lançadas ao espaço.
Como essas partículas podem atingir uma fração considerável da velocidade da luz, elas percorrem a distância entre o Sol e a Terra – cerca de 150 milhões de quilômetros – em questão de minutos. Ao chegarem ao planeta, os prótons mais energéticos conseguem atravessar parte da proteção magnética terrestre e se deslocam ao longo das linhas do campo magnético até as regiões polares, mergulhando na alta atmosfera.
Para classificar esses eventos, a NOAA utiliza uma escala que vai de S1 (fraca) a S5 (extrema), baseada na quantidade de prótons energéticos detectados pelo satélite GOES. A tempestade de segunda-feira alcançou o nível S4, considerado severo.

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Fenômeno não representa risco à vida na Terra
Apesar da intensidade, esse tipo de fenômeno não oferece risco à vida na Terra. A atmosfera e o campo magnético funcionam como barreiras naturais, impedindo que a radiação atinja a superfície. Este não foi um “evento ao nível do solo”, categoria mais rara em que as partículas são tão energéticas que chegam a ser detectadas diretamente no chão. Segundo a física Tamitha Skov explicou no X, o espectro de partículas era “suave” em comparação com eventos extremos.
Na órbita e em altas altitudes, porém, a situação é diferente. Tempestades severas aumentam a exposição à radiação em astronautas e em tripulações de voos que cruzam rotas polares. Satélites também podem sofrer interferências, já que partículas energéticas afetam sensores, eletrônica embarcada e instrumentos de coleta de dados. Durante o evento recente, meteorologistas espaciais relataram falhas temporárias em medições, possivelmente provocadas por fluxos intensos de prótons.
Embora muitas vezes sejam confundidas, tempestades de radiação solar e tempestades geomagnéticas não são a mesma coisa. A primeira é provocada por partículas solares de alta velocidade; a segunda ocorre quando perturbações no vento solar interagem com o campo magnético terrestre. Com potência escalonada entre G1 e G5, as tempestades geomagnéticas podem causar auroras e afetar sistemas de navegação, comunicação e energia.

Em resumo:
Tempestades de radiação solar
- Natureza do fenômeno: fluxos de partículas solares altamente energéticas (principalmente prótons).
- Origem: explosões magnéticas no Sol, usualmente associadas a ejeções de massa coronal (CMEs) e erupções solares.
- Velocidade e tempo de chegada: pode chegar à Terra em minutos; as partículas podem atingir fração significativa da velocidade da luz.
- Onde atuam: principalmente na alta atmosfera, regiões polares e ambiente espacial ao redor da Terra.
- Classificação (NOAA): escala S1 (fraca) a S5 (extrema).
- Efeitos no espaço: aumento da radiação para astronautas; interferências e danos em satélites e sensores; exposição extra em voos que cruzam rotas polares.
- Efeitos no solo: muito baixos; atmosfera e campo magnético bloqueiam a maior parte da radiação.
- Visibilidade pública: não produz fenômenos visuais; considerado “invisível” para leigos.
- Riscos associados: radiológicos para ambiente espacial; quase nulos para pessoas no solo.
Tempestades geomagnéticas
- Natureza do fenômeno: perturbação no campo magnético da Terra.
- Origem: interação do vento solar perturbado (especialmente CMEs) com a magnetosfera terrestre.
- Velocidade e tempo de chegada: surge horas a dias após a chegada da ejeção de plasma solar.
- Onde atuam: campo magnético terrestre e ionosfera.
- Classificação (NOAA): escala G1 (fraca) a G5 (extrema).
- Efeitos no espaço: correntes induzidas em satélites; problemas em sistemas de comunicação e navegação.
- Efeitos no solo: perturbações em GPS e rádio; correntes induzidas que podem afetar redes elétricas e oleodutos.
- Visibilidade pública: pode gerar auroras visíveis em latitudes elevadas e, em casos fortes, em latitudes médias.
- Riscos associados: principalmente para infraestrutura tecnológica e sistemas elétricos.