Telescópios da NASA descobrem aglomerado de galáxias mais antigo já detectado

James Webb e Observatório de Raio X Chandra, da NASA, detectam aglomerado massivo de cinco galáxias extremamente cedo no Universo
Flavia Correia
Flavia Correia 02/02/2026 18:50, atualizada em 03/02/2026 21:18

Uma equipe internacional de astrônomos fez uma descoberta impressionante usando o Telescópio Espacial James Webb (JWST) e o Observatório de Raios X Chandra, ambos da NASA. A equipe identificou JADES-ID1, o aglomerado de galáxias mais distante já observado – o que significa que é também o mais antigo.

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Tecnicamente, trata-se de um protoaglomerado (ou seja, uma estrutura cósmica em formação, considerada a fase embrionária de um grande aglomerado de galáxias), que existia quando o Universo tinha cerca de um bilhão de anos. Mesmo em estágio inicial, os pesquisadores estimam que o sistema já tenha uma massa total cerca de 20 trilhões de vezes maior que a do Sol, o que indica um crescimento extremamente rápido.

O protoaglomerado JADES-ID1 visto como era apenas um bilhão de anos após o Big Bang pelos telescópios JWST e Chandra. Créditos: Raio X: NASA/CXC/CfA/Á Bogdán; JWST: NASA/ESA/CSA/STScI; Processamento de imagem: NASA/CXC/SAO/P. Edmonds e L. Frattare

Um artigo descrevendo o achado foi publicado na quarta-feira (28) na revista Nature e sugere que esse tipo de estrutura gigantesca poderia se formar e crescer rapidamente no início do cosmos, desafiando previsões anteriores. 

Em resumo:

  • JADES-ID1 é um protoaglomerado encontrado em uma fase extremamente jovem do Universo;
  • A descoberta indica que estruturas massivas podem surgir mais cedo do que o esperado;
  • Observações conjuntas do JWST e do Chandra permitiram identificar e caracterizar o objeto, que deve evoluir para um aglomerado semelhante aos observados atualmente no Universo.

O que a descoberta revela sobre a formação de aglomerados de galáxias

Protoaglomerados são como “embriões” de aglomerados de galáxias: regiões do espaço onde diversas delas se aproximam e interagem sob a ação da gravidade, prestes a formar os maiores sistemas cósmicos ligados gravitacionalmente. Encontrar um exemplar tão cedo na história do Universo, como o JADES-ID1, ajuda a refinar o cronograma de crescimento dessas estruturas e indica uma evolução mais rápida do que a prevista pelos modelos tradicionais.

“Pensávamos que encontraríamos um protoaglomerado como este dois ou três bilhões de anos após o Big Bang, e não apenas um bilhão”, disse Qiong Li, coautora do estudo, pesquisadora em astrofísica extragaláctica da Universidade de Manchester, no Reino Unido, em um comunicado. “Antes, os astrônomos encontraram galáxias e buracos negros surpreendentemente grandes pouco tempo depois do Big Bang, e agora estamos descobrindo que aglomerados de galáxias também podem crescer rapidamente.”

Visão em múltiplos comprimentos de onda do protoaglomerado JADES-ID1. Imagens do JWST e do observatório Chandra mostram uma região distante do Universo, com alta concentração de galáxias. A sobreposição revela emissão estendida de raios X, coincidindo com o excesso de galáxias, indicando um sistema massivo em rápida formação, cósmica antiga. Créditos: Raio X: NASA/CXC/CfA/Á Bogdán; JWST: NASA/ESA/CSA/STScI; Processamento de imagem: NASA/CXC/SAO/P. Edmonds e L. Frattare
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O trabalho se apoia em instrumentos que enxergam diferentes faixas de energia e luz, permitindo flagrar sinais que, isoladamente, poderiam passar despercebidos. Segundo o estudo, JADES-ID1 já apresenta as duas propriedades que confirmam a presença de um protoaglomerado: um grande número de galáxias unidas pela gravidade – com pelo menos 66 membros potenciais identificados pelo Webb – e uma enorme nuvem de gás quente detectada pelo Chandra. À medida que um aglomerado se forma, esse gás cai para o interior da estrutura, é aquecido por ondas de choque, atinge temperaturas de milhões de graus e passa a emitir raios X.

Leia mais:

Aglomerados de galáxias costumam conter centenas ou até milhares de galáxias individuais, imersas em enormes massas de gás superaquecido e grandes quantidades de matéria escura invisível, sendo usados pelos astrônomos para medir a expansão do Universo e investigar o papel da matéria escura e da energia escura

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Para a comunidade científica, o achado serve como um “ponto de checagem” em modelos de evolução cósmica. Se estruturas desse porte já existiam tão cedo, é preciso detalhar como a matéria se organizou depressa o suficiente para gerar ambientes tão densos. Isso envolve entender melhor a física do gás, da matéria escura e das interações entre galáxias jovens – peças que, juntas, montam o quebra-cabeça de como o cosmos se formou.

Imagens de JADES-ID1 obtidas pelo observatório Chandra mostram, à esquerda, as fontes pontuais de raios X e as galáxias candidatas do protoaglomerado. À direita, após a remoção dessas fontes, destaca-se a emissão difusa usada para analisar o gás quente entre as galáxias, indicando um sistema em formação no Universo primitivo. Crédito: NASA/CXC/CfA/Á Bogdán

Webb descobre supernova que explodiu no primeiro bilhão de anos do Universo

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Outra descoberta surpreendente feita pelo JWST recentemente foi uma supernova do Tipo II que teria explodido por volta dessa mesma época, quando o Universo tinha cerca de um bilhão de anos.

Batizado de SN Eos, o objeto é descrito em artigo disponível no servidor de pré-impressão arXiv, onde aguarda revisão de pares para publicação. Saiba mais detalhes aqui.

Flavia Correia
Flavia Correia

Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.

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