Mais um! Portugal aprova restrição de redes sociais para menores de 16 anos

Iniciativa faz parte de um movimento mais amplo para proteger jovens nas redes sociais
Vitoria Lopes Gomez
Vitoria Lopes Gomez 13/02/2026 15:30, atualizada em 13/02/2026 21:08

O Parlamento de Portugal aprovou um projeto de lei que eleva para 16 anos a idade mínima para acesso às redes sociais por conta própria. Com a decisão, o país passa a integrar um grupo crescente de nações que buscam limitar a presença de crianças e adolescentes em ambientes digitais.

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Pelo texto aprovado, jovens entre 13 e 16 anos só poderão utilizar redes sociais, serviços de compartilhamento de vídeo e plataformas de comunicação aberta mediante consentimento dos pais. Ou seja, não é uma proibição total, apenas uma exigência de que os responsáveis aprovem o uso.

Já abaixo dos 13 anos, o acesso a essas plataformas, bem como jogos e aplicativos abrangidos pela lei, será proibido por completo.

Atualmente, a legislação portuguesa fixa em 13 anos a idade mínima para consentimento digital. A nova proposta altera esse parâmetro, estabelecendo que apenas a partir dos 16 anos o acesso poderá ocorrer sem autorização dos responsáveis.

A medida atinge redes como Instagram, Facebook e TikTok, mas não inclui aplicativos de mensagens como o WhatsApp, utilizado para comunicação entre pais e filhos.

O projeto proíbe a criação de contas para menores de 13 anos. Para adolescentes entre 13 e 16 anos, será exigido um sistema de verificação associado à Chave Digital Móvel ou outro mecanismo capaz de confirmar a identidade e idade do usuário.

Além disso, partidos que apoiaram a proposta defendem que as plataformas adotem funcionalidades específicas para proteger adolescentes, como filtros contra violência, conteúdo sexual precoce, jogos considerados viciantes e mídias manipuladas.

Para os deputados social-democratas do Parlamento, a fiscalização deverá ficar a cargo da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) e da Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD).

Medida afeta redes sociais e plataformas de vídeo, mas não aplicativos de mensagem (Imagem: Tada Images / Shutterstock.com) – Imagem: Tada Images/Shutterstock

Proposta veio com críticas

Durante o debate parlamentar, partidos da oposição levantaram questionamentos sobre a aplicação prática da lei, riscos à privacidade e possível aumento na coleta de dados pessoais. Também foi mencionado o uso de VPNs como forma de contornar eventuais restrições.

Também houveram críticas mais amplas à proposta. Segundo o site Euronews, a deputada Madalena Cordeira classificou o texto como uma tentativa de restringir liberdades, argumentando que a iniciativa poderia abrir precedentes autoritários.

adolescentes celular
Restrição a jovens nas redes sociais faz parte de uma tendência mais ampla que começou na Austrália (Imagem: antoniodiaz / Shutterstock.com) – Imagem: antoniodiaz / Shutterstock.com

Outros países já estão restringindo menores nas redes sociais

A decisão portuguesa ocorre em meio a um movimento internacional de revisão das regras de acesso de menores às redes sociais. A preocupação com impactos na saúde mental e no desenvolvimento de jovens tem impulsionado debates em diversos países.

A Austrália foi pioneira ao adotar uma legislação que limita o uso de redes sociais por menores de 16 anos e impõe às plataformas a criação de mecanismos eficazes de verificação de idade.

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Na Europa, iniciativas semelhantes avançam em diferentes estágios:

  • A França aprovou recentemente um projeto para restringir o acesso de menores de 15 anos;
  • A Dinamarca anunciou um acordo político com proposta semelhante, que pode se tornar lei até meados de 2026;
  • Na Itália, um texto que prevê restrições para menores de 15 anos está sob análise no Senado;
  • A Espanha discute proposta para proibir o acesso antes dos 16 anos, enquanto países como Eslovênia, Grécia e Alemanha também preparam medidas na mesma linha.
Vitoria Lopes Gomez
Vitoria Lopes Gomez

Vitoria Lopes Gomez é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e redatora do Olhar Digital.

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