Estudo interno da Meta questiona eficácia de controle parental

Estudo da Meta citado em julgamento indica que controles parentais têm pouco efeito sobre uso compulsivo de redes sociais por adolescentes
Ana Luiza Figueiredo
Ana Luiza Figueiredo 17/02/2026 21:23, atualizada em 18/02/2026 07:40
meta
Meta e família - Imagem: mundissima/Shutterstock

Um estudo interno da Meta apresentado durante um julgamento em andamento nos Estados Unidos trouxe novos elementos ao debate sobre o uso compulsivo de redes sociais por adolescentes. A pesquisa, chamada Project MYST, foi citada por advogados da acusação em um processo que responsabiliza empresas do setor por supostos danos à saúde mental de jovens usuários. O caso começou na semana passada no Tribunal Superior do Condado de Los Angeles.

Continua após a publicidade

Segundo o conteúdo revelado em audiência, o levantamento indicou que a supervisão dos pais, incluindo limites de tempo e controles parentais, teria pouco efeito sobre o uso compulsivo das plataformas. A ação judicial foi movida por uma jovem identificada como Kaley, ao lado de sua mãe e outros autores, que acusam empresas de tecnologia de desenvolver produtos considerados “viciantes e perigosos”, associados a quadros como ansiedade, depressão e outros problemas emocionais.

Logos de Facebook e Instagram em um smartphone
Estudo interno citado no julgamento indica que controles parentais teriam impacto limitado no uso compulsivo de redes sociais por adolescentes (Imagem: mundissima / Shutterstock.com) – Imagem: mundissima/Shutterstock

Estudo interno foi usado como argumento no julgamento

O Project MYST, sigla para Meta and Youth Social Emotional Trends, foi conduzido em parceria com a Universidade de Chicago e baseado em uma pesquisa com 1.000 adolescentes e seus pais sobre hábitos de uso das redes sociais. De acordo com o material apresentado em tribunal, o estudo concluiu que fatores familiares e a supervisão doméstica têm pouca relação com o nível de atenção que os adolescentes dizem ter em relação ao próprio uso das plataformas.

O resultado apontou ainda que pais e filhos apresentaram percepções semelhantes: não haveria associação direta entre relatos de supervisão parental e a capacidade dos jovens de moderar o tempo gasto nas redes. Para os advogados da autora do processo, isso sugere que ferramentas como controles presentes em aplicativos, incluindo o Instagram, ou limites de tempo no celular não seriam suficientes para reduzir o comportamento compulsivo.

Ícone do aplicativo do Instagram
Advogados da autora do processo argumentam que ferramentas de controle parental presentes nos aplicativos da Meta, como o Instagram, não seriam suficientes para reduzir comportamento compulsivo, segundo o estudo da própria empresa (Imagem: miss.cabul / Shutterstock.com) – Imagem: miss.cabul/Shutterstock

A acusação também argumenta que as plataformas utilizariam mecanismos que estimulam a permanência dos usuários, como feeds algorítmicos, recompensas variáveis e notificações constantes. Durante o depoimento, o chefe do Instagram, Adam Mosseri, afirmou não ter familiaridade com detalhes do estudo, apesar de documentos indicarem que ele teria aprovado o avanço da pesquisa. Mosseri declarou que a empresa realiza muitos estudos e que não se lembrava de informações específicas além do nome do projeto.

Leia mais:

Pesquisa relacionou experiências adversas ao uso excessivo

Outro ponto citado no julgamento foi a relação entre experiências negativas na vida real e o comportamento nas redes sociais. O estudo indicou que adolescentes expostos a situações adversas, como conflitos familiares, assédio escolar ou outros problemas, relataram menor controle sobre o próprio uso das plataformas.

Em depoimento, Mosseri disse que há diferentes razões para esse comportamento e mencionou que algumas pessoas usam o Instagram como forma de escapar de realidades difíceis. O executivo destacou que a empresa evita o termo “vício”, preferindo a expressão “uso problemático”, definida como quando alguém passa mais tempo no aplicativo do que considera saudável.

Continua após a publicidade
Adam Mosseri
Em depoimento no julgamento, Adam Mosseri afirmou que a Meta prefere o termo “uso problemático” ao falar sobre o tempo excessivo gasto nas redes sociais. (Imagem: Facebook / Divulgação) – Imagem: Divulgação/Facebook

Os advogados da Meta argumentaram que a pesquisa analisava apenas se adolescentes sentiam estar usando redes sociais em excesso, sem concluir que havia dependência. A defesa também sustentou que fatores familiares e experiências pessoais, como divórcio dos pais e bullying, podem ter papel central no estado emocional dos jovens.

Até o momento, os resultados do Project MYST não foram divulgados publicamente, e não houve emissão de alertas para pais ou adolescentes com base nas conclusões do estudo. A Meta foi procurada para comentar o caso.

Ana Luiza Figueiredo
Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é editora de tecnologia do Olhar Digital. É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Tags:
Gostou? Compartilhe! Ajude mais pessoas a ficarem informadas.
Prefira o OD no Google
Ícone Whatsapp Ícone Whatsapp Ícone Instagram Ícone Facebook Ícone Linkedin Ícone Telegram Ícone Email