Executiva da OpenAI é demitida após críticas a recurso erótico

OpenAI demite Ryan Beiermeister por suposta discriminação sexual em meio a debate interno sobre lançamento de modo adulto no ChatGPT
Logo da OpenAI em um smartphone
Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock

A OpenAI demitiu Ryan Beiermeister, vice-presidente responsável pela equipe de política de produto da empresa, sob alegação de discriminação sexual contra um funcionário homem. A decisão ocorreu no início de janeiro, após um período de afastamento, segundo informações publicadas com exclusividade pelo The Wall Street Journal.

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De acordo com pessoas familiarizadas com o caso, a demissão aconteceu após Beiermeister manifestar oposição ao lançamento de um “modo adulto” no ChatGPT, que permitirá a criação de conteúdo erótico por usuários adultos ainda neste ano. A empresa informou que o desligamento não teve relação com preocupações levantadas por ela durante seu período na companhia.

Em comunicado, Beiermeister afirmou que a acusação de discriminação sexual é “absolutamente falsa”. Já a OpenAI declarou que a executiva “fez contribuições valiosas durante seu tempo na empresa” e reforçou que sua saída não esteve ligada a questionamentos internos sobre produtos.

Ryan Beiermeister
Ryan Beiermeister falando em um painel sobre inteligência artificial no Paris Peace Forum (Imagem: Paris Peace Forum / Reprodução)

Debate interno na OpenAI sobre “modo adulto”

Antes de ser desligada, Beiermeister teria expressado a colegas receios sobre possíveis impactos negativos do novo recurso. O modo adulto permitirá conversas com temas sexuais entre usuários maiores de idade e o chatbot da empresa.

Segundo fontes ouvidas pelo jornal, pesquisadores da OpenAI que estudam vínculos emocionais entre pessoas e chatbots também demonstraram preocupação. Eles apontaram que a introdução de conteúdo sexual poderia intensificar laços considerados pouco saudáveis entre usuários e sistemas de inteligência artificial vistos como companheiros digitais.

Membros de um conselho consultivo sobre “bem-estar e IA”, convocado regularmente pela OpenAI, também teriam se posicionado contra o recurso e sugerido que a empresa reconsiderasse o lançamento. O CEO Sam Altman defendeu a ampliação dos limites de conteúdo como parte de uma estratégia para “tratar usuários adultos como adultos”.

CEO da OpenAI, Sam Altman, falando em evento
CEO da OpenAI defende a ampliação dos limites de conteúdo no ChatGPT para adultos (Imagem: alprodhk / Shutterstock.com) – Imagem: alprodhk/Shutterstock

Beiermeister também teria questionado a eficácia dos mecanismos da empresa para impedir conteúdo de exploração infantil e manifestado dúvidas sobre a capacidade de isolar completamente material adulto de adolescentes.

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Crescimento e pressão competitiva

A OpenAI afirma que o ChatGPT ultrapassa 800 milhões de usuários semanais. A companhia planeja monetizar esse engajamento com publicidade.

A empresa acompanha de perto concorrentes do setor. Em dezembro, declarou um “código vermelho” após o crescimento do chatbot Gemini, do Google. Outra rival, a xAI, observou aumento de engajamento ao adotar regras mais flexíveis sobre conteúdo sexual em seu chatbot Grok.

Ryan Beiermeister ingressou na OpenAI em meados de 2024, como parte de um grupo de contratações vindas da Meta. No início de 2025, ela criou um programa de mentoria entre mulheres na empresa, conectando funcionárias de diferentes áreas para discutir estratégias de carreira em pequenos grupos.

Ana Luiza Figueiredo
Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é editora de tecnologia do Olhar Digital. É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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