Conheça a SpaceSail, rival da Starlink que vai operar no Brasil

Licença autoriza inicialmente a operação de até 324 satélites, com validade até julho de 2031
Quatro satélites posicionados ao redor do planeta Terra
Chinesa tem planos ambiciosos ao nível global (Imagem: Paopano/Shutterstock)

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) concedeu, nesta semana, autorização para a empresa chinesa SpaceSail, conhecida em seu país de origem como Qianfan, explorar satélites não geoestacionários no Brasil.

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A decisão, tomada em 12 de fevereiro, permite que a companhia opere uma constelação de órbita baixa (LEO, na sigla em inglês) no território nacional e estabeleça concorrência direta com a Starlink, serviço da SpaceX ligado ao empresário Elon Musk, atualmente líder do setor.

A licença autoriza inicialmente a operação de até 324 satélites, com validade até julho de 2031. O objetivo é ampliar a oferta de banda larga de alta velocidade em regiões remotas e fortalecer a infraestrutura de conectividade no país, segundo informações publicadas pelo InfoMoney.

A empresa terá prazo de até dois anos para iniciar as atividades comerciais e informou à agência reguladora que pretende lançar o serviço no quarto trimestre de 2026, coincidindo com o início das operações de sua constelação em território chinês.

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Starlink, de Elon Musk, cresceu significativamente no Brasil, mas rival promete chegar com tudo (Imagem: daily_creativity/Shutterstock) – Imagem: daily_creativity/Shutterstock

Impacto no mercado brasileiro

  • A entrada de um novo operador tende a alterar a dinâmica de preços e disponibilidade de serviços de internet via satélite no Brasil;
  • Hoje, a Starlink domina esse nicho e reúne cerca de um milhão de consumidores, sendo amplamente utilizada por produtores rurais, comunidades amazônicas e empresas de logística que atuam em áreas sem cobertura de fibra óptica ou redes móveis tradicionais;
  • A expectativa é que o aumento da oferta pressione a redução de custos de instalação de equipamentos e mensalidades;
  • Além do aspecto comercial, a presença de uma segunda grande constelação LEO pode garantir redundância para serviços públicos críticos, permitindo alternativas de conexão em caso de falhas técnicas ou instabilidades em uma rede.

A chegada da empresa também ocorre em meio ao estreitamento de relações tecnológicas entre Brasil e China. Memorandos recentes de entendimento envolvendo a Telebras tratam de cooperação em infraestrutura de telecomunicações.

SpaceSail: interesse estratégico e exigências técnicas

Além do uso comercial, a tecnologia de satélites de órbita baixa desperta interesse nos setores de Defesa e Segurança Pública, por possibilitar comunicações criptografadas e estáveis em áreas de fronteira e em alto-mar, onde não há infraestrutura terrestre.

Para operar no Brasil, a SpaceSail precisará instalar estações terrestres conhecidas como gateways, responsáveis por conectar o sinal vindo do espaço ao backbone nacional de internet — formado por cabos de fibra óptica submarinos e terrestres. A companhia já iniciou estudos de viabilidade técnica para implementar essas estruturas em pontos estratégicos do território.

A autorização também impõe regras rígidas de coordenação de frequências, exigindo que a agência garanta que os sinais da empresa não causem interferências em outros serviços de radiocomunicação ou em satélites de operadoras já existentes.

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Satélite ao lado da Terra
Sistema concorrente pode garantir, além de pluralidade na escolha da conexão, redundância para sistemas públicos em casos de instabilidade de um dos serviços (Imagem: Paopano/Shutterstock)

Planos de expansão global

O projeto da companhia vai além da fase inicial. Segundo o SpaceNews, a meta é colocar mais de 15 mil satélites em órbita até 2030, criando uma rede global capaz de rivalizar com a infraestrutura da SpaceX. Outras informações indicam que a empresa projeta lançar dezenas de milhares de satélites até o fim da década.

A entrada da SpaceSail também antecipa movimentos de outras gigantes do setor. A Amazon, por exemplo, possui planos para o mercado brasileiro com seu projeto de internet via satélite chamado Leo (ex-Projeto Kuiper), ainda em fases anteriores de implementação regulatória.

Especialistas avaliam que a presença de novos operadores tende a ampliar a cobertura de internet de alta velocidade em áreas onde o serviço ainda é limitado, além de aumentar a redundância das redes — fator considerado relevante para serviços públicos, operações logísticas e comunicações em regiões remotas.

Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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